Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 13, 2023

Violivoz

Começamos o ano de 2020 animadas. 
Teve as festas da Purificação em Santo Amaro, a comemoração dos nossos 20 anos juntas em Salvador e a nossa escapada a São Paulo, no meio de tudo isso, pra festa de 15 anos do Viaje na Viagem.
O ano mal estava começando e já tínhamos muitos planos, queríamos viajar muito!
E não é que chegou a tal da pandemia que cortou todos os nossos planos, nos prendendo em casa por quase três anos?
No embalo das festas do início do ano, e cumprindo o propósito de viajar mais, planejamos uma escapada bem com a nossa cara: passear, conhecer novos lugares e ver shows pelo caminho.
Chico César e Geraldo Azevedo estavam lançando um show juntos. A estreia seria  no nordeste, no primeiro semestre de 2020.
Providenciamos ingressos para duas apresentações - Aracaju e Salvador - e organizamos uma viagem que começaria em Sergipe e terminaria na Bahia. No programa estava um passeio no Xingó.
Tudo pesquisado. Hotel reservado. Voos comprados. Hotéis reservados. E veio o isolamento imposto pela covid. 
Os shows foram suspensos, assim como nossas vidas. 
Fomos determinadas. Ficamos em casa, usamos máscaras, álcool 70, álcool gel, cloro no tapete da entrada,  nada de sair à toa, viagens nem pensar. Seguimos todas as regras. Não pegamos a doença nem tivemos perda de pessoas próximas.
No final de 2021, Chico e Geraldo recomeçaram  a turnê, mas pra nós ainda era cedo pra enfrentar uma plateia.
Fomos acompanhando o sucesso da dupla até encontrarmos uma oportunidade em que pudéssemos nos aventurar. 
E foi assim que, em junho de 2022, reestreamos nas plateias, em Campos do Jordão, com o show Violivoz.
Foi lindo!
Vimos o show mais uma vez, em abril de 2023, já mais corajosas para enfrentar aglomerações, sempre protegidas por nossas máscaras poderosas.
Na última semana, Geraldo e Chico puseram no ar a gravação do show que fizeram no final de 2022, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. 
Acabamos de assistir. Está uma belezura.
Daí resolvi escrever essa história e deixar aqui o link do YouTube pra quem quiser curtir os dois lindos:  VIOLIVOZ








terça-feira, abril 14, 2020

Nada

Das belezas que Chico César está criando para esses dias! 💖





NADA

Amanhã não vai ter nada amada
Fique em casa e tome sol
Se tiver casa e sol
Que tal dance nua no quintal
Ponha a alma no varal
Guarde o verão em si

Amanhã não rola nada ainda
Fique linda pra você
Bela como a flor do ipê
Porque eu nem sei como dizer
Medo de fazer sofrer
Te querer longe de mim

Deixa que a saudade derreta
O asfalto e as antenas de tv
Deixa que a distância construa
As pontes de lembrar e esquecer

Amanhã não vai ter nada amada
Nem praia nem futebol
Isso em si não é tão mal
Que tal bote um disco bem legal
Lembre o último carnaval
Outro ainda há de vir

Amanhã não rola nada baby
Cada qual com seu rolê
Tomar banho, cozinhar, ler
Vê, tanta coisa pra fazer
E se a gente não fizer
Nem por isso vai morrer


domingo, julho 26, 2015

Viagem musical

Parece que a música estava à solta durante o tempo em que passamos percorrendo igrejas, parques, becos e praças pela Europa afora.

1. Alemanha

Mal chegamos a Dresden e já topamos com a programação de dois concertos de órgão nas igrejas da cidade: um na Frauenkirche e outro na Kreuzkirche.
O primeiro, da Frauen, foi lindo e longo. A programação incluía preces, benção e -- momento mágico -- os sinos da torre da igreja tocando pela paz. Bom começo, hein? Fala sério!
Taí um teaser do que foi esse nosso primeiro concerto em terras alemãs:

Um vídeo publicado por Ana Oliveira (@anamdo) em

Frauenkirche nos deu o primeiro concerto, mas não os primeiros sons musicais de Dresden. Pela manhã, passeando pela cidade, fomos atraídas por uma música à Haus an der Kreuzkirche, tipo um centro paroquial da Kreuz. Entramos e ainda pegamos as notas finais do que havia sido uma apresentação musical a propósito de sabe-se lá o quê...

