sábado, abril 16, 2016

Xi'an, cidade para voltar

Chegar ao aeroporto de Beijing para pegar nosso voo para Xi'an foi uma operação de risco. O guia marcou a saída para cinco horas antes do horário do embarque. Achamos excesso de zelo - afinal era um sábado à tarde - mas obedecemos. E, mais uma vez, o guia estava: certo

Enfrentamos trânsito pesado e lento durante todo o caminho. O motorista fez malabarismos assustadores e chegamos ao aeroporto com o tempo justo para fazer o check in e embarcar. Não sobrou nem um minutinho pra tomar um café.

No aeroporto de Xi'an, nos esperava Patricia, a guia local. Falando um espanhol quase madrilenho, Patricia foi m alívio para os nossos ouvidos. Ela nos acompanhou nos dois dias na cidade.

Chegamos à noite e tivemos o deslumbramento de ver as muralhas de Xi'an totalmente iluminadas. Foi um tal de ah! e oh! a cada porta com seu pagode enfeitado de luzes coloridas.

       
     
Li nos havia dito que o Grand Soluxe Internacional Hotel Xi'an, onde nos hospedaríamos, ficava perto da muralha antiga e que seria um bonito passeio para aquela noite. Ele não era o guia oficial naquela cidade, mas prometeu nos acompanhar, já que ele considerava a região perigosa por estar muito perto da estação ferroviária. Deixamos as malas no hotel e descemos para o tal passeio. Foi um furo n'água. Atravessamos a região da estação, Li nos indicou uma rua sem graça ao lado da muralha e nos deixou sozinhos. Disse que seguíssemos por ali cuidando dos pertences e que não falássemos com nenhum chinês. Andamos uns poucos metros e voltamos ao hotel. Passeio sem graça! Dessa vez o guia estava: errado!

Em Xi'an, nossa agenda também foi bem apertada. 

No domingo, fizemos o passeio bam bam bam da cidade: a visita às escavações onde, em 1974, um lavrador encontrou ruínas da tumba do imperador Qinshihuang, com milhares de guerreiros de terracota, e nem se deu conta do tesouro que tinha nas mãos. Não fosse sua mulher insistir e ele teria abandonado o achado. Ah, as mulheres! O que seria dos homens se elas? O homem anunciou sua descoberta, vendeu suas terras para o governo chinês e o local foi transformado num museu. O resto vocês sabem, já que os guerreiros mais famosos cruzaram o mundo e estiveram inclusive visitando o Brasil, há algum tempo.

                               


Nos três poços escavados vimos os soldados em seus postos originais e a carruagem de bronze do imperador, além dos guerreiros principais, expostos em lugar de destaqueO trabalho de restauração das figuras está a pleno vapor e sabe-se que há mais poços a serem escavados. Um luxo!

                                   
     
No final da tarde, feirinha de rua ao lado da muralha, com foco em pincéis e outros materiais específicos para a pintura de caracteres chineses. Depois, um colorido espetáculo de dança da dinastia Ming. Para o jantar, uma degustação de dumplings e... tempo livre.

                         
    
Foi aí que começou a nossa aventura particular. Na saída do restaurante, havia uma legião de táxis e tuc-tucs à espera dos turistas. Negociamos com uma condutora de tuc-tuc uma corrida até o bairro muçulmano: 40 yuans, um pouco mais de 20 reais. Nem regateamos. A farra já começou na hora de entrar no veículo minúsculo. Foi difícil fazer caber ali dentro nossos quatro corpinhos. Encaixadas, a motorista iniciou a viagem. O trânsito em Xi'an é bem caótico e os tuc-tucs parecem estar acima da lei. Andam por qualquer lugar, viram em qualquer esquina, sobem nas calçadas, um espanto! A cada curva um perigo. Ora um ônibus enorme passava raspando, ora fazíamos uma curva inesperada, ora entravávamos entre os carros. A cada movimento, um grito ou uma gargalhada saía das nossas bocas. E a motorista se divertia. Foram 40 yuans muito bem gastos. Tiramos uma foto com a nossa tuctuqueira e saímos, sãs e salvas, para o burburinho do bairro muçulmano. 


