segunda-feira, julho 14, 2008

DE PORTO EM PORTO ATÉ O PORTO

Na manhã do dia 10, chegamos de volta a Évora.
Já tínhamos nosso plano: pegar o ônibus das 13h30 que vinha de Faro com destino a Braga, ou seja, uma espécie de Pelotas-Fortaleza português, que corta o país de sul a norte.
O vendedor de bilhetes tentou nos demover da idéia, oferecendo uma viagem com conexão em Lisboa. Seria mais rápida, dizia ele. Mas não cedemos. Compramos passagens para o mambembão.
E, depois de algumas horas bem aproveitadas em Évora, resolvendo questões financeiras entre outras coisas, tomamos um lanche e partimos estrada afora.
No caminho, conhecemos ruas, casas e rodoviárias de Estremoz, Portalegre, Castelo Branco, Fundão, Covilhã, Guarda, Celorico da Beira, Mangualde e Viseu. Paradas rápidas, mas que demandavam sempre algum tempo para entrar e sair das cidades.
Assim, os quase 500 km que separam Évora do Porto foram cumpridos em aproximadamente 8 horas. Viagem longa, porém interessante.
Pouco depois das 9 da noite, com os pés inchados pela imobilidade, chegamos ao Porto.
Chovia fininho e, por sorte, nosso hotel ficava a poucos metros da parada do ônibus.
O centro do Porto, onde nos hospedamos, é antigo e há muita coisa mal conservada.
Bem ao lado do nosso hotel fica a Igreja de Santo Ildefonso, que nos seus dias de glória deve ter sido lindíssima, com11.000 azulejos decorando sua fachada. Hoje o exterior da igreja está bem degradado e nem mesmo para a comemoração dos seus 269 anos, que acontecia por aqueles dias, ganhou alguma recuperação.
Merece ser comentado aqui o lugar onde fomos acessar a internet. Muito próximo ao hotel e por um precinho bem camarada: 0,50 centavos de euro por hora, contra os 5 euros cobrados pelo hotel para uso da rede sem fio... Quem olhasse mais atentamente para esse cyber nem entraria... E quem entrasse, sairia voando. Por uma escadaria imunda e em ruínas se chegava ao primeiro andar de um edifício antiquíssimo, evidentemente, onde um paquistanês recebia os clientes e encaminhava a computadores de última geração, porém infectos... por dentro e por fora. Pois estivemos ali mais de uma vez.
Mas nem tudo está degradado no Porto...
A Livraria Lello, antiga Livraria Ernesto Chardron, é lindíssima! Estivemos lá na manhã de sábado e ficamos encantadas com a sua beleza e conservação. E pensar que está lá desde 1869...
Claro que muitas outras pessoas mais tiveram a mesma idéia e o lugar estava movimentadíssimo.
Fuçamos tudo, tomamos um café, fotografamos muito, Ana comprou dois livros e saímos.
Quando soubemos que no sábado à tarde haveria uma parada gay no Porto, consideramos o evento imperdível e refizemos os planos de modo a estar na cidade para ver o movimento.
A parada foi simples, nada do que estamos acostumadas a ver em São Paulo. Pouca gente, nada de carros de som, fantasias. Mas marcaram presença na cidade, isso é o que importa.
No dia seguinte ao da chegada ao Porto, pegamos o carro que já havíamos reservado com antecedência.
Um Corsa modelo europeu, cheio de opcionais. Lindo! Recebeu o nome de Manuel Alegre... como o escritor. Com ele percorreríamos várias cidades do norte de Portugal. Alugar um carro durante uma viagem tem prós e contras. Há a liberdade que uma condução própria proporciona: nada de horários e roteiros de ônibus e trens. A contrapartida fica por conta das dificuldades para estacionar nos lugares de mais interesse, guardar o veículo durante a noite... Tudo tem seu preço!
Fotos dessa etapa e de outras, estão nos álbuns atualizados sempre que possível:

