segunda-feira, maio 26, 2008

Maio agitado

Maio está quase chegando ao fim e ainda não tive tempo de deixar por aqui nenhuma linha sobre tudo o que aconteceu nesse movimentado mês.
Começo, então, contando da viagem às Minas Gerais.
Partimos de São Paulo no dia 3.
Primeiro destino: Belo Horizonte, pelas asas da Varig.
Dali, em carro alugado, fomos diretamente para Congonhas. Viagem difícil, por estrada ruim e movimentadíssima.
Mas o sacrifício valeria a pena. Lá nos esperavam, acreditávamos, os profetas do Aleijadinho em visão noturna, nunca antes apreciada por nossos olhos.
Ledo engano!
O Hotel Colonial, localizado em ponto privilegiado - a pouquíssimos passos das obras de Aleijadinho, que fazem o encanto da cidade - se mostrou aquém das expectativas.

Sonhávamos ver os profetas iluminados dentro da noite mineira.
Mas dormiam na total escuridão. Pode?
Dali seguimos para a bela Tiradentes.
Tínhamos ali um encontro marcado: Maria Teresa, Luís e Marlise.
Pelas ladeiras da antiga São José del Rey da Comarca do Rio das Mortes, caminhamos ouvindo trechos do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, que Ana Maria lia para o grupo.
Dia seguinte, voltamos a Congonhas, na velha e conhecida versão diurna, e seguimos para Ouro Preto.
De volta ao Pouso do Chico Rey, esquadrinhamos as ladeiras, igrejas e museus da velha Vila Rica dos inconfidentes.
Momentos mágicos foram os que vivemos nesses dias. Alguns estão retratados nessas fotos:
Mal chegamos de volta das Minas Gerais e já viajamos para Assis. Ali aconteciam shows de amigos nossos, produzidos por nossa amiga Drika, da DB Produções.
Foram dois shows:
Na sexta-feira, 9 de maio, o grupo Sampapeba lotou o teatro municipal da cidade. Um pouquinho do que rolou pode ser visto aqui:
Na terça, 13 de maio, foi a vez do show Musiquinhas. Tata Fernandes, Nina Blauth e Olívio Filho alegraram a tarde de mais de 500 crianças das escolas assisenses. Confiram:

E já no fim de semana seguinte, seguíamos para Salvador em companhia de Dona Abigail, mãe de Ana.
A viagem tinha dois objetivos: mostrar a capital baiana para Dona Abigail, que ainda não a conhecia, e ver um dos shows de Chico César e Quinteto da Paraíba, no TCA.
Tudo saiu conforme o esperado.
Com a ajuda preciosa de nossa amiga baiana Licia, percorremos os principais pontos turísticos de Salvador. Vimos o show e voltamos felizes pra São Paulo.
Do show há registros fotográficos e animados. Um deles está aqui:
Dos passeios, fotos:
Salvador - maio 2008
Bem que eu disse: maio agitado!

segunda-feira, abril 21, 2008

Nesses dias...

Aproveito o feriado pra fazer uma retrospectiva dos últimos dias.
Depois da reabertura da exposição fotográfica "Os olhos que levo", em Assis, com reportagens de primeira página em dois jornais da cidade, voltei a São Paulo ainda a tempo de ver a apresentação de Ceumar e a peruana Susana Baca, no CCBB, dentro do projeto Mulheres do Sol. Esse foi, de longe, o melhor evento musical da semana. Iluminadas, as duas deram um show emocionante e inesquecível.
Dia seguinte, lá fui eu pra Santo André, ver o show Sampapeba: encontro musical dos compositores Pedro Osmar ( Paraíba) , Vicente Barreto ( Bahia) e Zeh Rocha ( Pernambuco) com Cahê Holfsen, Fabio Barros e Rafa Barreto, paulistas convidados a fazer parte do projeto. Quem produziu foi Drika Bourquim, da DB Produções. (http://www.dbproducoes.com.br/)
No sábado, Macrofonia, com Kléber Albuquerque, Luiz Gayotto e Estevan Sinkovitz, no SESC Ipiranga. Outra realização da DB Produções.
Domingo foi dia de cinema: Irina Palm, me encantou e emocionou com a história da cinqüentona que aceita trabalhar num clube de sexo para pagar o tratamento de seu único neto.
E pra terminar, hoje vi Um beijo roubado, história cheia de dramas pessoais bem retratados, com fotografia e trilha sonora bonitas. Gostei!