Foto: Ana Oliveira

E às três da tarde, voltamos à Kreuzkirche para mais 15 minutos de música.


 
Video: Ana Oliveira
A Kunsthofpassage, em Dresden, como o próprio nome diz, é uma passagem, assim... um beco. Mas, que beco amigos!  Composto de vários pátios, escondidos de quem passa pela rua, cada qual com seus prédios antigos redesenhados por um grupo de artistas. É lá, no Pátio dos Elementos, que está o "prédio musical". Com a fachada azul toda decorada com um emaranhado de calhas, transforma o escoamento da água da chuva em música! Ah, mas precisa estar chovendo pra funcionar, né? Sim, precisa... mas, acreditem, choveu enquanto estávamos lá. Ô sorte!
Video: Ana Oliveira
Já em Berlim, a música voltou a nos envolver no Britzer Garten. Ali acontecia o Shinnyo lanterns on the water, evento incrível do qual participamos (e que a Ana contou aqui), que incluía na cerimônia diferentes apresentações musicais: tambores, instrumentos inusitados, cantoras.
Video: Ana Oliveira
Pra ver a fenomenal apresentação de tambores que aconteceu por lá, acesse esse link aqui e avance até 08:06 minutos. Vale a pena!

2. Croácia

Zagreb, a capital da Croácia, nos recebeu com música e dança pelas ruas do centro antigo. Em cada praça, rua ou beco havia um grupo vestido a caráter, cantando, tocando, dançando: uma festa.

Um vídeo publicado por Ana Oliveira (@anamdo) em

Seria para nos receber? Claro que sim! A cidade aproveita os domingos de verão para mostrar as suas tradições aos visitantes. Mais um lance de sorte pra nós!
Mais um som da natureza convertido em música nos veio através do Sea Organs, em Zadar. O arquiteto croata Nikola Bašić criou uma espetacular instalação que usa a força das águas do Adriático para produzir sons musicais. É só parar e ouvir!

Um vídeo publicado por Ana Oliveira (@anamdo) em

Uma tradição musical da Dalmácia é a música kapla, canto a cappella que teve origem nos cantos litúrgicos da igreja católica e segue existindo até hoje. Há festivais, novas composições, CDs gravados.
Um grupo de música kapla é formado basicamente de um primeiro tenor, um segundo tenor, um barítono e um baixo.
E -- das vantagens de viajar na alta temporada -- lá estavam dois grupos de kaplas no nosso caminho. Mais música na nossa viagem!
Kapla em Split

Video: Ana Oliveira

Kapla em Trogir

Um vídeo publicado por Ana Oliveira (@anamdo) em

Em 2012, a música kapla foi considerada Patrimônio Imaterial da Humanidade. Uau, e a gente ouviu isso! Música é bom, né gente? Mas... nem sempre.  Tivemos também uma experiência musical desagradável durante a viagem. Foi em Biograd. Estávamos ali, tranquilas num final de tarde na nossa pequena varanda, olhando o azul do Adriático quando notamos...


... sim, um grupo musical preparando sua apresentação bem embaixo da nossa janela!
E tivemos um show musical daqueles bem prosaicos, feitos pra hóspede de hotel dançar numa noite de sexta-feira. Fuén!
Por sorte, a música acabou cedo e pudemos ter uma boa noite de sono.
A ilha de Hvar é famosa -- entre outras coisas -- pelas baladas, barzinhos, luau na praia, enfim: agito. E a fama não é indevida, não.
Enquanto os jovens se preparavam para aproveitar a animação, depois de um dia de passeios pelas ruas e escadas da ilha, nós, velhinhas, nos deliciamos com mais um concerto de órgão e flauta, na Katedrala da cidade. Vidar Hansen, organista norueguês e a flautista eslovena Hanan Hadžajlić nos deleitaram com peças de Mendelssohn, Bach e outros.
E como a música nos perseguia onde quer que estivéssemos, andando por Dubrovnik, encontramos duas manifestações dela pelas ruas e praças.

