Pra cinema
Quem me diz onde é
Que mora o amor
Se é branco-e-preto ou tem cor
Quando que vai passar
Se é sem fim o amor
Ou tem final feliz
E no princípio alguém diz
Pra sempre ou nunca mais
Numa sala escura vem a luz
Clareia o peito de quem vive tão
Sem jeito sem paixão
O clarão eleva o chão ao céu
E o sujeito assume seu papel
De herói ou de vilão
Vem amor, pra mim - eu quero, eu vejo
Um futuro pra nós dois, andróides nus
Bombardeando sobre Nova York
O pólen da proibida flor do amazonas
Flor de amar e rir
Vem, amor: dispara, pára o tempo
E o relógio da Inglaterra
Vem meu bem, o Big Ben congela
Sopra o fogo teu, a multidão espera
A salvação que vem do nosso amor
Nossa nave vai veloz
Tão bela caravela
Faz-se mansa, mas feroz
Nossa nave vai veloz
E nós dizendo adeus
Contando luas sol-a-sol
Só quem bebe o pó de estrelas
Pode ir onde entretê-las
E sumir leve no ar
E o amor onde ele esteja
É a luz de quem deseja
Ser amado e amar
Vem, meu amor
Pra que esse filme não termine
Não se finde - vem sonhar
Vem, meu amor
Me dá um beijo
Que o letreiro
Faz a gente acordar
(Chico César)
De uns tempos pra cá, venho pensando em mostrar aos amigos - novos e antigos - como é minha vida. O que faço, aonde vou, o que vejo, o que penso. De Chico César - meu ídolo maior - emprestei o nome desse blog.
sexta-feira, maio 19, 2006
Uma vez, uma canção
Esse é o título do programa gravado ontem, no estúdio E, da TV Cultura, em São Paulo.
Os participantes: Carlos Rennó - o entrevistador, Chico César - o entrevistado, alunos do cursinho da Poli, alunos do SENAC, eu e um enorme staff.
Minha aventura começou cedo. Era dia do rodízio da placa do meu carro. Fui de ônibus. Pra mim tudo era novo, foi a minha estréia em um estúdio de gravação.
Antes do início do programa, enquanto a equipe se preparava, Chico e Carlos já posicionados no palco, com seus microfones plugados, conversavam entre si. Os assuntos: futebol e música. Chico contou ao Carlos sobre uma letra que acabara de enviar a Zeca Baleiro, falando sobre os últimos acontecimentos. Era algo como: Pra entender o PCC é preciso primeiro entender o Brasil... Vamos esperar. Tomara que role!
quando bebi demais vomitei
quando fiz 69 gozei
Os participantes: Carlos Rennó - o entrevistador, Chico César - o entrevistado, alunos do cursinho da Poli, alunos do SENAC, eu e um enorme staff.
Minha aventura começou cedo. Era dia do rodízio da placa do meu carro. Fui de ônibus. Pra mim tudo era novo, foi a minha estréia em um estúdio de gravação.
Antes do início do programa, enquanto a equipe se preparava, Chico e Carlos já posicionados no palco, com seus microfones plugados, conversavam entre si. Os assuntos: futebol e música. Chico contou ao Carlos sobre uma letra que acabara de enviar a Zeca Baleiro, falando sobre os últimos acontecimentos. Era algo como: Pra entender o PCC é preciso primeiro entender o Brasil... Vamos esperar. Tomara que role!
- Béradêro
- Mama África
- À primeira vista
- Pra cinema
Em cada bloco Carlos e Chico conversavam sobre as circunstâncias da composição da música em foco. Em seguida alguém da platéia fazia uma pergunta sobre a música. E o bloco era encerrado com Chico cantando.
Foi interessante ouvir histórias conhecidas e desconhecidas sobre as músicas. Conto alguns pedaços... Outros deixo como surpresa para o dia em que o programa invada as telinhas das nossas casas.
Falando sobre Béradêro, Chico nos contou que a primeira estrofe foi composta muito antes das outras, durante sua passagem por Barra Mansa, a caminho de São Paulo, no início de 1985.
os olhos tristes da fita
rodando no gravador
uma moça cosendo roupa
com a linha do equador
e a voz da santa dizendo
o que é que eu tô fazendo
cá em cima desse andor
Sabem quem é a musa inspiradora disso? Ninguém mais que Elis Regina. É ela a moça cosendo roupa com a linha do Equador. E é também ela a santa que se pergunta o que é que eu tô fazendo cá em cima desse andor?
À primeira vista foi iniciada num ônibus. Chico voltava para sua casa - uma edícula em Santo Amaro - foi anotando idéias em sua agenda:
os olhos tristes da fita
rodando no gravador
uma moça cosendo roupa
com a linha do equador
e a voz da santa dizendo
o que é que eu tô fazendo
cá em cima desse andor
Sabem quem é a musa inspiradora disso? Ninguém mais que Elis Regina. É ela a moça cosendo roupa com a linha do Equador. E é também ela a santa que se pergunta o que é que eu tô fazendo cá em cima desse andor?
À primeira vista foi iniciada num ônibus. Chico voltava para sua casa - uma edícula em Santo Amaro - foi anotando idéias em sua agenda:
quando bebi demais vomitei
quando fiz 69 gozei
quando morreu Jânio Quadros gostei
E outras... Quase na hora de descer do ônibus, escreveu: quando vi você me apaixonei. E percebeu que ali estava a letra de uma canção de amor. Daí até a forma final que a letra tomou, foi um pulo. Selecionou alguns versos, modificou outros, criou mais alguns. Assim nasceu a primeira canção de amor de Chico. Ouçam e vejam como ele se sentiu nesse momento:
O amara, dzaia, zoi, ei, dzaia, dzaia, ain, in, in, ingá, num, man an veio depois. Quando tudo já estava pronto, numa noite solitária, no quartinho da edícula onde morava, Chico criou esse refrão.
Minha participação foi no momento das perguntas no bloco dedicado a Mama África. Perguntei se, ao compor a música, ele pressentiu que ela poderia alcançar o sucesso que alcançou. Antes de responder ele fez um comentário dizendo a todos que eu sabia muito da obra dele e, em seguida, respondeu dizendo que nunca pensa que uma música possa fazer sucesso, mas que ficou muito feliz com a projeção que essa música lhe deu.
A melodia de Pra cinema foi composta em 1992, e só em 2005 ganhou letra e foi gravada.
Pra quem não se lembra da música, o próximo post traz a letra e uma parte da interpretação de Chico.
Outra coisa legal do programa foi o cenário. Ao fundo eram projetadas algumas fotos. E qual não foi a minha surpresa ao ver algumas fotos de Ana aparecendo ali. Confiram:
E mais não conto...
Vamos ficar de olho na TV Cultura esperando a apresentação do programa, que ninguém soube informar quando será.
quinta-feira, maio 11, 2006
Mais samba e menos lágrimas
Era 10 de maio. Dia do aniversário de Rubi, essa voz encantada que veio lá do centro oeste para acariciar nossos ouvidos de "tons tão sudestes".
O show era em Santo André. No saguão do Teatro Municipal, ao lado do Bar do Alemão.
Palco improvisado, pequeno. Rubi e seus músicos conseguiram se acomodar no espaço e o show foi mais uma vez maravilhoso.
Como já havíamos visto no Crowne Plaza no início de abril, nosso menino cantou como nunca, uma música atrás da outra, sem intervalos para aplausos. Guardamos as palmas para o final.
Além das músicas do CD Infinito portátil, ouvimos ainda Blues da piedade, do Cazuza, Por tudo o que for, do Lobão, Primavera, do Wisnik.
E ainda o antigo samba Tristeza, de Haroldo Lobo e Niltinho, mesclado com versos encantados de Sérgio Pererê, em Mais samba e menos lágrimas.
O show era em Santo André. No saguão do Teatro Municipal, ao lado do Bar do Alemão.
Palco improvisado, pequeno. Rubi e seus músicos conseguiram se acomodar no espaço e o show foi mais uma vez maravilhoso.
Como já havíamos visto no Crowne Plaza no início de abril, nosso menino cantou como nunca, uma música atrás da outra, sem intervalos para aplausos. Guardamos as palmas para o final.
Além das músicas do CD Infinito portátil, ouvimos ainda Blues da piedade, do Cazuza, Por tudo o que for, do Lobão, Primavera, do Wisnik.
E ainda o antigo samba Tristeza, de Haroldo Lobo e Niltinho, mesclado com versos encantados de Sérgio Pererê, em Mais samba e menos lágrimas.
Ouçam:
Fiquem de olho!
Um passarinho me contou que Rubi estará em temporada no Crowne Plaza em julho.
Termino com um momento de mea culpa.
No relato que fiz do show anterior escrevi:
- Ceumar participou também. Vestida de branco, entrou no palco com um ramo de flores e entregou ao Rubi. Juntos cantaram Tristeza e uma versão que eu não conhecia daquela música Tiro ao Álvaro, do Adoniran. A melodia era a mesma mas as palavras eram bem outras: falavam de amor.
Nada disso! Dessa vez Ceumar não participou, mas a música Tristeza vinha acompanhada de trechos da bela Mais samba e menos lágrimas, do Pererê.
Pra me penitenciar, coloco aqui a letra dessa canção.
A solidão
É jarra que vaza vazia
A um segredo revelado em cada canto
E todo Santo Sofre de esquizofrenia
De tanto lançar sonhos no ar
Acho que mereço um amor
Com mais samba e menos lágrimas
De tanto jogar flores no mar
Acho que mereço um amor
Com as bênçãos de Iemanjá
Se o amor é bom
Por que só me faz chorar?
Só pode alguma coisa
Estar fora do lugar
Se existe alguém
Se existe um luar
Se existe um trem do amor
Que possa me levar
Algo de bom
Quero esperar
Mais todo tempo do mundo
Eu não tenho pra sonhar
De tanto jogar flores no mar
Acho que mereço um amor
Com as bênçãos de Iemanjá
Será que Pererê vai me perdoar?
quinta-feira, abril 27, 2006
Um DVD catolaico...
Em setembro de 2003, cumpria eu meio século de vida.
Para festejar a data, planejei cinco dias de festa revisitando lugares e hábitos dos tempos anteriores a esse aniversário. Quem viveu esse acontecimento comigo ainda deve se lembrar dos encontros e jogos com que nos divertimos nessa época.
Houve, entretanto, um acontecimento inesperado: por aqueles dias Chico César, num histórico show na chopperia do SESC Pompéia, terminou sua apresentação oferecendo a uma amiga aniversariante a canção Pedra de responsa. Bem, a amiga aniversariante, era eu...
Digo que o show foi histórico porque ali aconteceram mais coisas além da tal oferenda musical. Foi ali que Drika - que dois anos depois veio a ser minha amiga - entregou a Chico uma das últimas fotos de Itamar Assumpção, recém falecido. Emocionado, Chico cantou de improviso a canção Dor elegante, parceria do Nego Dito com Paulo Leminski. Foi um momento mágico, devidamente fotografado por Ana Maria, que também é a autora da foto anterior...
O show tinha também um obejtivo maior: estavam sendo gravadas ali imagens para o primeiro DVD de Chico.
E desse momento em diante o tal DVD passou a ser aguardado por todos os fãs do catolaico, principalmente por Drika e por mim, que esperávamos ver gravados para a posteridade esses nossos “sucessos”.
Mas o DVD não veio...
Algumas notícias extra-oficiais davam conta de que o projeto DVD estaria sendo reformulado, outras imagens estariam sendo recolhidas, providências burocráticas estariam sendo tomadas e o resultado de tudo isso seria um trabalho de formato diferente, inovador. Mais uma vez, o DVD não veio...
No último fim de semana, entretanto, o sonho de quase três anos começou a tomar forma de realidade. Está próximo o momento esperado por todos os fãs de Chico César.
O projeto é novo, calcado sobre o último disco de Chico: De uns tempos pra cá.
E desse momento em diante o tal DVD passou a ser aguardado por todos os fãs do catolaico, principalmente por Drika e por mim, que esperávamos ver gravados para a posteridade esses nossos “sucessos”.
Mas o DVD não veio...
Algumas notícias extra-oficiais davam conta de que o projeto DVD estaria sendo reformulado, outras imagens estariam sendo recolhidas, providências burocráticas estariam sendo tomadas e o resultado de tudo isso seria um trabalho de formato diferente, inovador. Mais uma vez, o DVD não veio...
No último fim de semana, entretanto, o sonho de quase três anos começou a tomar forma de realidade. Está próximo o momento esperado por todos os fãs de Chico César.
O projeto é novo, calcado sobre o último disco de Chico: De uns tempos pra cá.
Foram três shows, um diferente do outro, mas todos uma lindeza!!!
