domingo, março 09, 2008

Rumo sul - Chegando ao fim do mundo


Um dia depois das aventuras entre as geleiras da Lago Argentino, partimos para Ushuaia, a cidade mais austral do mundo.
À primeira vista, o fim do mundo nos pareceu meio sem graça. Mas, à medida que o fomos conhecendo, pudemos mudar nossa opinião inicial: o cu do mundo é lindo!
Ushuaia, cujo nome significa baía que segue para o oeste, em língua nativa yamana – o povo que vivia lá antes da chegada dos europeus - não tem o mesmo encanto de El Calafate e seu lago majestoso. A capital da Terra do Fogo está às margens do Canal de Beagle, ao lado do porto. Tem, portanto, as características de um entorno portuário.
A natureza, entretanto, foi generosa com o lugar: lindas montanhas de cumes nevados encontram-se com as águas do Canal de Beagle, num espetáculo incomum.
O Hotel Lennox, onde nos hospedamos, não era lá essas coisas, mas ficava em localização estratégica: encravado no meio do comércio. De nossa janela avistávamos o Glaciar Martial, pendurado nas montanhas andinas. E das janelas do salão onde se servia o café da manhã se via o porto.
Assim, numa manhã da sexta-feira, vimos ancorados no porto turístico nada menos que 4 navios. Dois enormes e dois um pouco mais modestos. Sinal de que a cidade estaria inundada de turistas. Não era bom dia para ir ao Parque Nacional. Muito menos aos passeios de navegação pelo canal. Trem do fim do mundo... nem pensar!
Dentre os turistas que povoavam a cidade nesse dia, viemos a saber depois, estavam Amir Klink, esposa e filhas. Partiam no Nordnorge para um cruzeiro pela Antártida. Não vimos a família Klink por lá; soubemos depois, pelo blog que Tamara, Laura e Marininha escreveram durante a viagem. Pra quem tiver curiosidade de ver, taí:
Decidimos, então, subir ao Glaciar Martial, ali pertinho de nós. De carro, fomos até a base da montanha. Próximo passo: aerosillas que nos levaram para cima. Depois, subir a pé. De cima se avistava a cidade. Lindo espetáculo!
Ali, entre os picos do Martial, vivemos um dos momentos mais agradáveis da viagem. Foi no Refúgio da Montanha, um misto de bar, restaurante e pousada. Do lado de fora, uma placa improvisada prometia sopa quentinha e vinho. Entramos. O lugar era rústico e lindo! Enquanto tomávamos sopa e bebíamos vinho servido em prosaicos copos de vidro - nada de finas taças de cristal - o rádio tocava Como la cigarra. Ficamos encantadas!
Aí está Pedro Aznar, cantando para quem quiser viver um pouquinho desse encantamento:
Como la cigarra - Pedro Aznar
É claro que não basta ouvir a música, será preciso também um pouquinho de imaginação para se transportar para um refúgio simples, no alto de uma montanha gelada, cujo acesso se dá através de um frágil e atemorizante teleférico...
E esse foi mesmo um dia encantado.
Quando se fez noite e uma linda lua cheia enfeitou o céu de Ushuaia, fomos jantar no Bar Ideal, o mais antigo do lugar. O Ideal está instalado em uma construção típica da região, feita com madeira e chapas de zinco, recheada com papel de jornal.
Ali, tomando um copo de Cape Horn - a cerveja local - ouvimos Maria Bethânia cantando só pra nós...
Bem, deixo o relato das aventuras mais excitantes no fim do mundo para um outro capítulo e sigo contando dos lugares que visitamos ali mesmo, próximos ao centro da cidade.
Um deles foi o Museu Marítimo, instalado no antigo presídio da cidade. A construção é enorme. Visitamos apenas a parte onde ainda se conservam as celas originais "povoadas" com estátuas e histórias dos presos mais famosos. Ali funcionou, entre 1902 e 1947, um presídio militar e um cárcere para reincidentes. Os presos trabalharam na construção da cidade e da estrada de ferro mais austral do mundo. Ali circularia depois o trem do fim do mundo!
Fizemos também um city tour num antigo e autêntico ônibus inglês, daqueles de dois andares... Foi no dia da partida. Já tínhamos visto o ônbus estacionado por ali, mas nunca o víamos em movimento. Pois naquela manhã de domingo, passávamos por ali sem destino certo e ... lá estavam o motorista limpando o pára-brisa e os turistas entrando. Entramos também! O passeio percorreu a cidade mostrando os pontos mais interessantes e chegou até ao antigo aeroporto de Ushuaia onde hoje é o aeroclube. Valeu!

Mais fotos do fim do mundo:

quarta-feira, março 05, 2008

Rumo Sul - Em busca dos glaciares


E chegou o dia de nos enredarmos nos braços do famoso lago...
A bordo do barco Leal, da empresa Mar Patag, saímos cedinho do Porto Bandeira, a 50 km de El Calafate, para um passeio de dois dias entre os principais glaciares do Lago Argentino.
O barco, bem confortável, tem espaço para 14 pessoas, além da tripulação. Nessa viagem éramos 13 turistas, vindos de diferentes partes do mundo: dois casais de Barcelona, um casal de Paris, uma família de Dijon e nós, brasileiras.
A primeira parte de viagem aconteceu pelo braço norte do lago, onde avistamos os primeiros témpanos (icebergs). Eram tantos e tão lindos que passamos as mais de três horas de trajeto fotografando sem parar. A obra-prima foi essa foto, de Ana:Nosso destino naquela manhã era o Glaciar Upsala, um dos maiores do Parque Nacional, com aproximadamente 7 km de frente e 60 km de fundo. Impressionante ver aquela muralha de gelo, azul de tão branco que era, ali tão pertinho de nós!
Almoçamos a bordo, de frente para o majestoso glaciar.
O chá da tarde foi junto ao Glaciar Spegazzini, que já nos presenteara com um desmoronamento de parte de suas geleiras.
Estávamos todos no deck do barco admirando sua beleza, quando ouvimos um estrondo. E bem ali, diante dos nossos olhos, algumas escarpas geladas tombaram para a água e saíram flutuando para juntar-se a todos os outros témpanos que pontuavam o Canal Spegazzini. Imperdível! Confiram a filmagem de Ana:

Antes mesmo de ver o famoso Perito Moreno, elegemos o Spegazzini nosso glaciar favorito, ladeado pelos glaciares colgantes Peineta Sul e Peineta Norte, ambos pendurados nas encostas de 2.450 m do Cerro Peineta.
Ainda junto ao Spegazzini, nossa tripulação nos fez uma surpresa: avançaram com o barco por entre os pedaços de gelo que boiavam bem próximo ao glaciar e "pescaram" um pedaço enorme.
A "pescaria" foi filmada, claro! Dessa vez a autora fui eu.

Ana conseguiu uma lasca desse gelo centenário e tomamos um uísque ainda contemplando o Spegazzini. E assim, trouxemos um pouquinho dele dentro de nós.
Depois do chá, rumamos para uma tranqüila baía - Puesto de las vacas - onde passaríamos a noite a bordo. Mas alguns témpanos haviam chegado antes e tomado nosso lugar. Assim, seguimos navegando até a Baía Alemana onde passamos a noite tranqüilamente e já ficamos a meio caminho para o destino do dia seguinte: o Glaciar Perito Moreno.
Dia seguinte. Chovia. Mal chegamos, já com menos chuva, e Perito começou seus esforços para nos conquistar: primeiro um "desprendimento" - queda de um bloco de gelo - e depois um arco-íris colorindo sua encosta branca.
E assim, "fizemos amizade" também com Perito Moreno, o mais branco dos glaciares que vimos.
O almoço foi servido ali, frente ao nosso novo amigo. Mas, antes de terminarmos, nosso capitão pôs o barco em movimento e iniciamos a viagem de volta.
Dissemos adeus a Perito entre um frango recheado com presunto e uma torta de maçã. Tudo regado a vinho, claro!
Mais fotos:

sábado, março 01, 2008

Rumo Sul - Seguindo viagem

Em Buenos Aires, nossa velha conhecida, fizemos alguns dos nossos programas já tradicionais.
Por outro lado, nos dedicamos também a descobrir novidades.
Assim, estivemos no Café Tortoni, caminhamos pela Florida e fomos às Galerías Pacífico, ainda no dia da chegada.
O novo ficou para o dia seguinte: o Rosedal, o bairro de Palermo Viejo, a livraria El Ateneo Grand Splendid e o Café La Violeta.
Do Rosedal, as imagens dirão melhor do que as palavras.
Em Palermo Viejo, que na verdade já havíamos conhecido numa viagem anterior, almoçamos no restaurante Janio - também já conhecido - e seguimos pelas ruas de comércio do bairro, parando aqui e acolá para umas comprinhas. Até que chegamos à Água Patagona e nos encantamos com os sapatos. Saímos de lá com um novo par para cada uma. Novidade!
El Ateneo Grand Splendid ocupa um espaço que antes foi o Teatro Grand Splendid. Construído em 1919, o prédio foi usado como teatro e depois como cinema. A livraria conservou toda a aparência do teatro: a cúpula segue esplêndida, o palco foi transformado em um elegante café e na platéia, livros.
Os vitrais do Café La Violeta são de tirar o fôlego, a comida... nem tanto. Se bem que Ana jura que nunca comeu uma empanada mais gostosa que a de lá. Não comi... vou precisar voltar!
Nosso café preferido na capital portenha é ainda o velho e bom Tortoni.
Demos Buenos Aires por vista e revista... e partimos para o sul: El Calafate.
A pequena cidade estava festejando o 131º aniversário de batismo de seu personagem principal: o Lago Argentino.
Já do avião pudemos contemplar a bela cor azul esverdeada do lago.
E do hotel - Esplendor - onde nos hospedamos tínhamos uma bela vista para essas belas águas geladas.
Era na Av. del Libertador, a principal e quase única, que tudo acontecia: bares, restaurantes, lojas, sorveterias, cybercafés, agências de turismo, cassino e os festejos ao lago.
Nem sei dizer quantas vezes percorremos a tal avenida. Com o bom friozinho que nos acolheu, nem nos cansamos de tanta caminhada.
No primeiro restaurante a que fomos, a garçonete era brasileira, baiana.
No Cassino, perdemos e ganhamos alguns pesos.
Na sorveteria, experimentamos o sorvete de calafate, a frutinha que dá nome à cidade. Mas ficamos fãs mesmo do sorvete de chocolate com passas no uísque.
E ainda pegamos um restinho da festa: danças folclóricas em plena Av. San Martin. Eram dois grupos, um de jovens e outro de crianças. Dentre os pequeninos, um garoto nos chamou a atenção. Dançava como "gente grande". Ficam aqui dois momentos desse evento. Observem, no segundo, o desempenho do mini-dançarino.

No dia seguinte, subimos ao monte Huyliche - cujo nome significa "homem forte".
A bordo de um 4X4 Land Rover, lá fomos nós por entre pedras e raposa, tendo sempre abaixo de nossa vista, o lago.
Perdida no meio das montanhas, uma barraca nos esperava. Ali, Joe, nosso motorista e guia, assumiu o papel de cozinheiro e nos preparou um lanche: salada de tomate e pão com carne a la parrilla.
Próximo à barraca nos esperavam duas espécies de habitantes locais: raposas esperando por um pedaço de carne e um cara-cara.
Mais fotos dessa etapa da viagem:

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Rumo ao sul - Montevidéu

Tudo começou antes do previsto naquele 12/02/2008. O vôo da Aerolíneas Argentinas, marcado para as 8h35, saiu às 7h35 do aeroporto Governador André Franco Montoro, em Guarulhos/SP. O barco que sairia às 15h de Buenos Aires foi adiantado e, às 12h30, partimos no barco Albayzin rumo a Colônia, no Uruguai, com direito a chegada à capital de ônibus.
Mas esse "efeito dominó" de horários foi interrompido: o translado para o hotel não aderiu à tendência avançada de horários e ficamos esperando cerca de três horas em Tres Cruces, o terminal rodoviário de Montevidéu. Para passar o tempo, trocamos dinheiro, comemos um lanchinho no McDonald's, fomos ao cybercafé...
O hotel - Armon Suítes - cumpria o prometido: 4 estrelas, sem luxo, mas confortável. A três ou quatro quadras da Rambla - a praia fluvial dos montevideanos - e à mesma distância do Shopping Punta Carretas, onde no dia seguinte fizemos algumas comprinhas.
Jantamos uma tortilla no restaurante Tigre, ali na região do hotel e nos recolhemos.
O dia seguinte era o "Dia de Maria e Eva", nossas amigas uruguaias, motivo de nossa escapada a Montevidéu.
Pela manhã, nos encontramos no hotel e fomos caminhar pela Rambla. Fotografamos um castelo incrustado entre os edifícios da orla. E mais adiante, nos esperava - olha só! - uma estátua de Alberto Santos Dumont.
Da Rambla, caminhamos até a casa onde vivem as duas, no bairro de Pocitos, numa tranqüila rua enfeitada com balcões floridos e próxima a um beco onde estão pintando um mural que elas dizem ser o maior do Uruguai. Há um pedacinho dele aí acima...
Descansamos junto aos canteiros que Eva cultiva no pequeno quintal da casa. Almoçamos juntas, convidadas por Eva, num restaurante do bairro: La Pistolera, cuja especialidade, evidentemente, era parrilla.
Voltamos a encontrá-las à noite, em casa delas, para uma farta ceia preparada por Eva: quesadillas, salada de trigo burgul, pão com especiarias, nozes carameladas, frutas, sorvete. Tudo regado a vinho... um bacanal!
No dia seguinte, dia de San Valentin, a bordo do Silvia Ana, o maior barco rápido do mundo (será?), voltamos a Buenos Aires, navegando pelas águas do Rio da Prata.
Toda a excelência do Silvia Ana, entretanto, não foi suficiente para impedir que um dos motores se avariasse...
Chegamos com uma hora de atraso à Capital Federal.
Mais fotos de nossa escapada uruguaia:

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Carnaval gastronômico

Vai-Vai e Beija-Flor desfilavam na "avenida". Hum... coisa antiiiiga! Hoje os desfiles já não acontecem na avenida.
Recomeçando, então, em bases mais modernas:
Vai-Vai e Beija-Flor desfilavam no sambódromo... e os trios elétricos animavam os foliões de norte a sul do país.
Alheias a esse frenesi, Ana e eu partimos para novas experiências gastronômicas.
Estivemos no Capim Santo, onde provamos um linguado e um hamburguer de ricota bem gostosos.
Almoçamos com Lourdes no Espírito Capixaba. A moqueca com abóbora e banana estava divina.
Fomos conhecer o Obá. Mais moqueca, dessa vez de palmito e banana. E carne seca frita na manteiga de garrafa... hum, dos deuses! Tudo regado a caipirinha de lima e manga. Terminamos a noite colocando nossos pedidos num barquinho: era dia de Iemanjá.
Dia seguinte almoçamos no Boa Bistrô. O nome promete e a comida cumpre: é mesmo boa. Ali experimentamos robalo e risoto, lado a lado com a família Scarpa! Chique, né?
Voltamos ao Spot, onde não íamos há bastante tempo, para comer a inesquecível terrine de queijo de cabra com beringela e mais penne oriental e spaguetinne com gengibre e limão. Ao nosso lado jantavam Vania Toledo e Maria Adelaide Amaral. Põe chique nisso!
Pra variar, pedimos também hambúrgueres no Chapa. Eu que sempre como o bauru especial dessa lanchonete decidi inovar (?) e pedir um tradicional x-salada... Juro que voltarei ao bauru. É imbatível!
Nossa sanha gastronômica chegou também à nossa cozinha. Em casa, comemos um franguinho frito, milho refogado, maionese, macarrão, salada verde... Para uma dessas sessões de carnaval doméstico convidamos Rose, que "colaborou" com uma torta de banana da Doce de Laura.
E pra teminar... em pizza, acabamos e chegar da Veridiana, ainda com o gosto da calabresa e da escarola em nossas papilas.
Isso sim é que é folia. A balança dirá!