Pra ver, ouvir e ler:

segunda-feira, abril 14, 2008

Os olhos que levo

Em 2005, Ana fez sua primeira exposição de fotos. Foi na UNESP de Assis, num espaço que se pretendia que fosse dali por diante dedicado exclusivamente a exposições.
A preparação foi longa: selecionar as fotos, escolher dentro da obra poética de Cecília Meireles textos que servissem como epígrafe a cada uma delas, imprimir fotos e textos, encontrar um papel que servisse de "fundo" para o material, colar fotos e textos no cartão negro escolhido e, finalmente, montar a exposição.
Posso dizer que participei de todo esse processo e, mais, da captação das fotos também, já que todas eram de viagens que fizemos juntas.
Para a montagem, contamos com a ajuda de Maria Gravina, nossa amiga uruguaia, que passava alguns dias em Assis naquele então.
A exposição foi um sucesso, desde o coquetel de inauguração até seus últimos dias.
De São Paulo vieram Helise, Silvana, Renata, Miguel, Paulo e até meu pai e Junia - minha madrasta boa. De Londrina, veio Lidia, a sobrinha de Ana. E de Ribeirão Preto, Lena, velha amiga da fotógrafa.
A idéia de usar o tal espaço para outras exposições se perdeu.
E o tempo passou...
Hoje, quase três anos depois, a exposição foi remontada, numa nova tentativa de usar o espaço para o mesmo fim.
Não houve coquetel, discurso, roupa bonita... nada! Abriu-se a porta e as pessoas começaram a aparecer.
Mas o sucesso já desponta: em menos de duas horas, numa manhã chuvosa de segunda-feira, o livro de visitas já acusava mais de 15 visitas.
À tarde, mais gente!
Os jornais assisenses Voz da Terra e Jornal de Assis enviaram seus repórteres e fotógrafos para cobrir o evento. Enfim... Os olhos que levo já é uma referência!
Fotos e poemas estão também num fotoblog da professora artista. Pra quem quiser ver ou rever, aí está o link para a primeira foto... depois é só ir clicando nas próximas. São quase 60!

sexta-feira, março 14, 2008

Rumo Sul - Enfim, o fim do fim do mundo

Chego por fim às grandes aventuras do fim do mundo.
Navegando pelo Canal de Beagle, a bordo do Yate Che, visitamos as ilhas dos Pássaros e dos Lobos, onde convivem pacificamente leões marinhos e cormoranes reales.
Pelo caminho, encontramos cauquenes (gansos magalhânicos); carancas - uma outra espécie de gansos; gaviotins sudamericanos, que aqui no Brasil recebem o simpático nome de Trinta-réis de bico vermelho; um petrel gigante del sur, ave predadora dos cormorões, e até um golfinho, conhecido como marsopa espinosa, que na verdade é um boto de água salgada e tem o dorso espinhoso.
O passeio chegava até a ilha onde está o Farol Les Eclaireurs e incluía ainda uma pequena caminhada pela Ilha Bridges, onde pudemos conhecer a yareta, vegetação típica parecida com uma pedra coberta de musgo. A yareta, no entanto, é puramente vegetal... fofinha ao toque. Charlotte experimentou subir em uma delas.
Voltamos à terra firme tomando uma cerveja Beagle, de produção local, oferta da tripulação do Che.
Mais tarde, a caminho da Estância Harberton, fomos apresentadas a mais uma espécie vegetal do fim do mundo: a lenga, árvore mais comum da região. Castigadas pelos ventos, algumas lengas que se retorcem e tomam formas interessantes. Uma delas se tornou famosa e virou cartão postal.
Nossa ida à Estância Harberton, a 85 km de distância do centro de Ushuaia, tinha um propósito: fazer uma excursão à Ilha Martillo, onde os pingüins vivem e fazem seus ninhos no verão. Passeio especial... e caro, já que era o único que tinha permissão para levar seus participantes a caminhar pela ilha. Fomos. E valeu a pena!
Sentadas na praia ou caminhando lenta e silenciosamente - recomendações da guia para não assustar os animaizinhos - estivemos quase uma hora entre pingüins magalhânicos e pingüins papua. Fotografamos, visitamos seus ninhos, ouvimos seus ruídos.
Ana fez algumas tentativas de filmar os movimentos e sons dos nossos novos amiguinhos. Como ventava bastante, o som que mais se ouve é o do vento, mas mesmo assim fica aí um pequeno clipe para que todos possam ver um pouquinho do que vivemos na Ilha Martillo:



Da Ilha Martillo, trouxemos a emoção de ter vivido alguns minutos entre os pingüins e um punhado de penas que encontramos entre as pedrinhas da praia. Psiu! Era proibido trazer qualquer lembrança da ilha.
No caminho de volta à cidade, passamos por uma castoreira.
Os castores foram levados para a região com o propósito de exploração de sua pele na confecção de vestimentas quentes. O plano inicial não teve êxito e os animais se converteram em uma praga na região. Há um sem número de castores vivendo ali. Sua caça é incentivada: o Governo da Província de Tierra del Fuego, Antártida e Islas del Atlántico Sur paga uma pequena quantia a quem lhe apresentar a cauda ou o couro de um castor morto.
Os castores iniciam a construção de suas moradias represando cuidadosamente parte de algum curso d'água. Em seguida constroem a madrigueira - a casa propriamente dita - com dois "andares": um subaquático, que usam para ter acesso à represa, e outro seco, onde guardam sua comida. A interferência dos castores no meio ambiente provoca uma grande devastação. Eis o motivo da caça aos bichinhos.
Por medo dos caçadores ou por qualquer outro motivo, os castores só circulam à noite. Assim, não vimos nenhunzinho...
Passeio chegando ao fim!
Na véspera da partida, lá fomos nós para o Parque Nacional Terra do Fogo. O dia começou confuso: a van da Agência Km 3200 não passou para nos pegar no hotel. Esqueceram de nós!!! Tomamos um taxi até a Estação do Fim do Mundo, a 8 km da cidade, onde começava a aventura e ali localizamos nosso grupo.
Embarcadas no trem do fim do mundo, lá fomos nós para uma viagem de quase uma hora até o parque, por entre rios e montanhas. No meio do caminho, uma parada na Estação Macarena.
O trem, hoje de uso exclusivamente turístico, foi antes o trem dos presos. Servia para o transporte de presos e lenha. A ferrovia começou a ser construída 1909 e funcionou até 1952.
Na primeira parte de nossa viagem, a composição foi puxada pela locomotiva Engenheiro Porta. Depois da parada na Estação Macarena, uma locomotiva mais moderna continuou o trajeto.
Meu amigo Coaraci, louco por trens, diz que essa locomotiva antiga "é uma modelo Garratt, muito rara. No Brasil só existe uma deste modelo no museu de Recife. O Eng. Porta, que empresta o nome à locomotiva, é o maior especialista em locomotivas a vapor nas américas, quiçá no mundo."
Quer saber mais sobre o trem do fim do mundo? Acesse o site: Trem do fim do mundo
A parada final do trem é dentro do Parque Nacional Terra do Fogo. Ali visitamos o Lago Roca - metade argentino e metade chileno - e a Baía Lapataia, onde termina a Ruta Nacional nº 3, que percorre 3063 desde seu início, em Buenos Aires.
Para nós, a Baía Lapataia foi o fim do fim do mundo, mesmo!
Mais fotos:

domingo, março 09, 2008

Rumo sul - Chegando ao fim do mundo


Um dia depois das aventuras entre as geleiras da Lago Argentino, partimos para Ushuaia, a cidade mais austral do mundo.
À primeira vista, o fim do mundo nos pareceu meio sem graça. Mas, à medida que o fomos conhecendo, pudemos mudar nossa opinião inicial: o cu do mundo é lindo!
Ushuaia, cujo nome significa baía que segue para o oeste, em língua nativa yamana – o povo que vivia lá antes da chegada dos europeus - não tem o mesmo encanto de El Calafate e seu lago majestoso. A capital da Terra do Fogo está às margens do Canal de Beagle, ao lado do porto. Tem, portanto, as características de um entorno portuário.
A natureza, entretanto, foi generosa com o lugar: lindas montanhas de cumes nevados encontram-se com as águas do Canal de Beagle, num espetáculo incomum.
O Hotel Lennox, onde nos hospedamos, não era lá essas coisas, mas ficava em localização estratégica: encravado no meio do comércio. De nossa janela avistávamos o Glaciar Martial, pendurado nas montanhas andinas. E das janelas do salão onde se servia o café da manhã se via o porto.
Assim, numa manhã da sexta-feira, vimos ancorados no porto turístico nada menos que 4 navios. Dois enormes e dois um pouco mais modestos. Sinal de que a cidade estaria inundada de turistas. Não era bom dia para ir ao Parque Nacional. Muito menos aos passeios de navegação pelo canal. Trem do fim do mundo... nem pensar!
Dentre os turistas que povoavam a cidade nesse dia, viemos a saber depois, estavam Amir Klink, esposa e filhas. Partiam no Nordnorge para um cruzeiro pela Antártida. Não vimos a família Klink por lá; soubemos depois, pelo blog que Tamara, Laura e Marininha escreveram durante a viagem. Pra quem tiver curiosidade de ver, taí:
Decidimos, então, subir ao Glaciar Martial, ali pertinho de nós. De carro, fomos até a base da montanha. Próximo passo: aerosillas que nos levaram para cima. Depois, subir a pé. De cima se avistava a cidade. Lindo espetáculo!
Ali, entre os picos do Martial, vivemos um dos momentos mais agradáveis da viagem. Foi no Refúgio da Montanha, um misto de bar, restaurante e pousada. Do lado de fora, uma placa improvisada prometia sopa quentinha e vinho. Entramos. O lugar era rústico e lindo! Enquanto tomávamos sopa e bebíamos vinho servido em prosaicos copos de vidro - nada de finas taças de cristal - o rádio tocava Como la cigarra. Ficamos encantadas!
Aí está Pedro Aznar, cantando para quem quiser viver um pouquinho desse encantamento:
Como la cigarra - Pedro Aznar
É claro que não basta ouvir a música, será preciso também um pouquinho de imaginação para se transportar para um refúgio simples, no alto de uma montanha gelada, cujo acesso se dá através de um frágil e atemorizante teleférico...
E esse foi mesmo um dia encantado.
Quando se fez noite e uma linda lua cheia enfeitou o céu de Ushuaia, fomos jantar no Bar Ideal, o mais antigo do lugar. O Ideal está instalado em uma construção típica da região, feita com madeira e chapas de zinco, recheada com papel de jornal.
Ali, tomando um copo de Cape Horn - a cerveja local - ouvimos Maria Bethânia cantando só pra nós...
Bem, deixo o relato das aventuras mais excitantes no fim do mundo para um outro capítulo e sigo contando dos lugares que visitamos ali mesmo, próximos ao centro da cidade.
Um deles foi o Museu Marítimo, instalado no antigo presídio da cidade. A construção é enorme. Visitamos apenas a parte onde ainda se conservam as celas originais "povoadas" com estátuas e histórias dos presos mais famosos. Ali funcionou, entre 1902 e 1947, um presídio militar e um cárcere para reincidentes. Os presos trabalharam na construção da cidade e da estrada de ferro mais austral do mundo. Ali circularia depois o trem do fim do mundo!
Fizemos também um city tour num antigo e autêntico ônibus inglês, daqueles de dois andares... Foi no dia da partida. Já tínhamos visto o ônbus estacionado por ali, mas nunca o víamos em movimento. Pois naquela manhã de domingo, passávamos por ali sem destino certo e ... lá estavam o motorista limpando o pára-brisa e os turistas entrando. Entramos também! O passeio percorreu a cidade mostrando os pontos mais interessantes e chegou até ao antigo aeroporto de Ushuaia onde hoje é o aeroclube. Valeu!

Mais fotos do fim do mundo: