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quinta-feira, setembro 03, 2015

Navegar é preciso

Foi sobre as águas que passamos mais de 25% do tempo de nossa última viagem. (Sim, eu calculei a porcentagem virginianamente!)
Grande parte dessa marca foi atingida no cruzeiro pela costa da Croácia, mas também houve a travessia do Adriático – de Dubrovnik a Bari – durante toda uma noite e pequenos passeios de barco nos lagos croatas e no Lago de Bled, na Eslovênia.

Em sentido horário:
Embarcando em Plitvice Park
Barco Vanja, no Lago de Bled
Embarcando no Prestige para navegar na Dalmácia
O barco Dubrovnik da Jadrolinja.

Pra completar, desbravamos rios e canais de Berlim e de Paris. Verdade, usamos boas horas da nossa passagens por essas duas capitaizonas pra navegar! E gostamos, viu? Olha só:

1. Berlim – Bridge Tours

Antes de sair do Brasil, fizemos nossa lição de casa bem feita. Lemos tudo o que pudemos sobre os lugares que faziam parte do nosso roteiro. E foi assim que vimos esse post da Isabel no Simplesmente Berlim e decidimos que queríamos fazer um dos passeios de barco que ela contava lá.
Optamos pelo longo tour pelas pontes da cidade, da Reederei-Riedel: três horas e meia navegando pelo Landwehrkanal e pelo Rio Spree.
Escolhemos um horário no final do dia – 19h, era verão – e fomos diretamente ao porto da Cornelius Brücke, ali pertinho do nosso hotel, o Bikini. Compramos os tickets na hora (maiores de sessenta têm desconto! \o/), embarcamos e pronto: as 64 pontes do trajeto começaram a passar sobre as nossas cabeças, ou será que nossas cabeças é que começaram a passar debaixo delas?


Mas nem só de pontes se fez a nossa jornada. Avistamos palácios, parques, museus, monumentos, construções antigas e modernas, gente – muita gente – curtindo as margens do rio em bares e praias fluviais,  o famoso muro, pôr do sol e, claro, muitas e muitas pontes. Uma festa, acompanhada de uma cervejinha, lógico!
Já era noite quando o barco atracou novamente no porto da Cornelius Brücke.
Voltamos a pé pro hotel e ainda a tempo para um jantarzinho no L'Osteria em frente de casa. (Saudades de Berlim e do Bikini.)

Fotos do circuito, aqui.

2. Paris – Navegação no Canal de Saint Martin

Em Paris, foi o Maurício Christovão o responsável pela nossa programação aquática. Foi nesse post escrito por ele e publicado no Conexão Paris que soubemos dos detalhes do passeio de barco pelo Canal de Saint Martin, o Croisière du Vieux Paris. Foi paixão à primeira lida... Saímos do Brasil decididas a embarcar no “Michel Carné” ou no “Arletty”.
Paris foi nossa última parada nessa viagem, já era julho, verão, alta temporada. Melhor garantir o embarque antes: compramos os tickets on line, no site da Canauxrama. (Mais uma vez, abusei do direito de ser velhinha e tive meu desconto na compra do bilhete!)
Embarcamos no Port de l'Arsenal, do ladinho da Place de la Bastille, que por sorte era bem perto do nosso hotel, o Auberge Flora
Escolhemos a saída da manhã – 9h45. Chegamos cedo e notamos que muita gente comprava o bilhete na hora, mas... "seguro morreu de velho", nós já tínhamos os nossos e logo tomamos nossos lugares no “Michel Carné”.
O passeio leva cerca de duas horas e meia e já começa com emoção: um trecho de 1.854 metros feito por baixo do Boulevard Richard Lenoir, iluminado apenas por algumas frestas no alto. Depois,  já ao ar livre, quatro eclusas, uma ponte giratória, uma ponte levadiça e o colorido Parc de la Villette.
Durante todo esse percurso, pontes, pessoas, carros, prédios, jardins, música, outros barcos e, claro, uma cervejinha pra animar.


O agradável passeio termina no Bassin de la Villette. De lá, pegamos um busão e partimos para nossa próxima aventura parisiense: era dia de ver Bonnard no Musée d'Orsay (mas isso a Ana já contou aqui.)

Mais fotos desse giro aquático parisiense, aqui.

segunda-feira, agosto 03, 2015

Viagens do olhar

Quando começamos a pensar na nossa viagem de junho passado, Carmem e eu não tínhamos muitos planos para visitar museus. Talvez porque o destino principal fosse a Croácia, nosso pensamento estava mais em passeios outdoor do que indoor.

Só que então decidimos "dar uma passadinha" em Paris na volta, e então as coisas começaram a mudar um pouco de figura.

