sábado, julho 21, 2007

Viagem à Turquia - Parte III: Ainda na Capadócia

Mais uma parte da já lendária viagem à Turquia, em edição revista e atualizada!

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Não apenas o vento e a água moldaram as pedras da Capadócia. A mão do homem também deu ali sua contribuição, escavando cidades, fortalezas, igrejas.
Nos arredores de Nevsehir ( aquela,com cedilha no s...), fica Özkonak (assim, com trema no o...).

Özkonak abriga uma enorme cidade subterrânea escavada pelos habitantes da região durante o império romano. Era ali que aquele povo se escondia para se proteger dos saqueadores árabes. São salas de diferentes dimensões que serviam de dormitórios, salas de refeições, igrejas, enfim, tudo o que era necessário à vida cotidiana da população. Os imensos salões são ligados por túneis tão estreitos, que alguns até exigem que a pessoa se abaixe para poder passar.

Os antigos moradores dessa cidade sem céu desenvolveram sistemas bem interessantes de defesa e de ventilação. Havia "portas" deslizantes de pedra que interrompiam a passagem quando o perigo se aproximava.

No teto havia buracos por onde se podia espreitar e atacar o inimigo.

Esses mesmos buracos proporcionavam e entrada do ar para dentro da cidade. E isso funcionava tão perfeitamente que até parecia haver modernos aparelhos de ar condicionado tão fresquinho era o lugar.
Nas épocas em que não era necessário usá-la como refúgio, a cidade tinha sua utilidade como depósito de cereais ou como local para preparar vinho.

Outro espetáculo que a Capadócia nos ofereceu foi o museu ao ar livre de Göreme (também com trema no o...).

Localizado em um vale, juntando a beleza natural ao trabalho do homem, Göreme é um lugar extremamente interessante. Escavadas nas rochas há um sem número de igrejas rupestres decoradas com pinturas antigas. Algumas muito elementares, outras mais trabalhadas e coloridas.

Incrível como tudo isso foi feito com tão pouca tecnologia e se conservou por tanto tempo...
À saída ainda pudemos ver mais uma intervenção do homem na natureza: uma curiosa agência bancária...

Dali nos dirigimos para um povoado troglodita: Çavusin (outro nome com cedilha no s).

Começamos nossa visita por uma parte antiga e abandonada morro acima, com moradias também escavadas nas pedras e que hoje se transformou num imenso pombal.

E terminamos nossa caminhada matinal chegando à Çavusin dos dias de hoje.

Nossa última aventura pelas pedras capadócias – e pelas cidades escritas com ç em lugares estapafúrdios – foi a visita ao povoado de Uçhisar com sua imponente fortaleza, ponto mais alto de toda a região.

É ali, entre o Vale dos Pombos e a imensa fortaleza de pedra, que o povo de Uçhisar vive o seu cotidiano.

Para transportar: táxi ou camelo.

Para se localizar: placas de direção.

Para rezar: mesquitas.

E como a região é quentíssima no verão, não podia faltar o bom amigo sorveteiro, que posou alegremente para o click de Ana.

Bem, e clicks não faltaram. Se quiser ver mais alguns, visite nosso álbum no link abaixo:

Ainda na Capadócia

segunda-feira, julho 09, 2007

Viagem à Turquia - Parte II: Pedra e água

Aí está mais um capítulo da viagem à Turquia, realizada em 2004.
Na postagem anterior há mapas localizando os lugares por onde passamos. Nessa e nas próximas, relatos e fotos, muitas fotos.
Pra quem, como eu, não sabia, é possível aumentar o tamanho de algumas fotos dessas postagens simplesmente clicando sobre elas. Essa descoberta, que deve ser creditada a Ana, é bem útil no caso da última postagem, para ter uma visão melhor dos mapas que aparecem ali.
Bem, divirtam-se!
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O sol ainda não havia raiado na capital espanhola quando chegamos ao aeroporto de Barajas.
Três ou quatro horas depois, cumpridas as formalidades aeroportuárias, estávamos a bordo de uma aeronave da Onur Air, com destino a Nevsehir (com cedilha no s...).