Impossível descrever tudo o que acontecia, junto e ao mesmo tempo, na rua principal. Gente, comida, luminosos, lojas, música, um emaranhado de sensações e novas descobertas: o puxador de bala, o cortador de doces... Ana fez um clip rápido que dá uma boa ideia do que vimos. (Quando possível, coloco aqui. Volte pra ver!)


Andamos por toda a rua central do bairro, entramos em lojas, experimentamos doces, observamos tudo e voltamos ao hotel de táxi, sem nenhum acontecimento extraordinário, a não ser o nosso espanto ao ver que o taxímetro não saia dos 9 yuans por um bom tempo. Chegamos a pensar que não estava funcionando. Mas era assim mesmo... A corrida até o hotel ficou em menos de 15 yuans.

O passeio ao bairro muçulmano foi sugestão do Li e da Patricia e dessa vez os guias estavam: certos!


A manhã da segunda-feira era livre. A sugestão dos guias era visitar um templo onde havia uns pagodes interessantes, mas nós decidimos ir às compras. Desde que chegamos na China, Vilma e Rose estavam empenhadas em descobrir uma loja da Xiaomi, a Apple chinesa. Elas queriam conhecer o novo mi5, último lançamento da marca. Quando souberam que havia a tal loja em Xi'an, enlouqueceram. Decidiram usar a manhã livre para ir até lá. Ana e eu ficamos curiosas e fomos também. Adoramos tudo o que vimos. E assim, me tornei proprietária de um mi5 branco que é uma belezinha.

                    
  
Almoçamos num restaurante ao lado do Parque de Relíquias da Dinastia Tang, já fora da cidade, a meio caminho para o aeroporto. Demos uma volta por lá e seguimos para pegar mais um um voo interno. Dessa vez iríamos para Wuhan.



terça-feira, abril 12, 2016

Beijing não é para os fracos


Estávamos na China, finalmente!

Saindo do aeroporto de Beijing, depois do dia/noite difícil que tivemos, Li, nosso guia chinês que falava um espanhol bem peculiar e era incapaz de conjugar um verbo corretamente, expôs o programa do dia: iríamos direto e reto para o Templo do Céu.

Eu disse d-i-r-e-t-o!!!

Sim, nós tínhamos saído de Madri na manhãzinha do dia anterior,  tínhamos voado por quase  doze horas vencendo seis fusos horários e tínhamos pousado em Beijing na manhã do dia seguinte.

As malas seguiram para o hotel numa van (que sorte a delas!) e nós, num ônibus feioso, apertado e mal-cheiroso, fomos apresentados à  bruma cinzenta e ao trânsito caótico da cidade.

O trânsito de Beijing é algo impressionante. Só vendo para acreditar.

As avenidas são largas, há viadutos e passagens subterrâneas, mas os congestionamentos acontecem em toda parte em qualquer hora do dia e da noite.

Tudo nos pareceu sem cor, inicialmente, exceto pelos pessegueiros, em tons de rosa, que há por toda parte. 

Naquele dia, o almoço era livre. Ao nos deixar no hotel, Li nos indicou onde comer ali por perto. Fomos.

Escolhemos um restaurante simples e entramos confiantes. O lugar estava vazio e a moça que nos encaminhou para a mesa nos apresentou um cardápio todo em chinês, sem uma única foto. Fizemos algumas perguntas em inglês. Nada! Ela falava a sua língua sem parar e ninguém entendia ninguém. Ríamos como loucas, sem saber como resolver a situação.

Enquanto isso, se aproximaram da nossa mesa duas chinesinhas adolescentes. Uma delas, teclava em seu smartphone enquanto acompanhava tudo atentamente.

Segundos depois, ela apresentou à Vilma uma tela com um tradutor, Ana falou a palavra noodles e, rapidamente elas se entenderam e a garota voltou à mesa com um cardápio ilustrado.

Escolhemos pelas fotos. Pagamos adiantado e logo tínhamos diante de nós quatro pratos de macarrão com legumes e bastante caldo.

Garfos e colheres, nem pensar. Tivemos que nos virar com os palitos. Foi uma farra só.


O ponto alto foi quando a Vilma pediu o sal e a Rose se pôs a ler os rótulos do galheteiro com ar de quem dominava completamente a escrita. Caímos numa gargalhada incontrolável.

