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quarta-feira, novembro 02, 2011

Europa 2011: hoteis

E como sempre é bom ter notícias dos hoteis onde viajantes se hospedam, aqui vão as nossas impressões sobre os que nos acolheram durante a viagem a algumas cidades europeias no último verão... de lá.

Madri
Sempre foi nosso "queridinho" na capital espanhola.
Descobrimos na primeira viagem do século e ficamos fãs. 
A localização é perfeita: Calle Fuencarral, em plena Chueca, pertinho da Gran Via. Movimento dia e noite. Gente bonita. Lojas tentadoras.
Fica no terceiro andar de um belo edifício antigo. Tem wi fi grátis e eficiente. Banheiro privativo.  É limpo. Confortável, mas sem luxo.
Ao chegar ao lobby, tem-se a impressão de estar entrando num cenário de Almodóvar. Delícia!
O pessoal da recepção é educado, mas tem o típico humor dos espanhois. Preciso dizer como é?
Em viagens anteriores fizemos a reserva por telefone, já que pelo site a coisa não funcionou. Dessa vez, descobrimos o hostal no Booking e tudo ficou mais fácil.
Preço bem bacaninha. Nesse verão, pagamos 54 euros pelo quarto para duas pessoas.

Hotel Meliã Avenida América
Nosso voo de volta foi transferido para o dia seguinte. Assim, tivemos uma noite extra em Madri por conta da companhia aérea.
Nos levaram ao Meliã, assim mesmo, com à no final.
Foi uma estadia breve.
O hotel fica próximo ao aeroporto e tem boas acomodações.
O serviço foi caótico, já que recebiam hordas de turistas oriundos de voos cancelados.
Usamos o wi fi grátis e enfrentamos um café da manhã tumultuado.
Mas, de graça... sabem como é, né?

Viena
Foi escolhido tendo em vista o horário da chegada ao aeroporto. 
E é realmente uma mão na roda. Basta sair do terminal e atravessar a rua.
Wi fi grátis por 30 minutos, no lobby, como cortesia de chegada, ou seja, só uma vez durante a estadia.
Acomodações razoáveis. Serviço desatento.
A reserva foi feita pelo Hoteis.com
Valor da diária: R$219,59

Ibis é sempre Ibis. Por pior que seja, tem sempre um padrão aceitável. O Ibis Viena Mariahilf é assim, assim. 
Fica perto de umas das principais estações de trem  - a Westbanhof - e longe da cidade. Não tão longe que não se possa caminhar, mas... Melhor mesmo tomar o metrô, que está ali pertinho.
Internet grátis, mas ruinzinha. Funcionava melhor no lobby.
Recepção simpática. Conseguimos até um early check in.
Reservamos diretamente no site da Accor e pegamos uma tarifa promocional - Happy20 - especial para quem reserva, e paga sem direito a devolução em caso de desistência, com pelo menos 20 dias de antecedência. A diária para duas pessoas saiu por 59 euros.

Budapeste
Sempre fazemos uma extravaganciazinha em nossas viagens. Dessa vez foi em Budapeste.
Escolhemos o Le Meridien com o olho nas suas 5 estrelas e na localização central.
E acertamos! O hotel fica em Peste, na Erzsebet Ter, a poucos passos da estação Deák Ferenc, a principal.
As acomodações são bem boas. O banheiro, tão grande que quase nos perdíamos lá. Boas amenities, DOIS roupões de banho e DOIS chinelinhos.
Recepção afável, mas sem exageros...
Wi fi grátis só no bar. Mas conseguimos usar no lobby, nas proximidades do bar. Afinal, não dava pra tomar um drink a cada tuitada, né?
Reservamos pelo Hoteis.com. Usamos um cupom de desconto que tínhamos guardado e a diária saiu por meros R$272,38. Nem tão extravagante, né?

