De uns tempos pra cá

De uns tempos pra cá, venho pensando em mostrar aos amigos - novos e antigos - como é minha vida. O que faço, aonde vou, o que vejo, o que penso. De Chico César - meu ídolo maior - emprestei o nome desse blog.

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Nome: Carmem Silvia
Local: São Paulo, São Paulo, Brazil

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Descobrindo um novo Rio de Janeiro

Foi assim: ficamos sabendo que Rita Ribeiro gravaria seu Tecnomacumba no Vivo Rio, no dia 3 de julho. Uma sexta-feira, ótimo dia para uma viagenzinha ao Rio de Janeiro.
No site da Gol, encontramos passagens baratinhas: R$ 49,00 cada trecho Guarulhos/Galeão. Compramos.
Na FNAC vendiam ingressos. Escolhemos uma mesa. Pista seria muito cansativo para nós...
Na internet, depois de muita pesquisa, encontramos o Hotel Golden Park com um precinho camarada para os padrões cariocas. Reservamos.
Tudo pronto!
Alguns dias depois veio a boa nova: Maria Bethânia faria uma participação no show. Atiramos no que vimos e acertamos no que não vimos!!!!!!!!!
Chegamos ao Rio na sexta-feira no final da tarde.
O Golden Park já nos reservava a primeira surpresa: nuvens de pernilongos em cada recanto do quarto. Ô delícia! Tivemos que comprar um "kit mata-bicho", daqueles que vão na tomada e espalham um não-sei-o-quê que dá fim aos indesejados insetos...
Lanchinho no Cervantes, banho e toca pro Vivo Rio, de táxi, cujo motorista deu uma volta enorme pra chegar ao destino... Ignorância ou sacanagem?
A mesa escolhida revelou-se impraticável: loooonge do palco, num cantinho...
Nos mudamos para a pista, bem pertinho do palco, antes mesmo do início do show, escoltadas por Leo e Alex, amigos nossos.
O show, nem é preciso dizer, foi m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o! Fotos? Muitas!
As minhas:
Rita Ribeiro - Tecnomacumba
As da Ana:
Tecnomacumba
A tão esperada participação de Bethânia não foi lá essas coisas: cantou apenas meia música, numa entrada meio confusa.
Muita gente gravou o encontro. Uma busca no youtube resultará em inúmeros registros. Deixo um, pra quem estiver curioso, feito pelo Alex: Rita Ribeiro e Maria Bethânia .
Na manhã do sábado saímos rumo a Copacabana.
Uma passadinha na Modern Sound e outra na Rebecca Barreto - pra comprar umas roupinhas...
Depois água de coco na praia e almoço na Polonesa, com Monica.
Animada, Monica já tinha programa pra depois do almoço: festa junina no Baixo Leblon. Fomos!
E aí começaram as descobertas. Eu nunca tinha ido ao Baixo.
Apesar da garoa que teimava em cair, a festa estava animadíssima. Ana e Monica se aventuraram nas barraquinhas e ganharam um monte de prendas interessantes.
Depois um cafezinho no Severino, café da Livraria Argumento, logo ali em frente ao local da festa.
Um passeio pela Rua Dias Ferreira me mostrou um Rio que eu, acostumada às ruas de Copacabana, não conhecia. Bons restaurantes, lugares moderninhos, gente bonita. Muito movimento!
O jantar foi no Zona Sul, um supermercado... Pasmem, ali tem uma pizza deliciosa. Nada como estar com gente da terra. Obrigada Monica!
Mais um cafezinho no Cafeína ali do Leblon e voltamos pro hotel.
Já era tarde, estávamos cansadas. Mas o Golden Park nos reservava uma segunda surpresa: em algum lugar ali por perto havia uma festa. Mas não era uma festinha à toa. Era mesmo uma FESTA!!!! Com som suficiente pra fazer tremer as janelas do nosso quarto. Em dois telefonemas à recepção, ficamos sabendo que a "coisa" acontece sempre e vara a noite... Dormimos, ou tentamos dormir, "embaladas" por esse tum-tum-tum.
Dá pra entender agora porque o preço do Golden Park é tão convidativo?
Dia seguinte, de mala e cuia, saímos do hotel com Monica, rumo a Santa Teresa.
Leo já nos havia dito que o bairro estaria animado com o evento "Santa Teresa de portas abertas" e Monica propôs o passeio. Topamos!
Mais descobertas de um Rio de Janeiro desconhecido. Santa Teresa é tudo de bom! Pelo menos em dia de festa...
Mal chegamos e já encontramos, casualmente, Regina e Daniel, amigos de Monica. Daniel é morador de Santa Teresa. Sorte! Andamos pra lá e pra cá ciceroneadas por eles.
Terminamos o passeio almoçando no Térèze, restaurante do Hotel Santa Teresa. Comida boa, vista linda!
Monica nos deixou no Santos Dumont e de lá tomamos o ônibus para o Galeão.
Chegamos em casa de noitão.
Quero voltar logo ao novo Rio de Janeiro!

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Quinta-feira, Julho 02, 2009

Chico César tri-campeão

"Acho que esse prêmio é raçudo. Foi trocando de patrocinador, depois perdeu e mesmo assim continuou. E tem que continuar independentemente de tudo, porque a música também continua." (Chico César, sobre o Prêmio da Música Brasileira - 2009)

(Foto: Mônica Imbuzeiro)
Nesse 2009, o já famoso Prêmio da Música Brasileira, que já foi Sharp, Caras e Tim, quase não aconteceu... por falta de patrocínio!
José Maurício Machline, no entanto, não deixou a peteca cair e o evento aconteceu no 1º dia desse mês de julho.
Entre os indicados, Chico César aparecia em três categorias:

CATEGORIA REGIONAL

MELHOR DISCO

· ‘Francisco forró y frevo’, de Chico César, produtores BID e Chico César (EMI)

· ‘Cantar Caipira’, de Pena Branca, produtores Pena Branca e Ricardo Zohyo (Velas)

· ‘Cidade e Rio’, de Roberto Mendes, produtor Roberto Mendes (Biscoito Fino)

MELHOR CANTOR

· Chico César (‘Francisco forró y frevo’ – EMI)

· Pena Branca (‘Cantar Caipira’ – Velas)

· Zé Paulo Medeiros (‘Cine Mazzaropi’– Brazil Música!)

CATEGORIA PROJETO VISUAL

ARTISTA

· Chico César, disco ‘Francisco forró y frevo’ – Adams Carvalho (EMI)

· Ney Matogrosso, disco ‘Inclassificáveis’ – Cássia D´elia (EMI)

· Omara Portuondo e Maria Bethânia, disco ‘Omara Portuondo e Maria Bethânia’ – Gringo Cardia (Biscoito Fino)

Levou os três! É mole?

E teve suas palavras registradas pela TV IG logo depois da premiação:

Parabéns, Chiquinho!

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

Bolo de milho

Fiz o Vigilantes do Peso nos anos 80. Fiquei magrinha... De 82kg passei a 59kg. Dá pra imaginar?
Só mesmo vendo a foto ao lado, né?
Naquele então, fazia minhas comidinhas e levava pro trabalho. 
Aprendia receitas novas. 
Frequentava as reuniões.
Esse não foi o primeiro regime que fiz na vida, claro! Me lembro bem da Dieta Revolucionária do Dr. Atkins. Eu tinha 20 e poucos anos e podia me dar ao luxo de comer todas as gorduras que ele indicava. E emagreci!
Outras dietas vieram.... e se foram.
A mais interessante, nutritiva e fácil de seguir foi mesmo a do Vigilantes. Tanto que nunca a esqueci...
Vinte anos e 30 kg depois, eis-me aqui, retomando a tal dieta.
Outros tempos. Tudo pode ser aprendido e apreendido na internet. 
Não é mais necessário ir a reuniões. Tá tudo na telinha do computador: tabela de pontos, conselhos, receitas...
(Vigilantes do Peso em casa - comunidade no orkut)
Seguindo a dieta, já mandei pro espaço alguns quilinhos. E quero perder outros mais.
Dentre as novidades que aprendi nessa retomada,  a estrela é esse bolo de milho:
Fácil de fazer e rápido!
Olha só:

1 lata de milho
2 colheres de sopa de margarina light 
1/2 copo de fubá
2 ovos
1 vidro de leite de coco light
1 colher de sopa de fermento em pó
2 colheres de sopa de Tal e Qual
Bater tudo no liquidificador e assar em forma pequena de buraco no meio.


Fica uma delícia!

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Sexta-feira, Maio 22, 2009

Elogiado pelo Ministro da Cultura

Bem, depois do belo texto de Pedro Osmar, postado há alguns dias, antes da posse de Chico César na presidência da FUNJOPE, não  poderia deixar de postar esta nota fresquinha, do Paraíba News :

"O ministro da Cultura, Juca Ferreira, enviou nota à Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), elogiando a escolha de Chico César para presidir o órgão gestor de cultura da capital. Na opinião do representante do Governo Federal, a iniciativa é um sinal de compromisso da administração pública municipal com a política cultural brasileira. No documento, o ministro também se coloca à disposição para eventuais colaborações.

Para o ministro Juca Ferreira, a escolha do compositor Chico César para ficar à frente da Funjope mostra que a Prefeitura de João Pessoa (PMJP) “vai além dos poderes constituídos e chega aos poderes legitimados”, ressalta a nota. “Digo isso não só pelo valor da obra e talento de Chico César, mas por seu perfil extremamente agregador e atento aos desafios que hoje se colocam frente ao desenvolvimento cultural do País”, destaca o texto.

As qualidades do atual diretor executivo da Funjope são vistas pelo ministro como estratégicas para o bom desempenho da gestão. “Contribuindo para um trabalho que venha a legitimar junto ao setor cultural de João Pessoa, em sintonia com os avanços já obtidos pela política cultural brasileira”, frisa o Juca Ferreira em nota. No final das congratulações, o ministro coloca-se à disposição para apoio às iniciativas que engrandeçam o setor. “O Ministério da Cultura está à disposição pra apoiar e colaborar no que for necessário, na certeza de que estamos juntos pela cultura da Paraíba, pela cultura nordestina, pela cultura brasileira”, enfatiza."

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Domingo, Maio 10, 2009

PASSARINHO DO MATO!

Soube ontem:
"O cantor e compositor paraibano Chico Cesar é o novo presidente da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope). Ele aceitou o convite feito pelo prefeito Ricardo Coutinho na noite desta quinta-feira (07). A posse no cargo está prevista para segunda-feira (11), as 15 horas, durante solenidade no Paço Municipal."
http://www.paraiba.com.br/noticia.shtml?94337

Mais tarde soube mais: Pedro Osmar será seu assessor.

E hoje recebo de Pedro esse texto:

PASSARINHO DO MATO: Chico César na Funjope!


(Pedro Osmar). 10.05.2009. SP.



Qual o significado de um artista como Chico César à frente da instituição municipal de cultura mais importante da cidade, considerando sua história de luta, que é anterior à sua carreira profissional de artista popular mundialmente conhecido? Será, certamente, um delicioso retorno às suas origens! Com a diferença que ele terá em suas mãos a direção da Funjope e todo o seu complexo de atividades e compromissos educativos com a cidade de João Pessoa (não sendo portanto, apenas o menino de recados de um mero projeto divulgador de festas para fazer a cidade cantar, dançar e se divertir), cidade que Chico conhece tão bem (becos, vielas, favelas, comunidades mais distantes), pois nela morou e trabalhou em grande parte de sua vida estudantil, poética, musical e jornalística. Sim, Chico César é um jornalista formado pela UFPB, na mesma turma de Walter Santos, Silvio Osias e Carlos César, tendo como seu maior farol intelectual figuras como Raimundo Nonato Batista e Jomard Muniz de Brito, ícones de toda uma geração! Este será o significado da presença dele a partir de agora!