Aconteceram no Auditório Ibirapuera, novinho em folha. Som ótimo, confortável. No fundo do palco, há uma porta que, quando suspensa, deixa ver as árvores do parque. Chico inicia o show sentado num banco de jardim com o parque às suas costas... Lindo!
Ao final do espetáculo, a porta se abre novamente, e o show termina com todos descontraidamente sentados nesse mesmo banco, brindando com uma taça de prosecco.
Antes do show, nas rampas niermayerianas que dão acesso ao Auditório, um brinde para os que esperavam o momento de entrar, uma performance extra: Chico aparece vestido de anjo estilizado e canta Béradêro à capela, diante de nossos olhos extasiados.
No primeiro dia, fomos pegas de surpresa. Mas nos outros já ficamos posicionadas esperando o espetáculo especial para os adiantadinhos de plantão.
A surpresa também ficou por conta da abertura da tal porta no fundo do palco: de tão emocionada, não conseguia entender o que estava acontecendo. Demorei pra perceber que se tratava das árvores do Parque do Ibirapuera e não de um cenário apenas.
Para um público diferente daquele que sempre o acompanha, Chico, acompanhado de Simone Julian, Simone Soul e do maravilhoso Quinteto da Paraíba mostraram músicas do novo CD e outros sucessos. Não faltou nem Mama África... Claro!
O repertório, essencialmente catolaico, incluiu desde Cálice - introduzida pela piedosa ladainha Kyrie Eleison - até a irreverente Feriado, onde Chico adverte “mas se eu souber que uma vadia ou um viado dormiu com você, não quero saber você vai desejar não ter acordado”.
O cenário, uma evolução de outro, já mostrado em shows anteriores, trazia fotos e textos em forma de móbile. Uma das peças, que me pareceu a mais curiosa, foi uma cópia da Carteira de Trabalho de Chico. Vejam:
Enquanto o dia 21 se configurou como um grande ensaio aberto, o dia 22 foi tenso: era o dia da gravação. Havia duas convidadas especiais: Vange Milliet e Elba Ramalho.
Tudo tinha que sair certo!
Resultado final: havia que repetir umas tantas músicas. Todo o público se foi...
No auditório, além da equipe, estávamos o que Fernanda, bem humorada, chamou de PPSP - Platéia Profissional de São Paulo, formada apenas pelos representantes que aparecem nas fotos abaixo e mais um casal de fãs de Elba Ramalho.
Quando Swamy Junior nos liberou - artistas, equipe e PPSP - já passava, e muito, de meia noite.
Nessa noite, ao terminar o tempo regulamentar do show, depois do brinde coletivo no banco ao fundo do palco, Chico desceu para o parque e saiu correndo pelo gramado. Parou num banco de cimento para uma pequena performance e sumiu atrás de uma enorme árvore. Conseguem imaginar?
A PPSP, acrescida de mais uma representante - Carol Serra Azul - voltou ao Auditório no dia seguinte para a última apresentação. Descontraídos, nessa noite, Chico e seus companheiros nos encantaram mais uma vez com sua arte.
E para mostrar que nem sempre a curiosidade deve ser considerada como um “pecadinho”, conto aqui um fato ocorrido antes dessa última apresentação:
E para mostrar que nem sempre a curiosidade deve ser considerada como um “pecadinho”, conto aqui um fato ocorrido antes dessa última apresentação:
Ana e eu chegamos um pouco mais cedo nesse domingo e, por minha sugestão, fruto da minha curiosidade, fomos vistoriar pela parte externa o fundo do auditório. A idéia era ver como era a continuação do palco atrás daquela porta mágica por onde Chico havia entrado e saído de cena nos dias anteriores. Quando chegamos ali tivemos mais uma surpresa: Chico e os músicos, todos devidamente paramentados, estavam posando para fotos! Nem preciso dizer que as lentes fotográficas de Ana Maria se “assanharam” e surgiram assim algumas fotos paralelas às de Marcos Hermes, o fotógrafo oficial.
Sei muito bem que essas fotos são confidenciais, mas não resisto à tentação de postar aqui a minha preferida. Acho que Chico me perdoará essa transgressão.
domingo, abril 23, 2006
Tudo o que é bom dura pouco...
Como não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe, a viagem chegou ao fim.
Mérida e Cáceres não estavam no roteiro original nem como possibilidade remota. Aconteceram...