Praga
Escolhemos o hotel seguindo indicação do Riq Freire.
Boa pedida!
Fica um pouquinho longe do metrô, mas pertinho dos lerês turísticos de Praga. E o bonde passa em frente...
Recepcionistas agradáveis. Houve um problema com a  nossa reserva e eles se desculparam com dois drinks grátis e uma garrafa de vinho. Bom, né?
Acomodações razoáveis.
Wi-fi grátis. E café da manhã, simples mas suficiente.
Reservamos também pelo Hoteis.com e a diária com desconto saiu por R$ 134,23. Nada mal!

Porto
Passamos apenas 12 horas no Porto, com uma noite no meio. E, como tínhamos um encontro para o jantar, decidimos nos hospedar no centro. 
O Ibis Centro fica a uma distância caminhável da estação Bolhão do metrô e tem preço bem razoável. Com a tarifa ¨Preço especial de verão - 10 euros", reservada diretamente no site da Accor, nossa estadia saiu por 45 euros.
A recepção fica num andar superior, é preciso usar o elevador. Fomos bem recebidas e tivemos acomodação no padrão Ibis.
A internet é grátis, mas funciona num sistema tão difícil que, cansadas e apressadas, não conseguimos decifrar.

Faro
Nosso objetivo principal em Faro era participar de um congresso que acontecia na Universidade do Algarve. Assim, a localização do Ibis Faro e foi bem conveniente pra nós: próximo do campus, a meio caminho do aeroporto, da praia e do centro. Com carro alugado, funcionou super-bem.
Recepção simpática. Quartos tipo Ibis. 
Café da manhã gostosinho, pago à parte, com vista para a piscina do hotel.
Wi fi grátis no lobby, com o mesmo sistema do Ibis Porto Centro, mas dessa vez nos dedicamos a entender o funcionamento. E conseguimos.
Pegamos a mesma tarifa ¨Preço especial de verão - 10 euros" e pagamos 69 euros por noite. Reserva feita diretamente com a Accor.

Lisboa
A dica do Gustavo foi uma ótima pedida. 
Em pleno centro velho de Lisboa, com duas estações de metrô bem próximas, mais ônibus, trem e restaurantes, a localização do hotel foi perfeita para nós.
A decoração toda moderninha minimiza os efeitos do pouco espaço dos quartos. Tudo funciona super-bem. Inclusive o café da manhã, servido em mesas coletivas.
O wi fi é grátis e as recepcionistas são muito simpáticas.
Fizemos a reserva diretamente no site do hotel e pagamos 74,70 euros por noite.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Europa 2011: transportes