Com todo esse movimento, viramos atração no restaurante. Todos os funcionários saíram de seus postos para nos observar.

Viramos celebridades!

Quando terminamos, deixamos  sobre a mesa 10% do valor pago, a título de gorjeta. Tinham sido tão amáveis e a comida estava tão boa!

Já saindo do restaurante, paramos para conversar com outras duas companheiras do grupo, que haviam chegado depois de nós. Nesse momento, pra encerrar a comédia, a garçonete veio atrás de nós devolvendo a gorjeta. Pela sua cara e gestos, tínhamos feito algo inesperado e incomum.

Começamos bem, fala sério!

Tínhamos tarde e noite livres naquele dia. O guia sugeriu alguns lugares e deu informações sobre horários, itinerários e estimativa de preços das corridas de táxi, bem como alerta para que não tomássemos táxis pretos. Ainda sobre esse tema, nos disse que há motoristas que evitam atender turistas por causa da dificuldade com a língua e que, se tivéssemos dificuldade para pegar táxi na rua, que entrássemos num hotel internacional e pedíssemos ajuda para chamar um taxi por telefone.

Das sugestões do guia, escolhemos ir ao Templo do Lama e à feira de comidas de rua.

Pois bem, estabelecemos um tempo para descansar e saímos do hotel rumo ao templo budista, cuja bilheteria, segundo o guia, fechava às 17h30. Chegamos às 16h35. A bilheteria fechava às 16h30.

O guia estava: errado.

Pena, pois o templo parecia bem bonito pelo que se via por fora. Tratamos de aproveitar o entorno, entramos em várias lojinhas, pechinchamos, compramos lembrancinhas e partimos para a Wangfujing. Queríamos conhecer os famosos espetinhos de insetos e outras esquisitices mais.

Antes de nos atirarmos às ousadias gastronômicas da feira, passamos pela rua comercial, fizemos umas e outras comprinhas e ainda posamos pra fotos com as estátuas da rua.

                  

Na Wangfujng olhamos tudo e comemos pouco. Nossa maior façanha foi experimentar uma fritura de durião. 
Não, durião não é um inseto! Cruz credo! É apenas uma fruta local, parente da nossa conhecida jaca. Gostamos tanto que uma porção da iguaria foi suficiente para nós quatro e ainda demos uma parte para uma senhorinha que estava por ali em busca de restos de comida... 

                     
       
Gostamos mesmo foi das batatas em espiral e dos espetinhos de morango com açúcar. 

Encerramos as aventuras do dia procurando um táxi para voltar ao hotel. Foi uma missão difícil, quase impossível.

Começamos pelos carros parados nas esquinas, mas vimos que não eram confiáveis. Tentamos o truque do hotel. Ana entrou no Novotel, pediu ajuda e não foi atendida. Fizemos sinal a vários táxis que passavam pela rua, evitando os carros pretos, mas poucos nos pareceram confiáveis. Chegamos a negociar com um taxista e fechamos negócio pelo valor que o guia havia estimado: 40 yuans. Entramos, andamos meio quarteirão e o motorista fez sinais pedindo que pagássemos o dobro. Descemos. Encontramos, finalmente, um taxista que concordou em fazer a corrida pelo valor do taxímetro. Cansadas, aceitamos. 

Nem preciso dizer que fizemos um longo city tour para chegar ao hotel, sem contar que achamos que o taxímetro estava meio acelerado. Tudo bem, faz parte... O que não faz parte foi o que aconteceu na hora de pagar os 56 yuans marcados na telinha. Dei uma parte e Rose estava contando o dinheiro pra completar o valor, quando o senhor motorista atacou a carteira dela, querendo roubá-la. Atacamos o dito cujo com uma fúria que talvez tenhamos quebrado seu dedo. Foi um susto!

O guia: estava certo.

Ficamos três dias em Beijing. Viramos a cidade do avesso. Mal tivemos tempo pra dormir. Aos poucos conto tudo o que vimos, se N.S. do WiFi permitir e San Fernán do VPN ajudar.

quarta-feira, abril 06, 2016

A caminho da China - Voando com a Finnair



Eu já contei aqui, mas repito: nosso passeio pela China foi contratado com a Sinorama, uma agência canadense com representação na Espanha.

