quarta-feira, janeiro 13, 2010

Pra ver o Aconcágua



Ana encontrou um folder da agência Andes Wind na recepção do hotel. Ficamos interessadas. Ligamos pra lá e marcamos o passeio para penúltimo dia livre de nossa estadia no Chile. O tour só sai com um mínimo de 5 pessoas. Tivemos que mudar de dia. Fomos na sexta-feira, 8 de janeiro.Começo os relatos da última viagem de 2009 e primeira de 2010, contando do passeio ao Parque Provincial Aconcágua, em Mendoza/Argentina.
Saímos cedo. 8 da manhã, Cristian, o simpático guia/motorista, que parece ser também o dono da agência, nos pegou no hotel. A van foi lotada. Éramos 11 passageiros.
O caminho é longo, 170 km, cheio de curvas e havia muitas obras na estrada, o que nos obrigou a parar várias vezes para esperar a nossa vez de passar. Fazia calor e íamos no banco da frente. Imaginem, duas gordinhas, apertadas entre a porta e a alavanca do câmbio...
Pela estrada, as montanhas da cordilheira, um rio proveniente do degelo dos picos, uma estrada de ferro desativada e, próximo à fronteira, muitas curvas, mas muitas mesmo!
No alto, o Túnel Cristo Redentor faz a passagem entre os dois países.
Quatro horas depois, sem nenhuma paradinha pra fazer xixi, chegamos à aduana argentina.
Por causa de uma greve dos funcionários da aduana, o caos estava instalado ali. Caminhões, ônibus, carros, gente... todos esperando a sua vez de conseguir o carimbo de entrada à Argentina. Ficamos uma hora por ali, enquanto nosso guia tentava agilizar os trâmites. Nada feito!
Para não gastar mais tempo por ali, o guia sugeriu uma "gambiarra": poderíamos voltar sem os carimbos de entrada no país, visitar o Parque Provincial Aconcágua, que fica entre o túnel e a aduana, e levar apenas uma espécie de justificativa para reingressar no Chile ao final do passeio. Com isso, perderíamos a visita a Puente del Inca, já mais adentrada no território argentino.
Relutamos, mas acabamos concordando. Assim, "ilegais", voltamos alguns quilômetros até a entrada do parque.
Antes de começar a caminhada, o guia distribuiu os lanches, que comemos ali mesmo, sob o sol, ao lado do estacionamento...
Em seguida, começamos a caminhada. Primeiro destino, Lago Horcones. Uns 20 minutos com algumas subidas, num caminho rodeado de montanhas e flores. O lago refletia o Aconcágua como um espelho... nos intervalos entre as rajadas de vento. E ventava muito!
O circuito proposto pelas placas terminava ali. Mas nossa caminhada seguiu, por veredas menos ortodoxas, até uma ponte que estava a uns 40 minutos dali.
Foi o ponto mais próximo do Aconcágua a que chegamos.
Entre ida e volta, nos informou o guia, andamos cerca de 5 km.
Pouco, mas cansativo para pessoas pouco preparadas como eu. Além disso, havia que enfrentar, sol, vento forte, muito pó, caminhos pedregosos, subidas e a altitude de quase 3000m . Mas valeu cada pedra chutada, cada tropeção, cada parada para respirar e cada clic da câmera... Os melhores e/ou mais representativos estão
Conto os percalços para que os leitores que se interessarem pelo passeio não pensem que é só alegria. Há dificuldades, mas elas também fazem parte da aventura, acreditem.
De volta à van, começamos o caminho de volta. Primeiro a aduana chilena. Aí foram necessários os préstimos do guia para justificar nossa situação "ilegal" em território argentino. Munido de nossos passaportes, alguns papéis misteriosos, conhecimento e paciência, em pouco tempo tudo se resolveu e fomos readmitidos ao território chileno sem que nunca houvéssemos saído legalmente dele...
De novo as curvas na estrada e paramos em Portillo, no hotel com o mesmo nome, para dar uma olhada no Lago del Inca.
Na volta tivemos mais sorte com as filas nos consertos da estrada e chegamos a Santiago na hora do pôr-do-sol, que lá acontecia por volta de 21h30.
Foi um dia cansativo, é verdade, mas gostamos muito da experiência e recomendamos a Andes Wind a quem se interessa por esse tipo de aventura.
Aos que se dispuserem a ir, desejamos mais sorte na estrada e na aduana argentina .
E não deixem de contar como foi a empreitada!
De nossa parte, fica decidido que teremos que voltar à região para ver Puente del Inca.

8 comentários:

  1. Pelo menos 'os transtornos do passeio' servirão de desculpa para retornar ao Aconcágua e a la Puente del Inca. As fotos dão a medida da beleza.
    L.

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  2. Concordo com Lourdes, é preciso voltar lá com neve e ver outra paisagem tão bela como essa.

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  3. Bacanérrimo! Normalmente eu prefiro que a novela termine para só depois fazer um post linkador, mas acho que neste caso vale a pena fazer agora pra apresentar seu blog ao povo! Bjs!

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  4. Que legal! Fiz o contrário! Fui de MEndoza a Santiago, a fronteira que vocês passaram foi a Los Libertadores?! Muito legal! Acompanhe o relato da minha viagem ao Chile e Argentina no blog Boa Viagem!

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  5. Bom Dia Carmem, visito sem seu blog. Muito legal. Vou viajar pra Puerto Montt até Barilhoche. Peguei suas dicas, mas é melhor dormir em Puerto Montt ou Puerto Varas? Qual hoteis basicos (baratos) lsomente limpos e seguros. Agradeço a atenção

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    1. Norma, eu viajei num pacote, portanto não pesquisei nem conheci outros hotéis.
      Fiquei no Bellavista em Puerto Varas e gostei bastante.
      De qualquer forma, acho que Puerto Varas é bem mais interessante que Puerto Montt, turisticamente falando.
      Boa viagem!

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  6. Oi, Carmen! Acabei de voltar do Chile e, como prometido, vim dar notícias. Fui ao Aconcágua com o Cristian e tive mais sorte. O Cristian é tudo isso que você disse no post, super profissional e simpático. Este tour é sua especialidade e ele disse que sobe duas ou três vezes por semana. Éramos 8 pessoas, então tivemos conforto e o tempo estava agradável (saímos às 7h). Graças ao bom Deus, a estrada passou por intensas obras que acabaram em maio passado, havia ainda algumas, mas nada que parasse o trânsito. Felizmente também, os funcionários da fronteira não estavam em greve e pudemos ir até a Puente del Inca. Foi uma parada rápida, porque também não há muito o que fazer por lá. O itinerário dentro do parque foi o mesmo. A caminhada pareceu ter mais de 5 km, mas valeu super a pena! Para mim, foi o ponto alto da viagem, e ainda fui a Valpo, Viña, Puerto Varas (e redondezas), Puerto Montt e Frutillar. Foi uma viagem incrível! Depois monto um blog ou algo para postar as fotos. Obrigado pela dica do Aconcágua, foi fantástico!
    E em Puerto Varas, almocei no Hotel Bellavista, era um dos únicos abertos no dia 1º de janeiro.

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    1. Que delícia ler suas notícias, Alexandre!
      Bom saber também que a dica do tour com o Cristian foi boa.
      Quero ver suas fotos, sim! Avise quando tiver postado.
      Abraço!

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