quinta-feira, julho 10, 2008

POR ENTRE SOBREIROS, OLIVEIRAS E PARREIRAS

A viagem Brasil-Portugal foi tranqüila, pelas asas da Ibéria.
Chegando a Lisboa, por volta de meio-dia, a primeira providência foi comprar um chip português para o celular já desbloqueado em São Paulo. Pronto! Já estávamos plugadas!
A seguir, um lanche e tomamos o caminho da estação Sete Rios.
Dali para Évora, de ônibus.
Pelo caminho, oliveiras e sobreiros, a árvore de cujo tronco se extrai a cortiça.
Em uma hora e cinqüenta minutos desembarcávamos na já conhecida rodoviária de Évora.
Acomodadas no Hotel Ibis, saímos para um reconhecimento da cidade, já com olhos num restaurante agradável para o jantar.
Caminhamos até o Templo de Diana, em sua versão romana, e aproveitamos os raios solares de final de tarde – aproximadamente 20 h - para fotografá-lo.
Jantamos no restaurante São Luís. As deliciosas entradas - queijo amanteigado de ovelha, pimentões ao alho e azeitonas, acompanhados de um delicioso pão português – compensaram o pouquíssimo bacalhau que o prato da casa oferecia...
Pra “queimar “o vinho que acompanhou o jantar, caminhamos mais um pouco dentro dos muros da cidade e voltamos ao hotel debaixo da lua crescente que brilhava acima das muralhas.
A noite foi longa. Descanso merecido. Afinal desde o último amanhecer em São Paulo - aproximadamente 35 horas antes - não víamos uma cama.
Dia seguinte, 09 de julho, partimos rumo a Monsaraz.
O ônibus partia às 13 h. Teríamos quase uma hora de espera. Tempo produtivo, pois durante esses momentos tomamos uma decisão: no dia seguinte iríamos para o Porto de ônibus, diretamente de Évora e não de trem, via Lisboa, como havíamos pensado antes.
Minutos antes de partir, mais uma decisão intempestiva: resolvemos deixar as mochilas no guarda-volumes da rodoviária. Foi um corre-corre para separar o necessário para a única noite que passaríamos em Monsaraz. E embarcamos para a viagem, de uns 50 km, entre Évora e Monsaraz, que seria dividida em duas partes: a primeira até Reguengos de Monsaraz e a seguinte até o destino final.
Estrada afora, entre olivais e vinhais, passamos por Vendinha e chegamos Reguengos de Monsaraz.
Ali, uma conexão rápida. Como nos dissera a vendedora de bilhetes em Évora: “sair de um e entrar em outro” (ônibus)...
A segunda etapa foi curiosa. Eram apenas 16 km. Poderia ser bem rápido. Entretanto, fomos turisteando, passando por várias cidadezinhas: Carrapatelo, Santo Antonio do Baldio - onde desceu uma senhorinha portuguesa típica sob os brados de “cuidado” da parte do motorista, São Pedro do Corval, Motrinos, Barrada, Outeiro, Telheiro e, finalmente, Monsaraz.
Acomodamo-nos na Estalagem Monsaraz e saímos para comer migas gatas com bacalhau no Sabores de Monsaraz, com vista para os lagos que a Barragem de Alqueva trouxe ao Rio Guadiana. Do outro lado do rio, adivinhávamos pequenas cidades. Espanholas ou portuguesas?
Mais tarde chegamos à conclusão de que havia das duas.
A Monsaraz que conheceramos em 2001 continuava com o mesmo encanto. Branca e calma, com seus muros e castelo em pedra.
Não restou uma pedra do chão dessa cidadela que não tivesse sentido o peso de nossos pés.
Castelo, igreja, ruelas, lojinhas, muralha, torre... nada nos escapou.
Hora do pôr-do-sol e lá estávamos nós, a postos sentadas de frente pro espetáculo, tomando uma cerveja com queijo alentejano e azeitonas, num bar da cidade.
Com o sol posto, voltamos ao castelo. Sob a luz amarelada dos lampiões, cidade e castelo brilhavam na noite.
Na manhã seguinte, partimos no ônibus das 8. O caminho de volta até Reguengos de Monsaraz teve os mesmos “desvios”, com exceção de Santo Antonio do Baldio.
De Reguengos voltamos a Évora. De lá partiríamos para nosso próximo destino, a cidade do Porto.
E assim terminamos nossa aventura alentejana.
Fotos:
  • as minhas
  • as de Ana

segunda-feira, julho 07, 2008

CAMINHO DE SANTIAGO - PARTE 1

Há exatos 10 anos, no dia 07/07/1998, portanto, voei para Madri.
Era minha primeira viagem à Europa.
E tinha um objetivo especial: fazer o Caminho de Santiago, desde Saint Jean de Pied Port até Santiago de Compostela.
Pra começar, passei quatro dias em Madri, com direito a um passeio a Segóvia.
Fiz e aconteci até conseguir reencontrar um velho amigo espanhol: Urío. E desde então não nos vimos mais...
No dia seguinte àquele em que o Brasil perdeu a Copa do Mundo para a França, Esteves e eu partimos para Pamplona. Era 13 de julho, dia da festa de San Fermin. Cansados, dormimos tanto que perdemos a corrida de touros pelas estreitas ruas de Pamplona.E já no dia 14 partimos de táxi para St. Jean de Pied Port. No dia seguinte, iniciamos a caminhada, pela Porta de Santiago.
Primeiro dia. Caminhamos montanhas acima, cruzando os Pirineus.23 km e 10 horas depois, chegamos à Colegiata Roncesvalles, nosso primeiro refúgio.
Segundo dia. Nosso destino: Larrasoaña. Foram 25 km, 11 h de caminhada passando por Burguete, Espinal, Viscarret e seu cemitério abandonado, Linzoain, Zubiri, Osteriz, Llarraz e Esquiroz. Terceiro dia. Voltamos a Pamplona. Em 5 h, caminhamos 16 km, passando por Irure, Aquerreta, Zabaldica, Arleta, Convento La Trinidad del Arre emVillalva (foto) e Burlada.
Quarto dia. Seguimos na direção de Puente la Reina, via Cizur Menor e Guenduláin.
Subimos a Sierra del Perdón em Zariquiegui. Seguimos por Uterga e Muruzabal. Aí pegamos uma variante para Eunate - onde fiz minha foto predileta, essa aí à esquerda - e passamos ainda por Obaños. Foram 27 km, em 12 horas até chegar ao destino. Já somávamos, então, quatro dias, 91 km e 38 horas de caminhada.Nossa credencial ia ficando enfeitada com os carimbos dos lugares por onde passávamos:

Clique AQUI par ler a segunda parte deste relato.

domingo, julho 06, 2008

Como há dez anos...

Minha primeira viagem à Europa aconteceu há dez anos.
Naquele então, saí de São Paulo pelas asas da Varig, com destino a Madri.
Era o dia 07/07/1998.
Pois amanhã, 07/07/2008, coincidentemente, saio outra vez em viagem para a Europa.
Dessa vez, o destino primeiro é Lisboa. E a as asas que me leverão até lá serão as da Ibéria.
Antes, viajei só. Encontrei lá Esteves que me acompanharia pelos quase dois meses que durou aquela viagem.
Amanhã, viajo com Ana Maria.
Nosso projeto de viagem inclui Portugual, Espanha e uma passadinha por Roma.
Em Portugal vamos explorar o norte, mas antes daremos um pulinho a Monsaraz, nossa menina dos olhos no Alentejo.
Na Espanha: Vigo, Ourense e Madri.
E em Roma vamos ver um show de Chico César e aproveitar para conhecer a cidade... que ainda não conhecemos.
A viagem termina em Portugal novamente: Lisboa e Ilha da Madeira.
Há mais de dois meses estamos envolvidas nos preparativos dessa viagem.
Temos nosso roteiro feito, hotéis, carro e vôos reservados.
Em alguns momentos, teremos a companhia de meu pai, que também estará viajando pela Europa.
Sempre que possível, escreverei algumas historinhas de viagem aqui.
Entre as histórias atuais, aparecerão outras, de dez anos atrás, que contarão, paralelamente, o que aconteceu naquela primeira viagem, que teve um roteiro bem diferente: o Caminho de Santiago .
Muita coisa, portanto, aguarda os olhos dos visitantes desse blog.
Senta, que lá vem história!