O motivo? Bem, encontramos um bom roteiro partindo de Madri, com um preço razoável e garantimos guia em espanhol, o que é sempre mais fácil de encarar.

Portanto, tudo o que vai acontecer nas duas próximas semanas, vai ser por conta da Sinorama: voos, hotéis, passeios e até algumas refeições. 

O programa é bem denso e teremos poucos momentos livres para escapadas independentes.

Em Madrid, check in on line feito, malas prontas, lá fomos nós na terça-feira, 5 de abril, de manhãzinha, para Barajas. Fomos de táxi e tivemos a desagradável  surpresa de um acréscimo de quase 50% no valor tarifa fixa que é de €30. Só ao chegar ao Terminal 4 foi que o motorista nos falou de uma "taxa" de €12,50, porque éramos quatro pessoas, disse ele... Acho que fomos exploradas!

Nossos bilhetes aéreos de ida e volta foram emitidos pela Finnair, companhia aérea da Finlândia, e incluíam, tanto na ida quanto na volta, uma conexão em Helsinque.

Apesar do mau humor da atendente do balcão da companhia aérea, conseguimos despachar nossa bagagem rapidamente, passamos pela imigração e ficamos livres para tomar nosso café da manhã antes do embarque. 

O voo saía de Madri às 10h20 para chegar a Helsinque pouco depois das 15h, hora local com um fuso a mais pra nossa coleção. Ficamos, assim, com uma diferença de 6 horas do Brasil.

Durante as 4 horas de voo só nos serviram água e suco. Quem quisesse comer, sempre poderia comprar os lanches superfaturados do avião. E foi assim que chegamos esfomeadas a uma Helsinque fria e com alguns pontos de neve.

Encontrar algo apetitoso para comer no aeroporto, já é sabido, é tarefa difícil. Fomos e voltamos pelo longo caminho entre o desembarque e o nosso próximo portão de embarque e acabamos optando por um lanchinho no Starbucks.

Pra prevenir para o próximo voo, que seria bem mais longo, compramos pão, queijo e vinho a preço de aeroporto: uma fortuna.

Nossos lugares no voo AY051 não foram escolhidos por nós, mas eram bons. Ficamos, nós quatro, com seis  poltronas da fila 41, já que os outros dois passageiros que estariam ali foram realocados porque estávamos na saída de emergência e eles declararam não falar inglês. Assim, viajamos folgadas, sem ninguém na nossa frente, com bom espaço para nossas pernas. O único inconveniente - sempre tem algum, né? - foi que  algumas pessoas usavam o espaço à nossa frente para passar de um lado ao outro do avião, a despeito das nossas caras feias.

Pouco depois de atingirmos a velocidade de cruzeiro, a tripulação anunciou que serviriam o jantar. Deixamos nosso farnel finlandês guardado nas mochilas e aguardamos a passagem dos carrinhos que, ao contrário do usual, não traziam o famoso chicken or pasta. Dessa vez as opções eram chicken or pork.

Durante sete horas e meia cruzamos os céus da Finlândia, da Rússia, da Mongólia e da China e, finalmente, aterrissamos em Beijing, por volta das 7h da manhã do dia 6 de abril. Estávamos, agora, muitos fusos horários à frente dos relógios brasileiros, mais precisamente onze!

Na imigração, uma surpresa: nossos passaportes brasileiros nos davam "direito" a uma passagem pelo serviço de saúde do aeroporto, onde tivemos que preencher um formulário com perguntas sobre contato com pessoas contaminadas pelo zika e estado geral de saúde. Por fim, mediram nossa temperatura e nos deram um OK. Só então pudemos voltar à fila da polícia para obter os carimbos de entrada no país. Ufa!

É claro que tudo isso gerou uma demora maior que a dos outros companheiros de viagem, que já nos aguardavam no saguão do aeroporto, com o nosso guia chinês.

Foi emocionante nossa estreia na terra do camarada Mao, não foi?

A caminho da China - No meio do caminho tinha Madri



Num final de tarde de um sábado primaveril, desembarcamos do AVE em Madri.

Para chegar ao nosso hostal predileto, o Sonsoles, foi preciso abrir caminho "a faca" entre as milhares de pessoas  que passeavam pela Calle Fuencarral.

Fazia sol e a tarde/noite tinha temperatura agradável.