Hoje Chico volta como um professor que dá suas aulas a cada show/recital/entrevista e palestra que realiza pelo país e pelo mundo. Um profissional que aprendeu com a vida (e vida aqui, no sentido de pensar e repensar e agir e interagir produtivamente aos conceitos, novos conceitos que defende como massa crítica de sua sobrevivência intelectual e política) em que os “signos” estão sempre em rotação, que as relações de poder estão sempre em mutação, quando o poder é exercido democraticamente por quem quer que seja, por ele, por seus parceiros de trabalho, pelo prefeito e toda a complexidade política que faz João Pessoa ser a cidade que “é”, no projeto político do nordeste. Nos perguntamos: João Pessoa poderia ser mais do que é? Poderia dar melhores exemplos e condições de vida aos seus moradores e populações? A certeza é que um dia a cidade, a partir de administrações mais democráticas e equilibradas, terá as condições objetivas para conquistar esse avanço, pois como diria David Cooper: “Não existe esperança. Existe uma luta, e esta é a nossa esperança”.

A chegada de um cara como Chico César à Funjope se reveste de uma importância singular, dada a pluralidade com que acentua e confirma a competência do seu discurso em tudo que faz: sua música, seus poemas, e agora, certamente, uma possível e provável administração democrática e socialista que poderá imprimir à frente da Funjope. O ser plural que ele é (e singular, em seu competente projeto criativo no contexto da música paraibana, nordestina e brasileira), terá condições de dialogar com as “esferas” (leia-se diferenças e contradições) da complexidade da política paraibana, sempre às voltas com as naturais polêmicas do exercício do poder que nos governa, um projeto de poder estadual ainda bem atrasado e burro, mas que se, futuramente, manipulado de forma coerente, inteligente e progressista (um dia será revolucionária), poderá gerar cada vez mais condições para que a democracia popular se instale de vez na cidade de João Pessoa, bem como em todo o estado. Ou seja, cenas de um cotidiano poderoso (ainda não popular) que terá na ação administrativa da equipe da Funjope (com Chico César à frente!), uma outra postura e uma série de novos entendimentos. Este será o nosso desafio!

Que tenhamos vida e fôlego e paciência para ajudar em todo o processo, até porque, depois de Lau Siqueira, ninguém melhor do que Chico César para entender essas necessidades e facilitar um trâmite próprio dessa máquina municipal de poder em que agora ele está inserido. E estamos todos com ele, disso ele não tenha dúvida. Até porque muito do que ele viveu na sua militância de políticas alternativas de cultura a partir dos anos 80, tem a ver com essas “irmandades comunitárias”, tem a ver com as ações guerrilheiras de cultura criadas e mantidas pelos projetos que ele participou: Musiclube, Fala Bairros e Movimento dos Escritores Independentes, que praticamente atuou e mexeu decisivamente (durante pelo menos uns dez anos), com a cena da música, da poesia e da cultura na cidade de João Pessoa.

Chico estava de dentro, contribuindo, influindo e interferindo de forma crítica e criativa com suas idéias, que sempre fundiram “chão rachado, aboio, jovem guarda, bossa nova e tropicalismo com as mais novas e avançadas tecnologias da informação das vanguardas da Semana de 22” (vanguarda européia e modernismo brasileiro), que fomos aprendendo nas relações de poder da luta política de cultura da cidade de João Pessoa daquele período. Certamente que o grupo Jaguaribe Carne tem muito a ver com isso. Não soará estranho agora se a Funjope passar a defender causas de “intercambio”, formação e preparo cultural entre os artistas e as populações nos bairros, assim como nas cidades paraibanas e capitais nordestinas, como base de sua política de trabalho, pois esse é o nosso maior aprendizado nas ações de guerrilha cultural que realizamos coletivamente através do Musiclube, do Fala Bairros e do Movimento dos Escritores Independentes. Essa noção Chico tem, e ela será muito valiosa no momento em que a cultura da cidade procurar um “chão” por onde se sustentar, caminhar e se equilibrar.

Enfim, são expectativas. Bom será a conquista de tudo isso pela coletividade pessoense, tendo claro que muita coisa terá de ser revista e ampliada, seja do lado do poder, seja do lado do povo organizado, para que a cultura na cidade tenha melhores dias. Democracia é essa capacidade de estarmos abertos ao aprendizado que o rolo compressor da vida sempre nos coloca, por bem ou por mal. Esperamos que a vinda de Chico César possa nos ajudar a compreender melhor tudo isso.

Vamos à luta!

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