quarta-feira, julho 02, 2008

Mais FFF

Aí estão mais duas matérias sobre o novo CD do Chico:
A primeira foi enviada por Leca e a segunda postada por Jorginho no orkut.
Fábio, da Passadisco - loja de música brasileira, que tem o melhor acervo da autêntica música pernambucana - também escreveu seu comentário, que tomo a liberdade de reproduzir aqui sem nem mesmo pedir sua autorização:
FFF
O Novo CD de Chico César é maravilhoso
Chico César lançou recentemente o ótimo "Francisco Forró y Frevo"... são 14 faixas inéditas inspiradas nos dois maiores ritmos nordestino.
O Cd começa com "Girassol" de Chico, com citação de "Me Dê Flores" de Zeca Baleiro... participações de Fernando Catatau (da banda Cidadão Instigado) e Xisto Medeiros (do Quinteto da Paraíba), depois vem o forrozinho "Feriado", que Chico já vinha tocando nos shows...
Depois vem o ótimo medley "Marcha da Calcinha" (Chico/Pedro Osmar)/"Marcha da Cueca" (Carlos Mendes/Livardo Alves/Celso Teixeira), com participação especial de Claudionor Germano... que fez muito sucesso nos anos 70.
"Eu mato, eu mato
quem roubou minha cueca
pra fazer pano de prato..."
De volta ao arrasta-pé vem a saborosa "Comer Na Mão", com o auxílio luxuoso da sanfona de Toninho Ferragutti.
"A regra diz pra comer na mesa
mas gostoso com certeza
é comer na mão..."
Em seguida vem o frevo "Humanequim", repleto de metais... e o xote/reggae "Dentro", com a participação de Seu Jorge, com um balanço irresistível, lembrando as letras de Arnaldo Antunes.
Depois vem o forró "Abaeté, Abaicu e Namorado" e a dolente "Deus Me Proteja", que conta com as presenças do mestre Dominguinhos (sanfona e voz) e os benditos de Dona Etelvina Boágua e novamente a sonfona de Ferragutti...
"Deus me proteja de mim
e da maldade de gente boa
da bondade de gente ruim
(...)
Bom mesmo é ter sexto sentido
sair distraído e espalhar bem-querer..."
Em homenagem a Armandinho, vem o frevo elétrico "Armando" e continuando nas homenagens vem a ótima "Zabé", em homenagem a dona Zabé da Loca, uma tocadora de pífanos do sertão paraibano...
E continuando no frevo vem "Solto na Buraqueira", com uma metaleira arretada... um frevo em homenagem à Paraíba:
"Menino, isso é muito bom
menina, isso é bom demais
nas ruas da Paraíba
frevando com todo gás..."
E de volta ao forró, vem o xote saudosista "Ociosa":
"Polaróides, onde pô-las agoras
e as imagens são quase imaginação
ai, coisas ociosas coisas
pedem de volta o que não mais, me dão..."
"Eletrônica", com os vocais de Lica Cecato (japonês/italiano) e Data Kehr (alemão)... falando da música eletrônica/orgânica:
"Máquina não imagina
Máquina maquina.
Música eletrônica
sem energia não dá
aí, meu senhor
eu trago um motor de Salvador
boto pra tocar
(...)
Se é pra caçoar
eu pego um ganzá
em Itamaracá
boto pra tocar
(...)
Aí, meu senhor
pisou no meu pé
eu trago um trupé
lá de Catolé
boto pra tocar..."
Fechando em grande estilo vem o frevo "Pelado" com as participações especiais de Armandinho e Spok Frevo Orquestra... uma fusão/confusão de Bahia & Pernambuco.

No fim de semana passado teve show de lançamento do FFF aqui em Sampa.
Ana fez fotos : Fotos