De cara, nos lembramos que seria a oportunidade ideal para finalmente conhecer Giverny e os jardins de Monet, que há tempos desejávamos visitar. Compramos o ingresso pela internet, incluindo a visita ao Museé des Impressionismes, em que havia uma excelente exposição sobre as relações de Degas com o Impressionismo.

Os jardins e a casa de Monet são lindos, mas com os quadros de Degas a visita valeu muito mais a pena!

Descobrimos também que uma grande exposição das pinturas de Velázquez estaria no Grand Palais e lá fomos nós comprar mais ingressos pela internet, já que ambas gostamos desse pintor. Eu, particularmente, tenho verdadeira devoção pelo quadro Las meninas, que usei muito em minhas aulas. Minha pintura preferida não estava, mas estava um quadro que eu não conhecia, de Martínez del Mazo, que foi casado com a filha de Veláquez, que retrata a família do pintor, incluindo uma espécie de making-of de "Las meninas" no fundo da cena. Olha que bacana:


Além disso, uma conversa com a querida Marcie nos informou que havia uma exposição do impressionista Pierre Bonnard no Musée D'Orsay: "Painting Arcadia". Não poderíamos perder a oportunidade! Foi uma delícia rever alguns quadros preferidos no D'Orsay e além disso ter a oportunidade de ver tantos quadros maravilhosos de Bonnard ali reunidos.

E pronto, nossos 3 dias em Paris já incluíram 3 compromissos com as artes!

Para completar, ao ver que estávamos nas vizinhanças da Maison Européenne de la Photographie, a querida Gabi Romeiro (ex-aluna e sempre amiga) indicou que déssemos uma passada por lá. Bingo! Fomos e adoramos! Olha a lista de exposições - grátis, naquele dia - que vimos:

1. "La vie en couleurs", fotos de Lartigue
2. "Alice Springs", fotos de June Newton
3. "Arpoador", fotos de Marcos Bonissson
4. "Êtres interdimensionnels", fotos imensas de Philippe Cometti & Dominique Quessada
5. "Le chat et ses photographes", com obras de diversos fotógrafos que retrataram gatos.

Foi muito legal e eu recomendo a visita a todos que se interessam por fotografia.

Ah, e pra não dizer que nossas incursões pelos museus aconteceram só em Paris, em Roma encontramos por acaso uma belíssima exposição de pinturas de Chagall, "Love and life", no Chiostro del Bramante, um espaço muito bonito e que não conhecíamos. No caso dessa mostra, havia alguns recursos digitais interessantes, como esboços originais dos quais, através de jogos de luz, se viam sair os quadros que eles originaram. Foi uma experiência muito interessante assistir ao "parto" dos quadros a partir dos esboços.


No final tinha até uma sala pra tirar uma foto da gente "dentro" de um dos quadros. Olha a gente ali!

segunda-feira, julho 13, 2015

La vie en rose


Deixar Fiumicino e aterrissar no Charles de Gaulle é algo assim como trocar a ruidosa rua 25 de março pela elegante Oscar Freire. Pelo menos, foi assim que nos sentimos naquela manhã, quase tarde, de segunda-feira.
Malas no guarda-volumes, lanchinho no Paul, pés no RER e na linha laranjinha do metrô e, voilà: Auberge Flora, em pleno 11º arrondissement de Paris.
Nosso quarto, de planta irregular, era bem aconchegante, apesar de pequeno. Novidade! Algum simples mortal já ficou num quarto enoooorme por lá?
O bom do hotel é que fica perto de várias estações do metrô e paradas de ônibus e a distâncias caminháveis para a Bastilha, a Place des Vosges, o Marais.

Aligot, no Ambassade d'Auvergne
Foto: Ana Oliveira

Tínhamos saído de casa com vários compromissos firmados para a estada em Paris. O calor deu uma trégua. Cumprimos todo o roteiro e ainda fizemos umas coisinhas mais.
Destrinchamos o Marais e redondezas, com direito a aligot e falafel.
Navegamos entre a Bastilha e o Parc de la Villette.
Nos deleitamos com Bonnard no D'Orsay e Velázquez no Grand Palais.
Fomos, enfim, conhecer os jardins de Monet, em Giverny.
Comemos crepe na feira da Richard Lenoir, a "nossa" rua, com a Mari Campos e a Martinha Andersen.
Visitamos a Maison Européenne de la Photographie (merci pour la suggestion, Gabi!).
E andamos, andamos, andamos. Ufa!

