domingo, julho 20, 2008

PELO NORTE DE PORTUGAL – PARTE 4

Chegamos a Peso da Régua por uma bonita estrada secundária.
Aliás, sempre que possível preferimos andar por essas estradas que, apesar de menores e mais tortuosas, têm paisagens mais bonitas e vão atravessando pequenas cidades.
No hotel Régua Douro, tínhamos reservado um quarto com vista para o Rio Douro. Quarto confortável, vista bonita!
O dia tinha sido de muita andança. Tínhamos saído pela manhã de Guimarães e passado por Chaves, Pedras Salgadas e Vila Real.
Cansadas, tomamos um banho e ficamos curtindo a paisagem que desfilava sob nossa janela.
Entardecia e decidimos jantar no próprio hotel. Queríamos ver o cair da noite no Douro.
Saindo do quarto, percebemos que a porta não trancava. Chamamos a recepção e o funcionário chegou rápido. Tentou de toda forma resolver o problema.
A noite caiu e perdemos o espetáculo do pôr-do-sol...
A fechadura não teve conserto.
Fomos transferidas para uma suíte enorme, com vista para o rio e para a cidade. Sorte!
Jantamos e voltamos para curtir a lua em nosso espaço inesperado.

No dia seguinte, depois de um bom café da manhã – um dos poucos que tivemos nos hotéis por onde passamos – demos uma volta rápida, de carro, por Peso da Régua e seguimos viagem.
Nosso destino era a cidade do Porto, a uns 100 km de distância.
Tínhamos um plano para esse dia: passar por Penajóia, uma aldeia onde nasceu Fernando Correia Dias, o artista plástico que foi casado com a poetisa Cecília Meireles.
Penajóia está a pouca distância de Peso da Régua.
É pequena... umas poucas casas, uma igreja nova, um café, quase nenhuma alma viva.
O misto de junta, correio e posto de saúde ... fechado!
Não descobrimos nada sobre a casa da família Correia Dias. Pena!
Fotografamos tudo o que vimos e continuamos nosso caminho.
A estrada pela qual andávamos era linda.
Com o Douro sempre ao lado, desfilavam sob nossos olhos milhares de parreiras, pequenas aldeias e algumas cidades maiores.
A viagem foi agradabilíssima.
Chegamos ao Porto no início da tarde e tratamos de lavar e abastecer o carro para devolvê-lo à locadora.
Carro limpo, lindo! Vem uma gaivota e suja tudo... Tivemos que improvisar uma limpeza de última hora.
Na Pensão dos Aliados, encontramos meu pai que ali estava desde o dia anterior e juntos fomos caminhando até o Cais da Ribeira, onde jantamos sob o luar.
Terminou aí a primeira etapa portuguesa da nossa viagem.
No dia seguinte partiríamos para Vigo, na Espanha.

Mais fotos e até mais algumas historinhas, estão nos nossos álbuns virtuais:
Europa 2008

Europa 2008

CAMINHO DE SANTIAGO - PARTE 2

E seguimos:
19/07/1998, quinto dia de caminhada.
Passando por Mañeru, Cirauqui, Lorca e Villatuerta, chegamos a Estella, depois de andar 21 km em 7 horas. Em Estella nos esperava a Igreja de San Pedro de la Rúa, construída entre os séculos XII e XIII:

Para o dia seguinte, nosso sexto dia de caminhada, nos esperavam Irache com sua com sua fonte de vinho, Luquín e, finalmente, Los Arcos, 21 km e 6 horas depois de nossa partida de Estella.
Próximo destino, Logroño. Através das terras de Sansol, Torres del Río e Viana, caminhamos 27 km em 8 horas. Era o nosso sétimo dia no Caminho de Santiago.
Em Logroño, as torres da Concatedral Santa María la Redonda, que podem ser vistas aí ao lado.
Oitavo dia. Oito horas de caminhada. 24 km. Passando por Navarrete, chegamos a Nájera.
Dia seguinte, 23 de julho, chegamos a Santo Domingo de la Calzada, depois de passar por Azofra e Cirueña. Foram 22 km em 6 h. Trocamos o albergue de peregrinos por um confortável apartamento no Parador de Santo Domingo de la Calzada. Nós merecíamos. Esse era o nono dia de caminhada.
Na manhã seguinte saímos em direção a Villafranca Montes de Oca. Passamos por Grañon - cuja Igreja de San Juan Bautista se vê abaixo-, Redecilla del Camino, Castildelgado, Villamayor, Belorado, Tosantos, Villambistia e Espinosa del Camino. Foi um longo dia, o décimo.
Caminhamos por 9 horas. 35 km.
Em Villafranca Montes de Oca, os peregrinos se acomodavam em barracas.
Na credencial, mais alguns carimbos:

Nos pés, nenhuma bolha.
E já tínhamos caminhado 214 km.

Clique AQUI para ler a terceira parte deste relato.

sexta-feira, julho 18, 2008

PELO NORTE DE PORTUGAL – PARTE 3

Mal chegamos a Guimarães e, antes mesmo de ir ao hotel, decidimos subir de teleférico até o moderno santuário da Penha.
Foi um mau começo... Há muito o que subir a pé depois do “sofrimento” do teleférico... Ai, que medrosa eu sou!
A igreja não nos encantou, e a vista lá de cima deixa muito a desejar.
A conselho de nosso amigo português, o jornalista Luís Barros, fomos ao casco velho da cidade, em busca da Colegiada.
Foi aí que começamos a nos apaixonar por Guimarães.
Ruas estreitas e antiqüíssimas levam ao Largo da Oliveira , uma enorme praça, dominada pela Igreja de Nossa Senhora da Oliveira e pela capela que homenageia a Batalha do Salado.
Essa praça se liga a outra, linda, medievalíssima: a Praça de Santiago. Encantadas, fizemos dessa praça a nossa eleita.
À noite, a “nossa” praça se transforma num imenso bar/restaurante. Jantamos lá, olhando para a lua crescente já quase cheia.
Praça da Oliveira e Praça Santiago, embora antiqüíssimas - tiveram sua origem no século X -, têm seu toque de modernidade: internet wi-fi à disposição de seus freqüentadores. Coisa de século XXI. Contrastes!
Usando essa rede, pudemos escrever e-mails, publicar um post no blog e até conversar via skype com pessoas no Brasil.
Foi em Guimarães que nasceu o reino de Portugal, a partir do mosteiro e de uma torre, onde depois se erigiu um castelo. Foi ali que nasceu D. Afonso Henriques, o primeiro Rei de Portugal.
Visitamos o castelo natal de D. Afonso – Castelo de São Mamede – com suas sete torres ainda sólidas.
Ao lado do castelo, havia um palácio arquiducal, uma espécie de Versailles vimarense. Não fomos ver.
Ah, vimarense é o gentílico de quem nasce em Guimarães...
Próximo destino: Chaves, bem ao norte, quase na divisa com a Espanha. Fomos pela estrada principal, mais rápida e menos bonita, já que a viagem seria longa e o tempo curto.
Fora da rota turística usual, Chaves não é lá muito atrativa.
Almoçamos à beira do rio Tâmega, que domina a cidade.
Lendo placas comercias, descobrimos que os nativos de Chaves são chamados de flavienses...
Pois bem, andamos pelas estreitas e tortuosas ruas flavienses..
Vimos a igreja principal e entramos na igreja de Santa Madalena, onde fotografamos esse curioso aviso:
De volta à estrada, demos uma entradinha em Pedras Salgadas, cujas termas estão semi-abandonadas. Uma pena!
E seguimos para Vila Real.
O pouco que andamos por Vila Real não nos encantou. A enorme praça medieval adornada com modernos chafarizes e a igreja matriz antiga dotada de vitrais modernos nos fez torcer o nariz para essa cidade.
Achamos sem graça essa mistura de épocas.
Nos arredores da cidade, havia ainda a Casa Mateus – mais uma Versailles portuguesa. Não fomos.
Pé na estrada novamente, com destino a Peso da Régua, onde dormiríamos nessa noite de 15 de julho de 2008.

Fotos dessa e de outras etapas da viagem:
http://picasaweb.google.com/carmemsil/Europa2008

http://picasaweb.google.com/armasebagagens/Europa2008

quinta-feira, julho 17, 2008

PELO NORTE DE PORTUGAL – PARTE 2

Bracara Augusta é o nome romano da cidade de Braga.
Assim, quem nasce em Braga é chamado de bracarense.
Pois bem, chegamos às terras bracarenses no final da tarde do sábado, 12 de julho.
Logo de início a cidade nos agradou, com suas igrejas e recantos interessantes.
Dia seguinte, a caminho de Barcelos, paramos para visitar o Mosteiro de Tibães.
No mosteiro pode-se flanar pela parte externa, com caminhos por entre parreiras e hortênsias que levam a um escadório repleto de esculturas, rumo à capela de São Bento.
Por toda a caminhada se vão ouvindo cantos gregorianos vindos não se sabe de onde.
Depois, um trajeto guiado pelo interior do mosteiro, com direito andanças por quase toda a construção, que está sendo totalmente recuperada após anos e anos de ocupação.
A visita foi longa e agradável.
Deixamos Barcelos para o dia seguinte.
À tarde, subimos ao Santuário de Bom Jesus do Monte.
Foi esse santuário que inspirou a construção do nosso Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, MG.
Em Braga o complexo todo é bem mais grandioso.
Além da igreja há um pátio com esculturas em pedra mostrando figuras do novo testamento, como Herodes, Anás, Caifás, Pilatos, Nicodemos, entre outros.
E uma imensa escadaria, com vários temas representados em suas esculturas: virtudes teologais, cinco sentidos...
Subimos com o funicular e descemos a pé, conhecendo as esculturas e visitando os muitos passos – pequenas capelas – que havia pelo caminho.
Aproveitando que já estávamos no alto do Monte Bom Jesus, fomos até o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro. Novo e excessivamente grandioso, esse santuário nos decepcionou.
Na Sé de Braga, visitamos as capelas tumulares e o coro, além da própria catedral.
Andamos pela cidade, comemos num lugarzinho agradável, o Frigideiras do Cantinho, bem de frente para a Igreja de São João do Souto e saímos na manhã seguinte rumo a Barcelos.
Na saída da cidade, demos com uma indicação para a cidade de Ponte Lima. Decidimos seguir até lá, adiando mais uma vez a ida da Barcelos.
Valeu a pena! Ponte de Lima é bonita. Cruzamos a ponte que deu origem à cidade, visitamos a Capela do Anjo da Guarda, passamos pela Praça Camões, fotografamos a estátua de Dona Teresa – a mãe do primeiro rei de Portugal - e seguimos, finalmente, para Barcelos.
Chegamos à terra do famoso galo debaixo de um sol forte, justo na hora do almoço.
Caminhamos pelas ruas da cidade. Visitamos duas ou três igrejas, inclusive a matriz, as ruínas de um antigo forte/palácio, hoje museu a céu aberto, com peças de pedra dispostas pelo que resta de seus aposentos, compramos alguns galinhos, para reforçar a lenda de que quem leva um deles terá sorte e voltará à cidade, e partimos rumo a Guimarães.

quarta-feira, julho 16, 2008

PELO NORTE DE PORTUGAL - PARTE 1

Ainda hospedadas no Porto, fomos a Vila do Conde e Viana do Castelo. Pouco mais de 100 km, ida e volta.
Em Vila do Conde , o acaso nos levou a uma parte bonita da cidade: um lugar alto, com uma bela vista da cidade e do mar, emoldurados por um belo e antigo aqueduto.
Paramos justo ao lado do cemitério da cidade e não resistimos a dar uma entradinha e procurar o túmulo de José Régio, escritor português nascido na cidade. Não encontramos...
Passamos ao largo de Póvoa do Varzim e nem entramos, assustadas com o tamanho da cidade. Julgávamos que a terra natal de Eça de Queiroz fosse uma pequena vila.
E seguimos para Viana do Castelo.
Com alguma dificuldade, conseguimos estacionar próximo ao centro histórico. Almoçamos, percorremos algumas ruas da cidade, visitamos a Sé e subimos ao Santuário de Santa Luzia que, do alto do morro, domina a cidade.

Ao santuário se chega de carro ou de funicular. Escolhemos o segundo.
A vista que se tem lá de cima é linda!

Terminamos a visita tomando um café no Natário, cujas paredes abrigavam duas fotos de Jorge Amado e Zélia Gattai.
Dizem que o casal foi amigo do antigo dono do local.

Seguimos atualizando os álbuns:http://picasaweb.google.com/carmemsil/Europa2008

http://picasaweb.google.com/armasebagagens/Europa2008