Com certeza você nunca ouviu falar desse lugar. Mas ele existe, acredite! Fica na Turquia e em seus arredores estão paisagens cuja existência nem sequer imaginamos em nosso dia a dia vivido entre muito concreto e pouca natureza.
O que víamos pela janela do avião era diferente de tudo o que já víramos um dia: variava entre tons do amarelo ao marrom. Nada de verde, nada de água...
Nevsehir está na Capadócia, a poucos quilômetros do Vale de Pasabagi (também com cedilha no s).
A bela e empoieirada Pasabagi, nos ofereceu uma visão inesperada: as "Chaminés das Fadas".

São formações vulcânicas compostas de materiais de diferentes texturas, que, com a ação dos ventos, sofrem modificações em sua forma e adquirem a aparência de uma chaminé.

Veja se não são parecidas com as chaminés de Gaudí, o arquiteto catalão que se inspirava nas formas da natureza...
Teria Gaudí alguma vez visitado o Vale de Pasabagi?

Ou será que, como nós, você pensa em algo mais... erótico para definir as tais "chaminés"?

Enfim, seja qual for a associação que se faça, Pasabagi existe para nos mostrar como a natureza pode ser surpreendente.
Seguindo no terreno das surpresas, dois dias depois, à hora do pôr-do-sol, chegávamos às piscinas de Pamukkale.

São rochas calcárias que, moldadas pelas águas termais que as banham, formam piscinas que se encadeiam montanha abaixo, num espetáculo deslumbrante.
Ao contrário do que pensávamos, essas piscinas não são enormes balneários públicos. São rasas e pequenas para acomodar a multidão que as visita.

Sua beleza é mesmo para ser contemplada e fotografada à exaustão. E foi o que fizemos: depois de molhar nossos pés cansados e inchados por tantas horas de viagem, nos dedicamos a fotografar cada ângulo desse paraíso.

Esmirna, às margens do Mar Egeu, foi o cenário do nosso próximo pôr-do-sol.

Bonita e animada, Esmirna se parece às nossas cidades praianas, com bares e restaurantes à beira-mar e muita gente pelas ruas se deliciando com a brisa marítima.

Aproveitamos os momentos que nosso guia nos concedeu para andar pela cidade e tomar uma cerveja local, admirando o azul-escuro das águas do Mar Egeu.

Que tal?

Se quiser ver mais algumas fotos dessa etapa de nosso périplo pela Turquia, acesse o álbum abaixo:

Pedra e água



segunda-feira, julho 02, 2007

Viagem à Turquia - Parte I: Localizando

Final de julho, começo de agosto de 2004. Quase três anos!

Nessa época, Ana e eu fizemos uma viagem à Turquia, com direito à parte asiática e européia do país.
Os preparativos começaram bem antes, ainda aqui no Brasil. Através da internet, compramos um pacote de uma operadora turística espanhola. Foram muitos e-mails trocados até que tudo ficou acertado, inclusive a entrega do material num endereço espanhol: o do Hostal Sonsoles, onde ficaríamos ao chegar a Madrid. Operação arriscada, mas deu tudo certo. E lá fomos nós para nossa primeira aventura turca, num grupo onde éramos as únicas não-espanholas.
Os detalhes da viagem foram contados aos amigos ao longo do segundo semestre de 2004. Vou recontá-los aqui nas próximas postagens, alterando uma ou outra coisinha, se for o caso. Portanto, preparem-se para "viajar" pela misteriosa Turquia!
Visitaremos Nevsehir, Pasabagi, Göreme, Pamukkale, Esmirna, Uçhisar, Çavusin, Özkonak... Lugares que parecem não existir no mapa, não é mesmo?
Mas não os inventamos, não. Eles existem e vamos provar.
Estamos falando da Turquia, país que tem suas terras em dois continentes: Ásia e Europa.

Tudo começou em Madrid, quando a bordo da Onur Air rumamos para Anatólia, a parte da Turquia que fica na Ásia.

Nosso destino era a cidade de Nevsehir, em plena Capadócia, uma região de Anatólia. Dali tivemos acesso a muitas das regiões de nomes esquisitos de que falamos.

Elas existem! E para que ninguém duvide, estão assinaladas com um círculo rosa (ou seria lilás?).
Foi também dali que partimos para outras aventuras turcas, chegando até Istambul.