Ninféias

Foi assim que chegamos cansadas ao último hotel que nos esperava em Paris. Ops, esperava nada! Reservamos um quarto no Ibis Paris CDG Airport, bem no Terminal 3 do Charles de Gaulle, mas a reserva foi cancelada, ninguém sabe por quê. E o que seria um momento de relaxamento e descanso antes do embarque se transformou em stress. Brigamos muito, mas acabamos tendo tempo pra um banho e um tiquinho de repouso.
Foi bom, porque aquela "elegante Oscar Freire" estava mais pra "25 de Março", naquela noite. Terminal 2E abarrotado de viajantes do mundo inteiro. Inúmeros voos, para diferentes destinos, partiriam no mesmo horário. Filas imensas pra identificação e despacho de bagagens.
Vencemos!
Chegamos ao portão de embarque com tempo apenas para um xixi e já subimos a bordo para nossas poltronas na primeira fila: estreitas mas com bastante espaço pra esticar as pernas.
Onze horas depois, São Paulo.
E acabou-se o que era doce.

quinta-feira, setembro 05, 2013

Vôos, hotéis y otras cositas más...

Um mês depois do retorno, os posts sobre a parte "mais européia" da viagem já estão no ar.
Logo mais, inicio as histórias sobre nossa estada na Groenlândia e Islândia.
Mas antes quero cumprir a promessa de um post utilitário, contando sobre vôos, hotéis, restaurantes, aplicativos e fontes de pesquisa para essa viagem.
Aí vai, então!
Vôos
Fomos e voltamos de TAM. As passagens foram compradas em abril. Depois de muita pesquisa pela net, resolvemos passar numa loja da TAM pra ver se aparecia alguma barbada. Doce ilusão! 
Com milhas, a coisa era impossível. Demos então a opção de algumas datas, sem destino certo: do início de julho ao início de agosto, para de qualquer país da Europa. O atendente acabou encontrando uma opção com preço interessante: ida 08/07 São Paulo/Frankfurt - volta 05/08 Londres/São Paulo. Topamos!
Os vôos internos foram feitos pela easyJet. Compramos pelo site, ainda antes de sair do Brasil. Um mês antes de cada deslocamento, recebemos alerta para fazer o check in on line. Com os bilhetes impressos e taxas para despacho de bagagem pagas, viajamos muito bem com eles, por preços razoáveis, já que estávamos em alta temporada.

Hotéis que valeram a pena
  • Ibis Frankfurt Centrum  Ótima localização: fomos a pé da estação de trem pro hotel. Padrão Ibis de conforto e relação custo x benefício. Internet grátis no lobby. Reservamos pelo site do Accor.
  • Hotel Quinta das Lágrimas (Coimbra) Vale a pena! Ali nos sentimos princesas. Pra ir da estação de trem até o hotel foi preciso tomar um táxi. Internet por todo o hotel, mas nem sempre com bom sinal . Reservamos pelo Booking. A reserva foi feita para uma viagem anterior que acabou não dando certo. Quem anda sempre por aqui deve se lembrar...
  • Hotel NH Campo Grande (Lisboa)  Localização muito boa, principalmente para quem, como nós, vai ter atividades na Universidade de Lisboa. Fica a dois passos do estação do metrô Entrecampos e a três da estação de trem com o mesmo nome. Bom preço. Ótimas instalações. Internet grátis e operante, inclusive no quarto. Reserva feita pelo Booking.
  • The Bocardo Guest Accommodation (Oxford) Localização muito boa: bem perto da parada de ônibus, bastante central, quarto pequeno mas confortável. Internet no quarto com sinal muito bom. Atenção: 1 - há escadas para chegar à recepção; 2 - há uma casa noturna bem na frente do hotel... e funciona! Vá com pouca bagagem e procure ficar nos quartos do fundo. Nós ficamos na frente e enfrentamos o barulhão da disco! Reserva feita pelo Booking.
  • The Nadler Kensington (Londres) Foi eleito o melhor da viagem. Fomos pra lá depois da decepção com o Hotel Royal National, que já tínhamos conhecido anteriormente. A dica veio do Viaje na Viagem e do Londres para Principiantes. (Há um tempo atrás, hotel se chamava Base2stay). Preço salgadinho, mas o que não é caro em Londres? Localização perfeita, perto do metrô Earl's Court, num bairro residencial cheio de verde e silêncio. Boas acomodações. Atendimento agradável. Tem até recepcionista português, um luxo! Os quartos, apesar de pequenos, são muito acolhedores. Têm uma mini-cozinha e internet operante. Reservamos diretamente no site do hotel.
  • Radisson Blu Hotel (Cardiff) Muito perto da estação central e do centro antigo de Cardiff. Instalações boas. Preço bem acessível. Atendimento cortês. Internet nos quartos. Reservamos pelo Booking.
  • Yotel (Heathrow) Fica dentro do aeroporto, no terminal 4. Paga-se por hora. Não é barato, mas, nosso caso, ficou mais em conta do que meia diária no hotel de Londres. Escolhemos uma cabine standard. Pequena, mas suficiente para o nosso propósito: descansar, tomar um banho e esperar o momento do embarque com tranquilidade. Internet ultra rápida. Mais uma dica do Viaje na Viagem. Reserva feita diretamente no site.