Eu sempre gosto de saber como os viajantes se locomovem pelo mundo afora. Avião, trem, ônibus, bicicleta, riquixá...
É sempre bom ter notícias atualizadas e opiniões abalizadas sobre isso, né?
Então, aqui vai minha contribuição para os que também buscam esse tipo de informação.
Em julho estivemos sassaricando entre Madri, Viena, Budapeste, Praga, Faro e Lisboa. Dá pra imaginar o périplo?
As passagens intercontinentais foram emitidas pela Aerolíneas Argentinas. O voo incluía escala em Buenos Aires, com troca de aeroporto: chegada pelo Aeroparque e partida de Ezeiza.
Fizemos a compra antes da erupção do Puyehue - o vulcão chileno que atrapalhou as férias de muita gente no inverno de 2011.
Escolhemos a Aerolíneas pelo preço e incluimos no plano de despesas o translado entre os aeroportos. Mas - olha a surpresa! - com um pouco de paciência, conseguimos um transporte patrocinado pela própria companhia aérea. Como? Bem, primeiro enfrentamos uma fila na loja da Aerolíneas para pegar um voucher. Depois outra fila no balcão da Manuel Tienda León, empresa que faz o transporte. E por último a fila para esperar e entrar no ônibus. E nem preciso contar que tudo era beeem desorganizado!  Mas como não tínhamos nada pra fazer mesmo...
A volta já foi bem mais tumultuada, como eu contei aqui. Culpa do vulcão? Nem só...
Em Madri, nosso transporte oficial é o metrô, sempre. Do aeroporto ao centro e vice-versa e pra um ou outro passeiozinho mais longe do hotel. Nessa viagem, como carregávamos uma mala em lugar das tradicionais mochilas, prestamos mais atenção às escadas rolantes ... e sentimos muita falta delas em algumas estações.
Entre Madri e Viena, viajamos pela Air Berlin, uma low cost bem decente. Já a conhecíamos de outros carnavais e não tivemos nenhuma decepção. O preço dos bilhetes foi o melhor que encontramos para o trecho - 90 euros por pessoa - e assim ficou definido que começaríamos a conhecer o leste europeu pela capital da Áustria.
Entre o aeroporto de Viena e o centro, usamos o serviço de ônibus da Vienna Airport Lines, que funciona bem e não é caro: por 7 euros chegamos rapidinho à Westbanhof, pertinho do nosso hotel.
Ainda no aeroporto, compramos o ticket "72 Stunden Wien", que incluía ônibus, metrô, bonde - que dá voltas incríveis - e trem. Tudo integrado e fácil, por 13,60 euros, durante 72 horas. E usamos bastante.
Próximo destino Budapeste. Optamos pelo ônibus da Orange Ways - a 15 euros por cabeça, com wi fi a bordo -  depois de pesquisar horários e preços dos trens.
O ônibus saiu pontualmente da estação Praterstern (numa avenida tranquila atrás da estação) e nos deixou em  Budapeste ao lado da estação Népliget, na linha azul do metrô. Dali é um pulo pro centro. E o metrô aceita cartão de crédito para a compra dos bilhetes, uma mão na roda pra quem está chegando do mundo do euro, sem um mísero forint húngaro no bolso.
Em Budapeste, além do metrô, usamos o bonde 2, que faz um trajeto bonito pela margem do Danúbio.
Rumo a Praga. Mais uma viagem, a 20 euros, pela Orange Ways. Saímos da mesma estação Népliget e, dessa vez, houve um bom atraso na saída. O trajeto é longo, as paradas curtíssimas e o wi fi não funcionou... Chegamos de noitão à estação Florenc, em Praga. 
E aí o bicho pegou. O metrô não aceita cartão. As placas informativas são poucas. Mas nós conseguimos, como eu contei aqui.
Em Praga, pra circular pela parte histórica, não é necessário o uso de transporte, exceto pra subir ao castelo. Fomos duas vezes, com o bonde 22. Só se entra no bonde com o bilhete em mãos.  Ao comprá-lo é preciso decidir qual tempo de validade dele. Compramos os nossos numa loja de revistas perto do hotel, com validade de apenas 30 minutos, porque só usamos para a ida. Voltamos a pé. 
E também usamos  o funicular, em Budapeste para ir ao Castelo e em Praga,  para subir ao bairro de Petrín.
Saímos de Praga por via aérea e para chegar ao aeroporto usamos os ótimos serviços da Prague Airport Transfers, que nos custou 23 euros. A reserva pode ser feita por e-mail e a confirmação é rapidinha. Dica do Riq Freire.
Nosso próximo destino era Faro, no sul de Portugal. Chegar lá sem gastar o salário do mês foi o nosso maior desafio. Fizemos um sem número de simulações de voos e acabamos optando por um tour de três voos: Praga/Milão/Porto pela Easyjet, com intervalo de mais ou menos 3 horas no aeroporto de Malpensa, em Milão (175 euros por pessoa). E, na manhã seguinte, Porto/Faro pela Ryanair (41 euros por pessoa).
A Easyjet já era nossa velha conhecida e não nos surpreendeu em nada. Saiu tudo como o esperado. E ainda aproveitamos a lojinha a bordo pra comprar baterias extras para nossos iPods.
Na Ryanair éramos estreantes e aprovamos o serviço. Cumprimos a nossa parte e eles cumpriram a deles.
Nessas low cost a bagagem de mão é limitada a 10 kg e para despachar bagagem é preciso pagar taxa antecipada. Hard!
Esse trajeto maluco nos proporcionou uma noite no Porto e a oportunidade de conhecer o novo - e lento - metrô da cidade. A linha que leva do aeroporto ao centro tem intervalo de 20 minutos entre as partidas e vai se arrastando pela caminho num sem fim de paradas. Haja paciência!
Em Faro, alugamos um carro, já reservado anteriormente na Air Auto. Bom preço: 108 euros por 4 dias de locação. Um Nissan Micra em estado razoável, com ar condicionado. A maior dificuldade foi encontrar o quiosque deles, que fica no meio de um dos estacionamentos do aeroporto.
Na única vez em que usamos táxi em Faro, tivemos uma experiência desagradável. O motorista deu piti porque faríamos uma corrida pequena: do aeroporto ao centro da cidade... Descemos, deixamos o mal educado falando sozinho e fomos de ônibus mesmo!
De Faro viajamos até Lisboa de trem a 22 euros por pessoa. Compramos os bilhetes pela net, antes de sair do Brasil.
De Lisboa voltamos a Madri, nosso ponto de chegada e de partida.
Planejamos a viagem pelo Trem Hotel Lusitânia, nosso velho conhecido. De outras vezes fizemos a viagem e curtimos muito. Dessa vez, nem tanto... O velho trem precisa de manutenção e mais cuidados com a limpeza. A viagem custa 104 euros em cabine com duas camas e café da manhã incluído. Sai de Lisboa às 22h30 e promete chegar a Madri às 09h03 do dia seguinte. Mas nesse dia atrasou...
Foto: Ana Oliveira