E nesse rumo oeste inúmeras maravilhas desfilaram diante dos nossos olhos. Pamukkale, com suas piscinas de águas termais e seu lindo pôr-de-sol. Esmirna à beira do Mar Egeu. E outras mais, belas e curiosas. Aí estão elas (também marcadas no mesmo tom rosa/lilás).

Nem é necessário dizer que tudo foi exaustivamente fotografado, não é mesmo?
Pois, voltem a esse blog de quando em quando e terão oportunidade de seguir a nossa "novela" turca.
Próximo capítulo: Pedra e água

domingo, junho 10, 2007

Prêmio Orilaxé


Era uma quarta-feira de junho, a primeira.
Saímos de São Paulo pela manhã. Fazia frio.
Destino: Rio de Janeiro.
Entre viagem, visita e andanças, o dia passou.
No início da noite lá estávamos nós, à porta do Teatro Villa-Lobos, em plena Copacabana. Fazíamos parte da lista de convidados para assistir à festa de 14 anos do Grupo AfroReggae e entrega do Prêmio Orilaxé 2007.
O convite chegara no meio da tarde, através de Ana Nunes, a produtora de Chico César.
Chico, claro, era um dos premiados da noite.

Com cenários e direção de Gringo Cardia, a festa começou com a apresentação do grupo AfroLata e seguiu pela noite adentro com muita música e entrega do prêmio aos homenageados, 16 pessoas e grupos que se destacaram em suas respectivas áreas de atuação:
  • Jornalismo: o editor-adjunto da editoria Rio do jornal O Globo, Jorge Antônio Barros;
  • Veículo de comunicação: Revista Raça, a primeira revista voltada para o público negro;
  • Fotografia: Luís Paulo Lima, repórter fotográfico;
  • Grupo musical: Digitaldubs Soundsystem;
  • Cantor: Chico César;
  • Cantora: Céu
  • Cultura popular: Mestre Abel Teixeira, do Maranhão;
  • Tradição afro-brasileira: Comunidade dos Arturos, comunidade remanescente de quilombo, de Contagem/MG;
  • Responsabilidade social: Vera Cordeiro, criadora da Associação Saúde Criança Renascer;
  • Direitos humanos: Carlos Nicodemus , coordenador executivo da ONG Projeto Legal;
  • Projeto social: Oficina Escola de Lutheria da Amazônia;
  • Empreendedorismo social: Altair Lira, criador da Associação Baiana das Pessoas com Doenças Falciformes;
  • Produção de conhecimento: Jaílson de Souza, criador e coordenador do Obervatório de Favelas;
  • Inovação social: Associação Lua Nova, destinada a acolher mães e filhos em situação de risco;
  • Políticas públicas: Regina Miki, secretária da Defesa Social e comandante da Guarda Municipal de Diadema/SP;
  • Destaque do ano: André Skaf, empresário jovem, comprometido com a criação de pontes entre as diferenças sociais.
Na linguagem dos povos iorubas, orilaxé significa "a cabeça tem o poder de realização". Nesse espírito, cada prêmio foi associado a uma cabeça revolucionária, que era apresentada num telão, antes de cada premiação. Regina Casé emprestou sua voz para essas apresentações. Por ali desfilaram: Antônio Conselheiro, Stevie Biko , Martin Luther King, Renato Russo, Chico Mendes, Nise da Silveira, Chico Science, Zumbi, Jesus Cristo, Karl Marx, Buda, Che Guevara, Paulo Freire, Gandhi e Bob Marley. Suas fotos ilustravam também o troféu a que seus nomes foram associados.
A Chico César coube o troféu Chico Mendes. Vejam como foi:

O homenageado da noite foi Wally Salomão, mestre na formação de líderes do AfroReggae.
A família do poeta morto esteve presente para receber a homenagem.
E o show continuou.
Banda AfroReggae e convidados: Mart´nália, Arlindo Cruz, Alexandre (Natiruts), Rappin’ Hood, César Lopez - colombiano, criador da “escopetarra”, guitarra construída com armas usadas em conflitos.
Quando vimos Rappin’ Hood no palco, identificamos nosso companheiro de viagem no avião da Varig naquela manhã. Coincidência!
Pra terminar, alunos da oficina de violino do AfroReggae - Acorda Lucas - a banda 190, da Polícia Militar do Rio de Janeiro e a própria banda AfroReggae nos fizeram chorar ao som de Imagine.
Mas... estávamos no Rio de Janeiro!
A Equipe Furacão 2000 invadiu o palco e tudo acabou em funk.
Pena! Quebrou-se o clima de emoção que a união favela & polícia havia criado com a canção de John Lennon.
À saída, o saguão do Teatro Villa-Lobos estava enfeitado por varais improvisados de onde pendiam saquinhos de salgadinho da Elma Chips. Pegamos os nossos. Beijamos nosso anfitrião e saímos para a noite carioca.
No céu, a lua parecia um queijo partido ao meio.
***
Quem quer mais?
Aí vai:
Um álbum das fotos feitas por Ana Oliveira durante o evento:

Clique e veja as fotos

E o site do Grupo AfroReggae, onde há mais fotos e notícias daquela noite:

domingo, junho 03, 2007

Venha ver o pôr do sol

Envolvidos com tantos afazeres, muitas vezes nos esquecemos do espetáculo diário do pôr do sol. O astro-rei, entretanto, cumpre seu ritual a cada dia, criando momentos mágicos para os que se dispõem a contemplá-lo.
Sabiam que há até um "ranking" dos mais belos poentes no país?
O Guia Quatro Rodas 2004 informa que, da Duna do Pôr do Sol, na Praia da Jericoacoara, Ceará, pode-se contemplar o mais lindo pôr do sol das terras brasileiras. Em 2002, estivemos lá e pudemos comprovar: é mesmo indescritível. Naquela época ainda não tínhamos nossas máquinas digitais, por isso tomamos emprestada uma foto que faz justiça a essa beleza, para ilustrar esse relato:
De acordo a mesma fonte, o segundo pôr do sol mais belo do país acontece na Praia do Jacaré, na Paraíba. É uma praia fluvial, por onde passam as águas do Rio Paraíba.
É ali, que José Jurandy Félix, o Jurandy do Sax, executa diariamente o Bolero de Ravel.
No dia 23 de janeiro, estivemos lá para ver. Vestido de branco, empunhando seu saxofone, Jurandy inicia seu ritual às 17h30, num dos bares à beira do rio.
O saxofonista prossegue. Se encaminha lentamente para uma canoa e, tendo o espetáculo do sol ao fundo, continua a tirar de seu instrumento as notas da canção, até que o último raio solar desapareça no horizonte.
Há quem diga que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba elaborou um projeto que prevê o tombamento do pôr do sol da Praia do Jacaré como bem material, no intuito de preservar e proteger o local. Tomara!
Em janeiro de 2004, pudemos presenciar o terceiro pôr de sol do Brasil: no Mirante do Boldró, em Fernando de Noronha, Pernambuco.
Ao final de um dia memorável, percorrendo a ilha de cabo a rabo, chegamos ao mirante. Ainda era cedo. O sol estava alto. Para acompanhar a merecida cerveja, uma surpresa: de um velho aparelho de som saiam as notas de "Cântico à natureza", na voz de Chico César e Nelson Sargento. Entre papos e fotos, o espetáculo aconteceu.
O fato de termos presenciado esses famosos ocasos não nos impediu de admirar outros - mais comuns, mas não menos belos.
Em João Pessoa, depois da tormenta que nos recebeu, o céu se tingiu de dourado e pudemos ter esperança de que o dia seguinte seria melhor... e foi.

Depois do memorável show nudista em Tambaba, nos pusemos a caminho de Campina Grande, que seria nosso pit stop na corrida para Catolé do Rocha. Era o fim de uma tarde de sábado. O dia tinha sido agradável: pouco sol , nenhuma chuva e muitas emoções. E o sol se escondendo entre nuvens paraibanas.
E Natal, no Rio Grande do Norte, onde enfrentamos o dia mais chuvoso de nossas férias, soube nos recompensar com lindos tons dourados em nosso último dia de viagem, naquele verão de 2004.
Três anos depois, voltamos a contemplar a despedida do astro-rei nos céus do Brasil. Dessa vez, em pleno Rio Amazonas, seus raios coloridos encantaram o final de mais um dia de aventuras.
Foto: Ana Oliveira
Como o sol, a vida é bela, quente e colorida. Reclamar, quem há de?!
PS. Essa postagem é uma edição revista e atualizada de outra, que escrevi em 2004, num blog antigo: Venha ver o pôr do sol