Primeira providência: ir ao Museo del Jamón para dos cañas y dos chiquitos.

Rose e Vilma chegaram tarde da noite, cansadas. Vinham de Gênova, onde desembarcaram do navio. O vôo delas tinha conexão em Paris. Estiveram o dia todo em trânsito.

No domingo teve um pouco de frio e chuva, o que não nos impediu de ir ao Rastro, às compras, ao Revuelta para comer bacalhau e tomar vermouth de grifo e ainda apresentar o Puerto Rico - nosso restaurante queridinho - para as meninas.

No Revuelta

À noite, mais Museo del Jamón. Dessa vez, subimos ao salão. Teve queijo, jamón e vinho.

Terminamos a noite com chocolate com churros no San Ginés.


Não somos fracas!

A segunda-feira foi bem fria e chuvosa.

Para o café da manhã, experimentamos - e amamos - o Gourmet Experience do El Corte Inglés. Grande pedida para um dia chuvoso, que deve ser lindo também em dias ensolarados. A vista é maravilhosa e o espaço é um luxo. Gostamos tanto que voltamos mais tarde, depois do almoço no La Carmela, para outro café e chá.


No final do dia, ainda demos uma voltinha no Mercado de San Anton, compramos belas frutas para o lanche da noite e...

Tchau, Madri!

Amanhã começaremos, enfim, o caminho para a China, com uma passadinha pela Finlândia.

Sairemos cedo de Madri, faremos uma conexão em Helsinque e chegaremos - mortas,  imagino - a Beijing na manhã da quarta-feira.

Bora?

segunda-feira, abril 04, 2016

A caminho da China - Conquistando o Mediterrâneo

Tudo mudou quando, por fim, chegamos ao Mediterrâneo. O vento, que havia atingido quase 70km por hora, ficou mansinho e caiu pra menos de 5km/h, as altas ondas desapareceram e seguimos navegando calmamente. Ufa!

1. Cartagena


Confesso que esperava pouco de Cartagena, mas a cidade me surpreendeu positivamente.

O porto fica muito próximo da cidade e se integra a ela com bares animados e calçadões agradáveis. Uma alegria!

Desembarcamos e caminhamos diretamente para onde julgávamos estar o tal teatro romano da cidade. Mas a construção antiga e arredondada que tínhamos visto do navio não era o teatro e sim a Plaza de Toros, que estava fechada para reformas e pesquisas arqueológicas... 


Movimento seguinte: subir no elevador panorâmico que leva ao Castillo de la Concepción. Decisão mais que acertada! Do alto, vimos a Plaza de Toros e o Teatro Romano. E demos tudo por visitado. Andamos um pouco pelo castelo e já estávamos prontas para seguir adiante.

Próxima atração: centro da cidade. Fomos de táxi para poupar forças. Fazia sol, estávamos mais agasalhadas do que o necessário e ainda tivemos o dissabor de encontrar um portão fechado a cadeado no caminho que nos levaria ao destino. Os €10 despendidos valeram cada centavo e chegamos belas e faceiras à Calle Mayor. Por ali, tomamos nosso primeiro Bitter Kas - que na verdade era um Mare Rosso - entramos em tudo quanto era loja, pusemos mais créditos nos chips espanhóis, almoçamos "menu del dia" e voltamos lépidas para o navio.


Registre-se: Cartagena é cidade pra voltar e curtir mais um pouco.

Aquela seria nossa última noite a bordo. O navio seguiria até Gênova. Vilma e Rose iriam até lá também. Mas nós desembarcaríamos em Valencia na manhã seguinte.

2. Valencia

Mais uma noite deslizando suavemente pelo Mediterrâneo e pronto, acordamos durante os trabalhos de manobra para atracar no porto de Valencia. 

   
Um rápido olhar pela janela da cabine já nos mostrou a cidade enorme que teríamos que desbravar. 

Cumpridos os trâmites de entrada no país, com direito à imigração ainda a bordo, desembarcamos no imenso porto, que tem até manga entre o navio e o terminal para a passagem dos viajantes. Recolhemos nossas malinhas na esteira e saímos para a fila do táxi. Tudo tal e qual um desembarque num aeroporto. 

Depois de percorrer grandes avenidas e ruas estreitas, o táxi nos deixou na frente do Hotel Petit Palace Bristol, para o qual já tínhamos nossa reserva.

Tony e Cecília, autores dos guias Espanha Total e do blog Passaporte BCN, já nos esperavam no lobby do hotel para as boas-vindas. Foi uma alegria vê-los pois, apesar de já nos conhecermos virtualmente, nunca havíamos nos encontrado.

Era cedo para o check in no hotel, de modo que fomos todos para a Horchatería de Santa Catalina, ali pertinho. E, entre horchatas, fartones e cafés, tivemos uma aula completa sobre Valencia. Imaginem, Tony e Cecília estavam na cidade exatamente para testar roteiros! Saímos de lá com um mapa coalhado de anotações. Ô sorte!

   
De volta ao hotel, recebemos as chaves do nosso quarto que, apesar de pequeno, era bem acolhedor. A enorme cama estava decorada com pétalas de rosas. Havia roupões e chinelos para as duas, o banheiro era bem pequeno e mal planejado, mas tinha ducha com porta de vidro (nenhuma saudade da cortininha xexelenta do navio!) e - luxo dos luxos - tínhamos uma enorme varanda externa com mesa e cadeiras. Precisava mais?

E não é que ainda haveria mais mimos! Pouco depois, batem à porta trazendo uma champanhe Cordoníu dentro de um balde de gelo, taças e chocolates Lindt. 

Maravilha esse pacote romântico do Petit Palais! A gente até esquece que as amenities são fraquinhas, que alguns móveis mereciam manutenção, que só tem tomada de um lado da cama e que o ar condicionado não é lá essas coisas... Mas o que não dá pra desculpar é o descaso na limpeza e arrumação do quarto, né?

Passamos três dias em Valencia cumprindo quase que totalmente o roteiro sugerido pelo Tony e pela Cecília. Deixamos uma ou outra coisinha pra fazer na próxima visita, já que fica sacramentado que Valencia passou a fazer parte da lista de cidades pra voltar.

Aí vai um resumo do que fizemos por lá:

🔶 Visitas


🔸Mercado Central
🔸Lonja de la Seda
🔸Estación del Norte
🔸Correos da Plaza del Ayuntamiento
🔸Mercado Colón
🔸Palau de la Generalitat Valenciana 

🔶 Igrejas


🔸Catedral, com pinturas de Goya e capela do Santo Graal. Dica do Espanha Total: depois das 17h30, a entrada é grátis.
🔸San Nicolás, lindíssima. Entrada grátis depois das 18h
🔸Santo Tomás Apóstol y San Felipe Neri
🔸Santa Catalina
🔸Capilla del Real Colégio Seminário de Corpus Christi

🔶 Restaurantes e bares


🔸Central Bar, dentro do Mercado Central
🔸Panadería Granier, na esquina de "casa", uma delicinha pro café da manhã e lanchinhos, com preços bem amigáveis
🔸Restaurante La Utielana, perto do hotel, com comida simples, boa e barata
🔸Orxata Daniel, dentro do Mercado Colón
🔸Restaurante Ca Teresa, em El Saler, para comer paella
🔸Café de Las Horas, onde tomamos uma deliciosa Água de Valencia
🔸Restaurante Geppetto, comida italiana bem boa, perto do hotel

🔶 Passeios 

🔸Ciudad de las Artes, com destaque para o l'Oceanogràfic, um aquário pra ninguém botar defeito. Não perca os golfinhos. Leve lanchinho, lá tudo é caro e sem graça.


🔸El Palmar e El Saler, com direito a lago e mar. Só faltou o passeio de barco, que não rolou por falta de quorum. Fiquem de olho no Espanha Total que eles vão contar tudinho sobre esse passeio a L'Albufera.
   

No mais, andamos pelas ruas fotografando lugares, torres, fachadas, luminárias e postando tudo nas redes sociais. Vejam lá.

Próximo destino, Madri. Viajaremos de trem rápido, no sábado à tarde. Vem com a gente!

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Eu disse pra vocês ficarem de olho no Espanha Total! Eles acabam de lançar o guia eletrônico Valencia em dois dias, com todas as dicas pra quem quer conhecer a cidade em dois ou mais dias.
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(Atualizado em 27 de julho de 2016)