quarta-feira, setembro 28, 2011

Pro calor de Budapeste... banhos!

Caminhar por Budapeste em pleno verão europeu é para os fortes!
É um sobe e desce, ponte pra Buda, ponte pra Peste. E o termômetro nas alturas.
Não é à toa que os famosos banhos da cidade ficam apinhados de gente. Todo mundo querendo relaxar nas piscinas de águas medicinais.
E nós, claro!, fizemos o mesmo.
E fomos logo a dois banhos: o Géllert e o Rudas.
Começamos pelo mais famoso.

Hotel Géllert em foto emprestada de Viagens-a-2, postada em www.viajantes.minitube.pt
.
Atravessando a bela - e verde... - Ponte da Liberdade, no sentido Peste/Buda, chega-se ao Hotel Géllert, onde está também o balneário.
A entrada é monumental:

Difícil é dar conta das informações - tudo em húngaro - para poder definir que tipo de ticket comprar. 
Mas, com um pouquinho de inglês e muito de mímica, acabamos decidindo e recebemos nossas pulseirinhas magnéticas, que - depois descobriríamos - é exatamente igual à do Rudas. Comparem!
As instalações do Géllert têm um tom de luxo decadente. Muitas colunas, mármores, cúpulas, piscinas, cabines... Mas tudo precisando de uma boa repaginada, pra não falar também de uma boa faxina.
Mais por intuição que por informação, acabamos descobrindo os passos seguintes e logo depois estávamos (des)vestidas, com nossos pertences guardadinhos num armário individual, de posse de toalhas, enfim, preparadas para estrear na piscina principal das termas, que naquele momento estava coalhada de gente. 
Foto: http://www.chemaxon.com/ugm-presentations/2010-europe/ 
A água é boa, morninha. Há uma espécie de hidromassagem que só descobrimos mais tarde, quando retornamos de um tour autodirigido que empreendemos pelas instalações, passando por uma piscina de ondas ao ar livre, um bar e corredores labirínticos.
Piscina de ondas
http://www.llworldtour.com/2007/08/15/buda-or-pest-take-your-pick/
Quando pensávamos já ter visto tudo, acabamos descobrindo uma parte menos turística e mais medicinal das termas do Géllert, composta de piscinas com diferentes temperaturas, onde mulheres, nuas ou semi-nuas, se deixavam tratar pelas águas termais. Nos juntamos a elas e ficamos mais um bom tempinho por ali, no esquenta/esfria, de piscina em piscina...
Imagem surrupiada do site do Budapest Hotels
Só faltou mesmo conhecermos as massagens... As cabines que nos pareciam destinadas a esse fim estavam vazias.  
No dia seguinte, uma terça-feira, fomos ao Rudas. E pra nossa sorte, terça-feira é o único dia em que as mulheres podem usufruir das piscinas desse banho. Pode?
Chega-se até lá atravessando a Ponte Erzsébet, também no sentido Peste/Buda, mas devo confessar que chegamos tanto ao Géllert quanto ao Rudas a bordo do bonde 2, cujo trajeto beira o Danúbio na sua margem Buda.
No Rudas tudo é mais roots. Pouco luxo. 
As piscinas ficam num único ambiente. No centro, uma maior, octogonal, ladeada por outras menores, com diferentes temperaturas. Pouca luz, proveniente de pequenos orifícios na cúpula central e de uma ou outra luminária.
Foto retirada de waterglobe.blogspot.com
Ao fundo, sauna seca e sauna úmida, com uma curiosa ducha gelada proporcionada por um balde suspenso acionado por uma corda. Roots... eu disse!
Passamos ali boas horas, entrando e saindo das diversas piscinas e saunas. 
Nossos pertences permaneceram guardados em cabines individuais dotadas inclusive de espelho. 
De banho tomado e alma fresca, saímos para o fim de tarde à beira do Danúbio. Uma delícia!
Que nós amamos Budapeste, eu já contei aqui.
Agora, quanto aos banhos, querem saber de qual dos dois a gente mais gostou? 
Façam suas apostas senhores!