Hotéis que decepcionaram

  • Hôtel du Levant (Paris) Boa localização, bem na muvuca no Quartier Latin. Foi escolhido porque uma amiga ficou lá há muito tempo e gostou, mas deve ter decaído bastante. A recepção e os quartos precisam de uma manutenção. O atendimento é bem impessoal, mas a internet é operante. Caro como todo hotel em Paris. Reservamos pelo Booking.
  • Park Hotel Porto Aeroporto Tem a vantagem de estar em frente ao aeroporto do Porto, mas o acesso ao hotel é bem difícil. Tem que contornar parte do aeroporto, atravessar avenida de trânsito rápido e caminhar por calçadas de pedrinhas (com mala de rodinhas é o que há!). Recepção lenta e quartos sem graça. Internet só no lobby, embora tenham prometido sinal nos quartos. Reservado pelo Booking.
  • Hotel Royal National (Londres) Já conhecíamos o hotel de viagens anteriores, sempre no inverno. Para o verão, o hotel não foi aprovado: não há ar condicionado e as janelas não abrem mais que um palmo. A vantagem do Royal National é a localização: pertinho da Russel Square. Além disso, oferece café da manhã e preço bem bom pra Londres. É possível também deixar a bagagem no hotel mesmo não estando hospedado, a preço bem acessível. A internet só tem sinal no lobby e, como há muita gente acessando ao mesmo tempo, é bem lenta. Reservamos diretamente no site do hotel e tivemos uma dorzinha de cabeça pra cancelar as reservas posteriores (voltaríamos depois da viagem a Cardiff e depois da viagem à Islândia.)



Otras cositas más...
  • E como a internet do Royal National não dava conta da nossa necessidade, resolvemos comprar um chip (que lá só é conhecido por SIM card) pra acesso à internet. Ana foi à lojinha em frente ao hotel e comprou um chip da Three. Chip mais carregamento 20 libras. Mais tarde, carregamos com mais 15 libras e assim, com um smartphone roteando pro outro, tivemos internet à vontade durante toda a estada no Reino Unido. Uma delicinha!

  • Para traçar caminhos - a pé e de transporte público - experimentamos o site do Transport for London e achamos difícil, pesado. Foi daí que encontrei uma dica no blog Dri Everywhere: o Citymapper London. Baixei a app para Android e achei uma belezinha! Recomendo fortemente!


E agora , os agradecimentos!
Teve bastante gente que, direta ou indiretamente, colaborou para o sucesso desse viagem. Vai aí o nosso agradecimento:

  • E à Ana, minha companheira de viagem e de vida, que curtiu comigo cada fase dessa viagem... 

segunda-feira, julho 15, 2013

Paris sem Louvre, pode?

Parece que ir a Paris e não ver o Louvre, ou pelo menos a pirâmide que fica por cima da sua entrada, é como ir a Roma e não ver o Papa.
E o que estará reservado aos cometem  pecados como esses?
Pergunto porque, nas três vezes em que estivemos em Roma, não visitamos Sua Santidade.
Agora, acabamos de visitar Paris sem lançar nenhum olhar para a famosa pirâmide.
Confesso também que só vimos a Torre Eiffel de longe, bem longe...
Tá, podem jogar pedras!
A verdade é que já estivemos por lá umas quantas vezes (quatro, na verdade!) e achamos que poderíamos escapar desses lugares já consagrados e conhecer outros encantos da cidade.
Começamos dedicando algum tempo às estreitas ruas do Marais. Vimos a Rue des Rosiers na sua tranquilidade matinal e no seu burburinho noturno. Topamos com o Museé Carnavalet e nos encantamos com seus jardins. Comemos no Chez Marianne. Contornamos toda a Place des Vosges (e achamos que está meio decadente...). Tomamos sorvete no Amorino.
Falando em sorvete, experimentamos também o Berthillon, diretamente do fabricante, na Île de St. Louis.  
Escolhemos também conhecer algumas galerias e passagens cobertas.
Começamos pela Galerie Véro Dodat, onde comemos super bem na Brasserie que leva o mesmo nome da galeria e compramos pares de meias na Cordonnerie Minuit moins 7.
Em seguida, fomos ver os mosaicos da bela Galerie Vivienne.
A caminho da Passage Verdeau, descobrimos a Passage Jouffroy, da qual não tínhamos nenhuma informação, mas foi um super achado: há ali uma loja da La Cure Gourmand, que já conhecíamos de Madrid. Nem preciso dizer que compramos uns biscoitinhos, né?
Passeio gostoso e facinho de fazer a pé. Olha aí o mapa com os pontos assinalados:


Visualizar galerias de paris em um mapa maior

Picnic no Canal de Saint-Martin é a coqueluche desse verão parisiense. Vai chegando a hora do almoço e o pessoal vai sentando na beira do canal e tirando seus comes e bebes da sacola.
Nós fizemos também o nosso picnic. 
Singelinho, né?
Notre-Dame, também não entramos, não... Mas entramos em outras igrejas: a de St. Louis e St. Paul, no Marais; a de Saint Laurent, pertinho da Gare d'el Est e a de Saint-Julien-Le-Pauvre, em pleno Quartier Latin.
Demos uma voltinha rápida pelo Jardin du Luxembourg, num fim de tarde ensolarado, antes do jantar no Au Père Louis com Marina e Rodrigo, minha sobrinha e seu namorado, quase parisienses.
E encerramos nossas andanças numa manhã de sábado com direito a feira livre e Fromagerie Laurent Dubois em Saint German e um cafezinho sobre as águas do Sena, no Kiosque Flottant, indicação supimpa da nossa amiga Sut-Mie nesse post aqui
Partimos do Charles de Gaulle para o Porto, no fim da tarde de sábado. Nosso vôo EasyJet saiu do terminal  2, portão 56. Nunca tinha visto uma sala de embarque tão agradável: poltronas e espreguiçadeiras coloridas e até um piano vermelho à disposição dos passageiros. 
Foram apenas 69 horas em Paris, mas renderam, viu?
***
Quer ver mais algumas fotos? Clica aqui! E aqui.

sábado, novembro 17, 2012

Ticket para o TGV francês... difícil mas não impossível

Tá no Brasil e quer comprar um bilhete para viajar de TGV na França?
Prepare-se! Você vai empacar na hora do cartão de crédito...
Pelo menos comigo foi assim. 
Fui ao site da SNCF, escolhi trajeto e horário e, toda feliz com a tarifa alcançada, fui para a página do pagamento. Coloquei todos os dados e... meu pedido não foi finalizado! Troquei de cartão de crédito... nada! Peguei o milagroso Diners... não aceitam!
Recorri ao site da Rail Europe. Mesmo trajeto, mesmo horário, mesma classe... quase o dobro do preço. Pode? Não!
Inconformada, fui dar uma voltinha pelo Google e encontrei esse post no Conexão Paris, onde a leitora Maria da Graça ensinava o caminho das pedras para chegar ao sucesso.
Pra começar, a SNCF possui um site específico para venda de bilhetes pela internet o iDTGV. Fui lá!
Fiz o cadastro, como a Maria da Graça aconselhou, escolhi trajeto, horário e vagão silencioso (sim, eu viajaria com a "dona" do Psiulândia!), e, ainda mais feliz do que da primeira vez, fui para a página do pagamento. Coloquei todos os dados e... muitos sessenta segundos depois, meu pedido não foi finalizado! 
Parti então para a segunda etapa: escrevi um e-mail explicando a situação. 
A resposta veio no dia seguinte: somente são aceitos cartões Visa e Mastercard emitidos na União Europeia, Andorra, Mônaco, Liechtenstein, USA e Suiça. Humpft...
Mas, ao contrário do que aconteceu com a Maria da Graça, eles não se ofereceram para desbloquear meu cartãozinho brazuca. Puxa!
E aí? Bem, perdido por perdido, decidi escrever um novo e-mail registrando minha indignação diante da situação: onde já se viu não aceitar cartão de crédito internacional emitido no Brasil! E agora? Eu precisaria comprar o bilhete quando chegasse à França... E se eu não conseguisse?
Qual não foi a minha surpresa ao receber resposta informando que meu cartão final tal (aha, eles tinham arquivadas lá as minhas tentativas frustradas com número de cartão e tudo!) seria excepcionalmente autorizado para a compra.
Bingo!
Fui lá e comprei a desejada passagem...
Pena que agora não poderei usá-la A viagem foi cancelada. 
O ticket não é reembolsável, só são permitidas mudanças de trajeto e data.
Num dia a gente ganha... no outro, perde. Coisas da vida!