 Ivana Kujundžić
Foto: Ana Oliveira
Olha ela no Youtube:

                       

E mais uma simpática dupla na praça principal:


3. Itália

Pra terminar nossa viagem musical, tivemos um encontro com Domenico Modugno em Polignano a Mare.
Tá, gente, Domenico foi-se em 1994, mas vive ainda ali, naquela praça à beira mar com seu Volaaaaaare!!!!!!


É isso, como já dizia Nietzsche: "Sem música a vida não faria sentido." Nem as viagens...

domingo, outubro 12, 2014

Dia das crianças às vésperas das eleições presidenciais

Chico César e a Banda Bate Lata na Câmara Municipal de São Paulo

Durante essa semana, por conta do segundo turno das eleições presidenciais, o tema da redução da maioridade penal esteve presente em muitas das postagens que li no Twitter e no Facebook. 
Guardei alguns artigos pra ler mais tarde. E o mais tarde foi hoje cedo... justamente na manhã do Dia das Crianças.
Li esse, esse e esse
E à medida que fui lendo, me lembrei de uma música do século passado que tinha tudo a ver com o assunto.
Assim que tive um tempinho, fui procurar a música nos meus guardados.
Taí: Infratores. É clicar e ouvir!
Depois me diz se não super-combina com o momento!
A música foi composta por Chico César e Tata Fernandes e está gravada no CD "Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome", da Banda Bate Lata, lançado em 1999 na Praça da Paz do Ibirapuera para 5.000 pessoas, com a participação de Chico César, Caetano Veloso, Orquestra Sinfônica de Campinas, Stomp e outros.
Pra conhecer os objetivos e o funcionamento da Banda Bate Lata é só dar uma olhada aqui e aqui.
Feliz dia das crianças pra todos nós!

sexta-feira, agosto 23, 2013

Precioso Rubi

Um banquinho, um violão... 
Ops! Duas cadeiras, dois violões, uma guitarra e muita sensibilidade! 
Essa é a fórmula do novo show que Rubi está apresentando por esses tempos no Espaço Parlapatões em São Paulo e na Caixa Cultural em Curitiba.  
Foto: Ana Oliveira
Fomos ontem e saímos de lá em estado de graça. 
Pela voz de Rubi, ora doce, ora cortante, ora suave, ora inflamada e  pelos acordes da alva guitarra manejada por Estevan Sinkovitz, passaram versos e notas de Alceu Valença, Chico César, Itamar Assunção, Getúlio Côrtes, Tata Fernandes, Caetano Veloso, Cândido das Neves, Marco Michelângelo (anote esse nome, o cara é muito bom!), Gilberto Gil e outros bons.
Estávamos sem câmeras. Ruim, pois não pudemos registrar os lindos momentos da interpretação do artista. Bom, pois pudemos esquecer os cliques e nos envolver com o clima de emoção e delicadeza que rolou na noite paulistana, naquela pequena sala do Espaço Parlapatões. 
Quem mora em Sampa ou em Curitiba, não pode perder. E quem não mora... que corra pra uma dessas cidades pre ver a aquela belezura.
De nossa parte, voltaremos!

sábado, dezembro 08, 2012

ESTADO DE POESIA

(foto: CrisL)
Maria Bethânia volta e meia inclui uma composição de Chico César nos seus trabalhos.
Atualmente, Dona Maria está estreando um novo show , o "Carta de Amor".
E... adivinha! Tem música nova do Chiquinho. 
A canção se chama"Estado de poesia". Aqui dá pra ouvir: 

E a letra - em versão não oficial, mas revista pelo autor - é essa:

Para viver em estado de poesia
Entranharia nestes sertões de você
Pra me esquecer da vida que eu vivia
De cigania antes de te conhecer
De enganos livres que eu tinha porque queria
Por não saber que mais dia, menos dia
Eu todo me encantaria pelo todo do teu ser
Pra misturar meia noite, meio dia
Enfim saber que cantaria a cantoria
Que há tanto tempo queria
A canção do bem querer
É belo vês o amor sem anestesia
Dói de bom
Arde de doce
Queima a calma
Mata cria
Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria
Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica, nem vai embora
É o estado de poesia

***
E no final de 2013, Bethânia voltou a registrar a bela canção, dessa vez declarando o nome do autor!
Taí a nova versão:


_______________________________
Atualizado em 06/02/2014

quarta-feira, julho 21, 2010

Entrevista de gente que encanta

Chico César é assim, gente que encanta!
Quando canta, quando escreve e quando fala...
Um dia desses, passeando pelo site do
Instituto Cultural Casa do Béradêro do qual já falei aqui, li uma bela entrevista
que o moço deu à assessora de comunicação do projeto, onde conta um pouco da história do instituto, analisa sua trajetória e fala de suas expectativas para o futuro do Béradêro.
Copio aqui o diálogo que me encantou:

Entrevista de Chico César sobre o Projeto Gente que Encanta
10/08/2009

Assessora de Comunicação Gente que Encanta - Conheço um pouco da história do começo do Instituto Casa do Béradêro e de sua relação com Catolé do Rocha e com a irmã Iracy. Mesmo assim, gostaria de saber quais questões subjetivas e objetivas lhe motivaram a investir na implantação da ONG?

Chico Cesar - Há cerca de 10 anos Irmã Iracy, minha professora de música, encabeçava e levava sozinha o Projeto Gente que Encanta. Eu havia conseguido projeção nacional e internacional com meu trabalho musical. E eu já conhecia o projeto Bate-Lata de Campinas (SP), tendo inclusive estabelecido algumas colaborações com eles, e também o pessoal da Orquestra dos Meninos de São Caetano. Inspirado nessas experiências, senti que poderia dar visibilidade, apoiar financeiramente o projeto de Irmã Iracy pelo menos nos primeiros passos, ajudá-la a conceituar. Logo de imediato, ao saber de nossas intenções e do trabalho que já vínhamos desenvolvendo, um renomado médico da cidade chamado dr. Antônio Benjamim me procurou para oferecer o prédio que viria a se tornar nossa sede. Esse foi um momento muito importante para nós pois o edifício necessitava um reforma radical e nos unimos em torno dela, trazendo novos colabores com a arquiteta Cristina Evelise. Paralelamente fomos conseguindo apoios como da Fundação Vitae, que aportou recursos para a aquisição do primeiro grande lote de instrumentos, de e também de franciscanos alemães. Professores da Galícia, na Espanha, tomaram conhecimento do nascente Instituto Béradêro e convidaram uma parte de nossa orquestra para que se apresentasse por lá e também em Portugal. Foi uma experiência gratificante para os que puderam ir pelo contato estabelecido com garotos de língua portuguesa com outros acentos, outras brincadeiras, outra musicalidade. Semelhante e divergente ao mesmo tempo. Depois da visita dos béradêros à Galícia, os professores galegos se cotizaram e também enviaram recursos. Nessa fase, até mais importante que os recursos foi a solidariedade, a visibilidade e a cumplicidade que o projeto foi ganhando.

Assessora de Comunicação Gente que Encanta - Qual sua avaliação da atuação da Casa do Béradêro durante esses quase 10 anos de trabalho na região?

Chico Cesar - Crescemos. Muitos alunos transformaram-se em monitores, em repassadores de conhecimento para os mais novos. Saímos do voluntarismo puro, simples e extemporâneo para ações não-remuneradas, mas encadeadas e conseqüentes.

Assessora de Comunicação Gente que Encanta - O desenvolvimento das atividades do Instituto também se deve a ajuda de voluntários. Parece-me que a população local também tem muito carinho pela ONG e tudo que ela representa. Como você vê a ação destes voluntários e qual a importância deles?

Chico Cesar - A colaboração local e a troca de experiência com grupos de cidades vizinhas como Pombal, Sousa e Cajazeiras tem sido de suma importância para o processo de amadurecimento do grupo. No início tivemos problemas de compreensão de nosso trabalho na cidade pois para muita gente se tratava do "coralzinho de Irmã Iracy" e depois da "escola de Chico César", como se não fosse algo de responsabilidade comunitária. Creio que ainda hoje há um certo equívoco no meio do empresariado local, no sentido de pertencimento. São poucos os que não se eximem de participar e colaborar. Por outro lado, entre os jovens de todas as classes sociais encontramos pessoas dispostas a colaborar, a estender os braços, a botar a mão na massa como se diz. Para se ter uma ideia, há uma verdadeira fraternidade do Instituto Béradêro com o Projeto Xique-xique estabelecido na zona rural da cidade de Catolé do Rocha.