sábado, julho 23, 2011

A Budapeste do Chico

Francisco Guedes é um apaixonado pela Hungria. 
Nós nos conhecemos apenas pelo twitter e pelo facebook, mas parece que somos velhos amigos.
Quando ele soube que iríamos a Budapeste, foi logo mandando um montão de dicas preciosíssimas.
Com autorização do Chico, transcrevo tudo aqui e convido os leitores a darem uma olhadinha no blog dele, o HungriaMania.

Aí vão as informações do nosso amigo:
Querida Ana, 
Tou aqui administrando a inveja ótima de vocês que daqui a uma semana estarão apreciando a beleza que os homens criaram na mais suave e linda curva do Duna (Danúbio, em magiar).

Como eu já disse, ficando na Erzsébet tér /érjêêbét têêr/ (com erre meio de caipira, rolado) vocês estarão num lugar privilegiadíssimo para explorarem a cidade e, se gostam de caminhar como eu, fazerem a maioria das coisas a pé.

Tenho uma história muito especial com essa praça, porque foi aí que botei os pés em Peste pela primeira vez, que em julho de 98 aí ficava a estação de ônibus internacionais (eu vim de Londres de bus, loucura que só se faz uma vez). Hoje ela está reformadíssima, linda, com espelho d'água e tudo, e aí mesmo, na praça tem um bar-café super famoso, grandes "degraus" praça abaixo, que bombava no verão de 2008, última vez que estive aí, com música ao vivo, teatro e galeria lá em baixo.

1. Buda Hill, Castle, Matthias Church, Fishermen's Bastion: assim que chegarem e pegarem um mapa (se já não têm um) vão ver que estão a só 3 ou 4 quadras do Danúbio: e nessa direção podem fazer logo o passeio que é o must básico: atravessar a Ponte das Correntes (Lánchíd /láánts hííd/) e subir o Monte do Castelo, em Buda, passeando do próprio castelo até a Igreja Matias e o Belvedere dos Pescadores, adjacente. Vai estar lotado de turistas, mas é lindo mesmo e, aproveitando pra ir cedo da manhã talvez vocês evitem o rush mais intenso. Há um elevador logo do outro lado da ponte, que leva ao Castelo, mas eu sempre preferi tomar a estrada de paralelepípedo à esquerda, que vai subindo agradavelmente em zig-zag e não custa nada nem tem fila. Se forem cedo e as filas não estiverem muito grandes, vale a pena pagar para entrar na Mátyás Templom e ver os afrescos estilo secessão, o art nouveau centroeuropeu, resultado de uma restauração no final do século XIX.