domingo, fevereiro 01, 2009

Paris via Chartres

O ônibus que faz o trajeto Tours/Chartres leva cerca de 3 horas e para em um monte de cidadezinhas. Tem até uma parada para troca de motoristas. Pode?
Na chegada a Chartres, de longe já se avistam as torres da Catedral. E cresce a expectativa para ver os famosos vitrais.
Pretendíamos deixar nossas mochilas na estação. Elas não eram grandes, mas pesavam com as coisinhas que trouxéramos mais as outras, que fomos comprando pelo caminho: uma bolachinha aqui, um livrinho ali, um regalito acolá... sabem como é, né?
Pois bem! Primeira surpresa: não havia guarda-volumes na estação rodoviária, nem na ferroaviária, logo ao lado.
Conformadas em andar pela cidade com as mochilas nas costas, pensamos em fazer um xixi antes de iniciar o passeio. Nada da banheiros nas duas estações!
Deixamos o xixi pra depois...
No caminho até a Catedral, nos chamou a atenção a sinalização para os peregrinos a Santiago de Compostela, tão longe dali. Como eram andarilhos os primeiros peregrinos!
A Catedral fica encravada num espaço pequeno para a sua grandiosidade.
Entramos!
Escura.
Demos a volta toda, olhando cada detalhe dos famosos e belíssimos vitrais. E ainda voltamos para rever alguns.
Gostamos, sim!
Mas confesso que esperava mais!!!!!
Tomamos um lanche num restaurante ao lado da Catedral e voltamos à estação ferroviária.
Às 13h31 partimos de trem para Paris.
Voltamos ao mesmo hotel da primeira etapa:
Em Paris, como em Chartres, fazia bastante frio.
Encontramos amigos, andamos pelas ruas, fomos ao museu de Cluny ver A dama e o unicórnio, seis tapeçarias belíssimas expostas numa sala com luz suave. Aí uma amostrinha:Fomos passear na Livraria Shakespeare & Co., cenário de um livro que trouxe para ler durante a viagem, mas que ainda não foi lido...
Charlotte nos acompanhou em todo esse périplo parisiense. Posou para fotos dentro e fora da livraria. E ainda se encarapitou para uma foto numa das famosas fontes de Paris:
Dois dias depois, 29 de janeiro, arrumamos nossas malinhas. Partiríamos para Madri.
Fazia muito frio e os transportes parisienses - metrô e RER - estavam em greve.
De táxi, chegamos ao ponto do ônibus especial para o aeroporto Charles De Gaulle, ao lado do Opéra, que pela módica quantia de 8 euros e noventa cêntimos, nos deixou no Terminal 1.
O Terminal 1 é destinado a empresas pequenas, de baixo custo, que servem, portanto, a viajantes pobres... É tão simplezinho! Sem as lojas e o glamour dos grandes terminais aeroportuários.
Como ficamos com medo dos problemas de trânsito que a greve poderia causar, chegamos cedo. Foi difícil esperar o tempo passar ali.
Mas vencemos! E com apenas 15 minutos de atraso, decolamos pela Vueling rumo a Madri.
Assim terminamos a parte francesa de nossa viagem, amplamente comentada e documentada nos três posts anteriores deste blog e no álbum de fotos:
França 2009

Quer mais?

Venha conosco a Madri, Londres, Oxford, Glasgow, Edimburgo...

sábado, janeiro 31, 2009

Quebra-cabeça

De Rennes a Le Mans, viajamos de TGV, trem rápido e caro, portanto com frequência mais seleta.
Já o trecho de Le Mans a Tours foi feito em trem normal, com vagões mall conservados e estranhos companheiros de viagem.
Três deles - que apelidamos de grupo da touca preta, porque os três usavam uma touca preta - estiveram nos observando insistentemente desde a estação, enquanto comíamos nossos lanchinhos da Brioche Dorée. Incomodadas, saímos para a fria plataforma e pensamos ter nos livrado deles. Qual o quê! Uma vez acomodadas no vagão de nossa escolha, tivemos a desagradável surpresa de tê-los como companheiros de viagem... Coincidência?
Mudamos de vagão uma estação antes da final, para evitar problemas.
Tours nos esperava com uma chuvinha desagradável.
Sem possibilidade de fazer qualquer tipo de pesquisa, demos uma corrida da estação até o hotel mais próximo: o L'Europe. Tivemos sorte. Era simples e simpático. Bom preço: 62 euros, com internet wi-fi grátis. Quarto grande para os padrões franceses. Decoração antiguinha. Ana fotografou o detalhe do guarda-roupa:
Pedimos um apartamento por duas noites.
Depois de acomodadas, saímos para um reconhecimento do terreno, munidas de guarda-chuvas.
O recepcionista, um senhorzinho, nos deu um mapa da cidade, onde assinalou:
  • o escritório de turismo, que não estava aberto àquela hora, ainda mais sendo domingo;
  • a cidade antiga e
  • a catedral.
Diante de nossa questão sobre visitas aos castelos do Loire, afirmou que durante o inverno elas não aconteciam. O mesmo dizia um quiosque na estação ferroviária...
Saímos.
Passando pelo escritório de turismo, soubemos que abriria no dia seguinte às 9 da manhã.
A catedral de St. Gatien foi uma agradável surpresa, com lindos vitrais.

E, como não parava de chover, deixamos a cidade velha para outra hora.
Passamos na estação para pesquisar a possibilidade de ir ao menos ao castelo de Chenonceaux por nossa conta, de trem. Sim, era possível. Anotamos os horários de trem para lá. E outros, de lá para Le Mans e, em seguida, Chartres, nosso próximo destino.
Planejamos então dar uma passada no escritório de turismo na manhã seguinte, apenas para confirmar a viabilidade da empreitada. E nos conformamos em deixar os outros castelos para uma próxima oportunidade.
Voltando ao hotel, avisamos que ficaríamos somente aquela noite, no que fomos perfeitamente compreendidas pelo recepcionista.
Dia seguinte.
Levantamos cedo. Fechamos a conta no hotel e saímos com nossa com nossa pequena bagagem. Não chovia! Bom sinal!
Tomamos um café rápido no bar da estação e, enquanto eu pagava a conta, Ana deu uma corrida até o escritório de turismo. Eram 9 horas.
Dali a pouco voltou apressada, já fazendo sinal pra eu me aprumar: havia uma excursão para os castelos saindo naquele exato momento. Estavam apenas esperando por nós. Bingo!
Assim, por 50 euros cada uma, tivemos o transporte e as informações de Tongwi, motorista/guia da excursão, para visitar 4 castelos do vale do Loire: Chenonceaux, Amboise,
Chambord e Cheverny.
Os companheiros de viagem... eram brasileiros. Uma família com 4 membros. O pai, professor de física na UNESP de Rio Claro! Êta mundo pequeno!
A caminho de Chenonceaux, o tímido sol desapareceu e deu lugar a uma névoa gelada. O termômetro da van marcava zero grau como temperatura externa.
O castelo de Chenonceaux foi construído por três mulheres, em três oportunidades diferentes, sobre o rio Cher. É encantador. Embora a visibilidade externa das construções e jardins estivesse prejudicada pela bruma, nós o elegemos como o nosso predileto.
Em seu interior bem conservado, chamavam a atenção os lindos arranjos de flores naturais que adornavam cada ambiente.
Dali seguimos para a cidade de Amboise, onde Leonardo Da Vinci viveu os últimos anos de sua vida. E onde permanece enterrado.
Com vista para o rio Loire, o castelo de Amboise é também bem cuidado. Jardins e vista são as melhores coisas dele.Almoçamos em Amboise, ali mesmo em frente ao castelo. Sopa de cebola e pizza.
E seguimos viagem, rumo ao enorme castelo de Chambord. No caminho, passamos ao largo de três outros castelos: Chaumont-sur-Loire, Blois e Menars.
Chambord é um exagero! No exterior, muitas torres, de muitos estilos. No interior, centenas de lareiras. Centenas de quartos. Lindas escadas em caracol. Tudo abandonado, pouca coisa em recuperação.
Olha aí: você certamente vai se lembrar daquele quebra-cabeça de milhões de peças que montou um dia... Nós nos lembramos!
Última parada, castelo de Cheverny, menor e bem conservado.
Visitamos seu interior rapidamente, já que era fim de tarde e estavam por fechar.
No exterior, um canil com muitos cães de caça. Essa foi a parte preferida de Charlotte...
Voltamos a Tours no início da noite, bem depois da saída do último ônibus para Chartres.
Retornamos ao Hotel L'Europe.
No dia seguinte, oito e pouco da manhã, pegamos o ônibus rumo a Chartres.
****
Aí está um álbum com as fotos da fase francesa da viagem. Divirtam-se!

domingo, janeiro 25, 2009

Parlez-vous l'anglais?

A pergunta acima foi a mais usada até agora por Ana, a comunicadora oficial dessa parte da viagem.
E, em geral, comovidos pelo esforço da turista em perguntar em francês, as pessoas rapidamente se esforçam para corresponder, usando seu melhor inglês.
Bem, escrevo novamente no trem.
Dessa vez a caminho de Le Mans, de onde seguiremos para Tours, em busca dos castelos do Vale do Loire.