De Algeciras pretendíamos ir a Cádiz, mas nos deparamos com hotéis cheios e preços altos, então decidimos abandonar a idéia. Fechamos a conta no hotel de Algeciras, deixamos as malas no depósito e saímos em busca de um cybercafé onde pudéssemos pesquisar e decidir nosso destino.
No caminho, uma idéia: Mérida.
Eram 13h35 quando descobrimos que o ônibus para Mérida saía às 14h20.
Munidas de nossos intercomunicadores, nos separamos: Ana caminhou até a rodoviária para comprar as passagens, enquanto eu fui de taxi até o hotel pegar as mochilas. Nos reencontramos na rodoviária, justo a tempo de comprar sanduíches para a viagem e embarcar num ônibus que percorria o território espanhol de norte a sul.
Depois de 7 horas e mais ou menos 400 km, entre moinhos de vento e ninhos de cegonha, com direito a belas paisagens e lindo pôr-de-sol, chegamos a Mérida.
E foi assim que dissemos adeus à cálida temperatura do sul, trocando-a pelo frio de Mérida - Augusta Emérita - fundada por Augusto no ano 25 AC, às margens do Rio Guadiana.
O dia seguinte amanheceu frio e chuvoso. Isso não nos deteve. Saímos pela cidade em busca de um café. Eram 9h30. Tudo fechado. Por fim encontramos El horno de Santa Eulália. Acreditam que a santa padroeira da cidade foi torturada e queimada em um forno e até hoje carrega o seu forninho?
Passamos o domingo visitando ruínas:
- as do subsolo da basílica de Santa Eulália;
- as do anfiteatro e teatro romanos do ano 8 AC;
- as do Fórum de Trajano;
- as do Templo de Diana com uma residência renascentista encravada entre suas colunas;
- as escavações de casas construídas no início da era cristã.
Fizemos também uma visitinha à estátua da loba que alimentou Remo e Rômulo, presente da cidade de Roma àcidade de Mérida, que desde 1997 contempla as águas do Guadiana.
Espertinhas, tínhamos visto no dia anterior que havia um ônibus para Cáceres - nosso próximo destino - às 19h10. Decidimos chegar cedo à rodoviária, para comprar a passagem com calma, recolher as malas que havíamos deixado no guarda-volumes no dia anterior, etc. Por volta das 17h começamos a cruzar a gelada e moderna ponte Lusitânia que nos levaria à rodoviária. Aproveitamos o momento para fotografar a ponte romana, antiga, que está mais adiante.
Chegamos à rodoviária às 17h40. O ônibus para Cáceres partia às 17h50. Novo corre-corre. Resgatamos as malas justo a tempo de jogá-las sobre todas as outras que já se encontravam no bagageiro do ônibus.
Sentadas nas duas últimas poltronas de um ônibus de 67 lugares completamente cheio de jovens estudantes, partimos rumo a Cáceres. Quase uma hora de viagem. Nos hopedamos em plena Plaza Mayor da cidade.
Num dia de extrema calma e muito frio, percorremos de norte a sul e de leste a oeste toda a parte monumental de Cáceres. Tudo o que podia ser visto numa 2a. feira, dia em que havia muita coisa fechada por lá, foi visto. Nada escapou aos nossos olhos ou às nossas lentes, nem mesmo as cegonhas em seus ninhos ou as estátuas espalhadas pelas igrejas e pelas ruas...
E ainda houve tempo para uma sessão de comprinhas básicas no comércio cacereño.
Depois do almoço, partimos para a rodoviária. Dessa vez a surpresa ficou por conta das passagens: compramos as últimas duas, que ficavam sujeitas a cancelamento em caso de over-booking (!). Deu certo. Conseguimos embarcar no ônibus das 15h30 sem atropelos nem surpresas. A viagem foi tranqüila e agradável.
No início da noite, chegamos gloriosas à última cidade de nosso itinerário: Madri.
A capital espanhola é ponto obrigatório em todas as nossas viagens à Espanha, por isso já foi exaustivamente fotografada em outras oportunidades. Dessa vez nos dedicamos às azulejadas placas de rua e aos portais de alguns edifícios. Também não deixamos de fotografar a homenagem ao quarto centenário de Quixote.
E assim, no dia 25 de fevereiro, ainda nas asas da Varig, voltamos para casa felizes.
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