2. Passeio ao cair da noite: há um passeio bem gostoso de fazer ao longo do rio do lado de cá (Peste, onde fica o hotel) no cair da noite, quando as luzes do Castelo e da Lánchíd (ponte) se acendem do outro lado. Mas eu evitaria os restaurantes que ficam nessa área, parte dos hotéis internacionais beira-rio, porque são tourist traps com preços inflacionadíssimos. Esse passeio é povoado aqui e alí, como não podia deixar de ser, por hookers de ambos os sexos procurando descolar uns euros. Faz parte da cena.

3. Confeitaria Gerbaud: pertíssimo do hotel também, ainda na direção do Duna (podem até passar aí já na ida para o Castelo, para fazer um reconhecimento) fica a Praça Vörösmarty /Vöröshmórti/, nome do grande poeta e dramaturgo do séc XIX cuja estátua está no meio da praça. Aí está a famosa Confeitaria Gerbaud, que vale a pena conferir, visitar por dentro, descer aos banheiros, e até comer uma sobremesa a bit overpriced, for the fun of it.

3. Mercado Central: partindo da mesma praça há uma rua de pedestres, a Váci utca /Váátsi utssa/ (utca é rua), que é outro proverbial tourist trap, mas que descida até o final (não é longa), atravessando uma praça e a aveninda, há um lugar imperdível, o belo e grande Central Market Hall,o melhor lugar pra conhecer tudo que a Hungria produz de bom em comidas e bebidas. Vale uma boa hora batendo perna e perguntando sobre os goodies. No andar de cima tem também artesanato e uma área onde se pode almoçar comidas, sopas e outros quitutes em locais informais e de preços legais. E bom ir pela manhã até hora de almoço, que ele costuma fechar de tarde cedo.

4. Andrássy út / avenue /ondrááshi/, Operaház, Eklektika, Bookshops, Mensa Restaurant, etc. Saindo da praça do hotel na direção oposta, procurem no mapa a Andrassy Út, a grande aveninda que os húngaros abriram para celebrar os mil anos da chegada deles à bacia carpática, que eles comemoraram no final do séc XIX. Andando uns 300m, do lado esquerdo, vão dar na Budapest Operaház, um dos prédios mais importantes da história da arquitetura húngara, que vale a pena conhecer, se tiverem tempo. Há tours guiados. Morro de amores porque acho que vi aí mais óperas aí em um ano do que em qualquer outra época igual da minha vida. Do fim dos anos 90 para cá os preços subiram muito, helás.

5. Eklektika: uma quadra depois da ópera, ainda à esquerda, vocês dão numa rua que começa larga, chamada Nagymező /nódjmézöö/ (significa Campo Grande), onde ficam 3 ou 4 teatros de operetta e alguns cafés e restaurantes. Entrando à esquerda, passando por esses teatros, quando a rua já vai estreitar, vocês vão dar no Eklektika, sobre o qual já te falei no twitter. Enjoy it!

6. Bookshops: Voltando à Andrássy, numa esquina em diagonal tem uma filial da Alexandra Bookshop que tem um café simpático dentro. Mas seguindo adiante, agora, no lado direito da avenida, portanto, vocês vão dar, na esquina seguinte, na Könyvesbolt, a Loja do livreiro, a livraria mais cult da cidade, apesar de pequena, onde rolam encontros, palestras de autores e leituras de poesia durante todo o ano. Eles têm também uma ótima seleção de literatura húngara em outras línguas, além de cds e dvds legais. Vale a pena uma entrada nem que seja só pra sentir o clima. Nesse lugar funcionou nos tempos áureos, até a virada dos séculos XIX e XX o famoso Japán Kavéház, um dos mais famosos dos 700 !!  cafés que Budapeste tinha em 1900, ponto de encontro de escritores, poetas e boêmios famosos.