Assessora de Comunicação Gente que Encanta - Gostaria de entender também qual tem sido seu envolvimento com a instituição ao longo dos anos?

Chico Cesar - Sou idealizador e fundador, fui seu presidente e também principal mantenedor por muitos anos. Vejo agora com alívio que o Instituto tem encontrado novos parceiros em diversas áreas, incluindo administração e pedagogia. É maravilhoso ver o pássaro criar asas e ensaiar seus próprios. Continuo como incentivador, sei que sou uma referência positiva para os jovens que procuram o Instituto. Pra onde vou, em minhas viagens pelo mundo inteiro, levo o nome do Béradêro como divulgador do projeto mas também em busca de novas parcerias e de experiências que possam trazer novas luzes pra gente.

Assessora de Comunicação Gente que Encanta Recentemente a Petrobras virou patrocinadora da Casa do Béradêro através do Projeto Gente que Encanta. Uma notícia que chegou mim é de que a abertura do curso de informática causou o maior tumulto entre a população local. Você acha que este aporte financeiro e institucional da Petrobras era o que faltava para o crescimento da ONG?

Chico Cesar A chegada da Petrobrás, pelo vulto dos recursos e a possibilidade de organização que nos dá, é um salto. Mas, sem subestimar a importância desses recursos, não podemos esquecer que a Petrobrás é uma marca associada à ética nas ações sociais e uma empresa muito querida pelos brasileiros. Estarmos ligados a seu nome é extremamente positivo, nos avaliza perante a opinião e nos cria estofo para o estabelecimento de novas parcerias com empresas e instituições igualmente gabaritadas. A cidade vê a chegada da marca da Petrobrás com muita alegria e cumplicidade.

Assessora de Comunicação Gente que Encanta - Cursos como o de luteria, operador de áudio e os demais cursos de música como violino, violoncello, violão, etc. estão sendo ministrados com turmas maiores estes semestres e, pelo que consta, eles são os únicos daquela região do sertão. Você conseguiria descrever o impacto de um projeto como este naquela localidade?

Chico Cesar - Catolé do Rocha, desde os anos 50 funcionou como um polo cultural do sertão para os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e mesmo Pernambuco por congregar vários estabelecimentos escolares importantes como o Colégio Normal Francisca Mendes, fundado por freiras alemãs fugidas da segunda grande guerra, o Colégio Técnico Dom Vital, fundado por padres capuchinhos, e ainda o Colégio Agrícola, depois fechado pela ditadura militar. Ficou conhecida como a "Cidade que lê". Imagino que a partir da instalação do Instituto Béradêro, ao lado de outras iniciativas como o Projeto Xiquexique, a cidade começa a resgatar sua vocação cultural. Os novos cursos trarão alunos de diversas regiões desses Estados e funcionarão como polo de atração e trocas de experiência. Creio que aí está algo que nem podemos ainda dimensionar os seus resultados.

Assessora de Comunicação Gente que Encanta - Parece até um clichê a pergunta, mas não vou poupá-lo dela, já que a acho importante. Qual o futuro que você espera e prevê para o Instituto?

Chico Cesar - Espero que o Instituto Béradêro, do mesmo modo como aboliu de cara o assistencialismo de suas metas e centrou na educação e sensibilização através da arte, dê um novo salto no sentido de criar consciência e viabilidade profissional para seus educandos. É importante que muitos dos que aprenderam com ele tornem-se de fato seus novos mestres e possam sobreviver do trabalho dentro da própria comunidade.

Dê um pulo lá no site do
Instituto Cultural Casa do Béradêro, além de encontrar a entrevista com fotos, você vai poder conhecer mais um pouco do que o instituto faz para complementar a educação dos jovens de Catolé do Rocha, na Paraíba.