À minha frente uma família – mãe e três filhos – come vorazmente sanduíches preparados pela mãe aqui mesmo no trem. Chegaram com várias sacolas de víveres, faca, bebidas etc. E se atiraram à tarefa alimentar...
Cena comum essa. Nós mesmas, já estivemos comendo nossos lanchinhos do Valentim na estação de Rennes. E ainda completamos as refeição com uma deliciosa clemetine... (mexerica para nós!), isso sem falar da já comentada comilança em St. Pancras, no reino de sua majestade.
Em Rennes, tivemos que esperar 4 horas pelo ônibus que nos levaria ao Monte Saint-Michel. Aproveitamos para passear um pouco pela fria avenida da cidade, enfeitada de árvores estranhamente vestidas...
E ainda descobrimos ali o Café Leffe, que oferecia gratuitamente acesso wireless à internet, rapidíssimo. Sentamos ali e nem sentimos passar as horas até a partida do ônibus.
Nossa estada no Monte Saint-Michel foi boa e cansativa.
Voilà!
Chegamos no início da noite. Descemos do ônibus em frente a porta de entrada da cidade amuralhada e já nos pusemos a procurar um hotel para passar a noite. Nossa preferência era por uma janela com vista para o mar, ou para a abadia que, do alto do monte, rege a vida da cidade.
Encontramos alguns hotéis na única rua do lugar, alguns fechados, outros em pleno funcionamento.
La Mère Poulard, já falecida, domina a vila. Levam seu nome o melhor hotel e o melhor restaurante da cidade, a loja de biscoitos e bebidas. Pobre Mère Poulard, será que quando criou a tradicional omelete sabia quanto seu nome seria usado em vão?
Aliás, provamos a tal omelete. Ana gostou tanto que até repetiu no dia seguinte. Pra mim... hirc!
Trata-se de uma omelete feita com ovos muito bem batidos – quase como as nossa conhecida clara em neve – e frita somente para dar forma à “coisa”. Grande parte do ovo permanece crua, criando como uma calda amarelinha no prato. Alguém está servido?

Bem, mas voltando à procura do hotel, subimos e descemos a rua principal analisando o que se nos apresentava. O hotel de La Mère Poulard, talvez o único com vista para a abadia, não era para o nosso bolso – 200 a 250 euros.
Acabamos nos decidindo pelo Saint-Pierre, 107 euros, com vista para o mar. Pedimos para ver o quarto. A recepcionista concordou e nos informou que ficava fora do prédio em que estávamos. Saímos atrás dela.
Bem, como o próprio nome do lugar diz, trata-se de um monte, o que pressupõe ladeiras, claro! Nossa anfitriã, muitos anos mais jovem do que nós e com muuuuitos quilos a menos, saiu lépida pelas ladeiras e escadarias estreitas e labirínticas. Chegamos ao apartamento com os bofes de fora! Depois disso, nem tivemos energia para recusar o negócio... Mas, na verdade, ficamos satisfeitas com o apartamento. Novinho, confortável, com vista para o mar e quentíssimo!!! Ainda mais depois da caminhada acelerada a que fôramos submetidas...
Fomos logo tirando toda a roupa quente e abrindo a janela. Resultado: peguei uma bela gripe!
Depois de um banho, voltamos à rua principal para jantar. Nem todos os restaurantes estavam abertos. Estudando os cardápios expostos na porta dos possíveis, notamos que eram todos iguais. Um ou outro apresentava uma pequena diferença, na oferta e nos preços, caros.
Acabamos nos decidindo por um: Terrasse Poulard – que não era o bam-bam-bam de La Mère Poulard. Ainda não eram 9 horas da noite, mas o garçon torceu o nariz e olhou para o relógio ao nos ver entrar. Azar dele! Aliás, ele foi dos poucos que respondeu à pergunta de Ana dizendo, quase orgulhosamente, que NÃO falava inglês.
Depois de nós ainda chegou um outro casal.
Foi ali que experimentei a famosa omelete.
Após o jantar ainda caminhamos morro acima até bem próximo da majestosa abadia.
Dia seguinte, deixamos nossas mochilas na recepção do hotel e fomos explorar a cidade. Percorremos as lojinhas e subindo, subindo, subindo, chegamos à abadia. Enorme e repleta de belos recantos. Vale cada degrau subido, cada ladeira vencida.Depois do almoço caminhamos por uma parte da muralha. O sol projetava a sombra do monte na maré baixa daquela tarde. Bela imagem!Partimos no ônibus das 17h15, rumo a Rennes, mais uma vez.
Chovia em Rennes. Fomos direto para o Hotel Le Sevigné, que já tinha chamado nossa atenção no passeio do dia anterior. Foi uma agradável surpresa. Por uma diária de 70 euros, tivemos o quarto mais charmoso de toda a viagem até agora.
Tomamos café no Café Leffe e aproveitamos mais um pouquinho da internet rápida do lugar.
Eram 12h30 quando deixamos Rennes em busca de novas aventuras.