7. Menza Restaurant: a porta de saída da livraria acima dá na praça Lizst Ferenc, uma praça comprida que é qualhada de cafés e restaurantes bacanas mas um pouco "fashionable" demais, surgidos nos últimos 10 anos, e que atendem turistas e gente local endinheirada who want to see and to be seen, basicamente. MASSS, há aí mesmo, no final da  mesma quadra da livraria, há o MENZA, que tem uma decoração retrô original que é um charme, e o cardápio variável sempre tem umas leves /lévésh/ (sopas) ótimas. Agora, sendo verão, e muito provavelmente quente pacas, se for de dia, vale a pena, quem sabe, provar uma gyümölcsleves, uma sopa fria de frutas com yogurte, que é uma experiência gastronômica bem específica da Hungria.  

Seguem mais dicas em breve.
beijos
Chico

Ana, 
Tinha feito essas anotações no word dias atrás e acabei não te mandando.
Mas agora li teu lindo post sobre o diário da sua avó, e vendo ela falar de quitutes, bolinhos etc., me lembrei de te mandar.

As 3 coisas que eu mais adoro na cozinha húngara são, strudel de cereja azeda (meggyes rétes), sopa de cogumelos (gombaleves), e....thchan tchan tchan... POGACSA, e é dela que o texto trata: (no final tem umas obs sobre pronúncia, só pra se alguma de vcs tiverem curiosidade).

Pogacsa /pôgótcho/ espécie de bolinho salgado de massa semi-folhada que é uma maldição de bom (quando bem feito). A fonte mais garantida são as fornerias ‘Princess’, que existem na entrada de várias estações de metrô. 

Na Hungria eles medem peso de comida em ‘deka’, 10 gramas, assim 20 deka = a 200 gramas. Sugiro que, pra provar, vocês peçam:
10 ou 20 deka da sajtos (de queijo, as básicas) e outro tanto de spénotos(recheadas com creme de espinafre, de morrer!). Talvez seja melhor levar por escrito, há enorme possibilidade das vendedoras não entenderem inglês. Mas se quiserem arriscar pedir, a pronúncia é:
20 deka sajtos /húúss dékó shóitosh/ e /húúss dékó shpêênotosh/. Se for 10 é tíz /tííz/.

Antes de pedir qualquer coisa, a fórmula polida, que abre todas as portas é:
Kérek szépen /kêêrék sêêpen/ se vc estiver sozinha, e kérünk szépen/kêêrünk sêêpen/ se estiver com mais alguém, e significa basicamente: peço/pedimos gentilmente, que é a única forma de please que eles têm.

Pra agradecer, mesma coisa, depende de se quem agradece está só ou acompanhado:
Sozinha/o: Köszönöm szépen /kössönöm sêêpen/; acompanhada/o:Köszönjük /kössöniük/ (o ‘szépen’ aumenta o grau da gentileza, quer dizer literalmente “belamente/bonitamente”).

OBS sobre pronúncia: 
Quando eu coloco duas vogais juntas na transcrição, é que se trata de uma vogal mais longa, e isso muitas vezes é fundamental para compreensão deles.

Importante: TODAS as palavras em húngaro são acentuadas na primeira sílaba. É uma espécie de francês às avessas, rsrs. Sílaba longa não significa, portanto, sílaba acentuada, a não ser que esteja no início da palavra, como é o caso em “kérek szépen”.

Pra descomplicar a leitura de qualquer coisa é bom saber também que:
SZ é uma letra só, com som de nosso S de sabão, sempre.
S lá tem som de ch em chave, ou o x em xadrez. Daí sajtos ficar /shóitosh/.
ZS é também uma letra só, mas com som de J de juízo, ou G de gente, sempre (por isso seu hotel é na praça /érjêêbet/ Erzsébet tér.
E = ao nosso É, curto, enquanto É = ÊÊ, fechado mas longo.
A = um a bem fechado e curto, quase nosso Ó, enquanto Á = a um ÁÁ, longo e bem aberto.
Os Üs e Ös são pronunciados como o U francês, e o EU francês de ‘feu’, com “biquinho”, e têm também suas equivalentes longas Ő e Ű, com ”aspinhas” em cima.

beijos
Chico 

sábado, julho 16, 2011

Budapeste, eu gostei!

Chegamos a Budapeste num ônibus da Orange Ways, que nos deixou num cruzamento entre duas avenidas grandes, embaixo de um viaduto, na frente de um estádio e na boca de uma escadaria. Baita recepção, hein!
Na vibe do “Maria vai com as outras”, descemos a tal escadaria. Ela levava a uma estação conjugada de algo que não sei o que era e metrô.
Informação em inglês, nenhuma.  Tudo escrito naquela língua cheia de acentos. Pelo mapa vimos que a linha azul que passava por ali nos levaria até perto do hotel reservado.  Ô sorte!
Deciframos as informações do metrô baseadas em algumas leituras anteriores e acabamos comprando com cartão de crédito – não, não tínhamos forints -  um bloquinho de 10 bilhetes  válidos para metrô, ônibus, bonde e trem.
Descemos na estação Deák Ferenc, onde Nossa Senhora da Escada Rolante nos abençoou com suas graças. Sim, carregávamos a bagagem!
Quase chegando à saída, vimos a primeira palavra em inglês: EXIT. Hã hã!
E saindo à rua, lá estava, bem à nossa frente, o Le Méridien. Ufa!
E como prêmio por ter cumprido todas as tarefas dessa difícil gincana, Budapeste decidiu nos encantar, mostrando toda a sua beleza.
Verdade, gente! Amamos Budapeste!
O Le Méridien foi a extravagância da viagem. Sempre fazemos uma...
Confortável e bem localizado. Serviço correto , mas sem exageros. Internet a cabo nos quartos e wi fi lenta no bar. Pagando à parte, havia wi fi no quarto. Nada de abertura de cama e frescurinhas que tais. Quarto espaçoso, limpo. Cafeteira com café solúvel Segafredo. Gostamos!
Já no primeiro pôr de sol, o Danúbio nos conquistou. De Peste, onde estávamos, víamos as cores do poente em Buda. Atravessamos a Ponte das Correntes, subimos com o funicular e fomos ver os últimos tons iluminados do alto de Buda, nos jardins do castelo.  Uma belezura!

Nos outros dois dias em que estivemos na cidade, cumprimos quase todos os lerês. E acreditem, nenhum deles nos pesou.
Vimos a Igreja de Mathias e o Bastião dos Pescadores. Andamos de bonde pelas margens do Danúbio. Visitamos a Basílica de Santo Estevão, com direito a subir por elevador até uma das torres. Fomos a duas sinagogas. Passeamos pelo mercado.  Cruzamos três das dez pontes da cidade: a Széchenyi Lánchíd (Ponte das Correntes), a Erzsébet (Ponte Elizabete) e a Szabadság (Ponte da Liberdade). Comemos vários tipos de  pogácsa da Princess, sugestão do Chico.  Aliás, o Chico nos indicou um montão de coisas boas em Budapeste. Um dia desses vou pedir autorização pra transcrever aqui  todas as dicas que ele nos deu.
Fomos duas vezes ao restaurante Menza - indicado pelo Chico e também pela Patrícia do Turomaquia - ao Eklektika Café e ao Dunacorso.  Nos esbaldamos nas tortas da Gerbeaud. Experimentamos dois banhos, o Gellért e o Rudas (conto depois,tim tim por tim tim sobre eles).  E tomamos sorvetes deliciosos numa sorveria pertinho da Basílica de Santo Estevão. Olha o capricho:

Eu disse que nenhum lerê de Budapeste nos pesou, mas agora me lembrei de um que realmente mereceu o nome de lerê: a Praça dos Heróis. Essa a gente poderia ter passado sem medo de ir para o inferno!
Budapeste é cidade pra voltar sempre que possível. E voltaremos!