terça-feira, junho 13, 2017

Kathmandu Durbar Square

A dinastia Malla reinou no Nepal durante quase 600 anos, entre os séculos XIII e XVIII. No final do século XV, com a morte do Rei Jayayakshya Malla, o poder passou para seus seis filhos, que inicialmente governaram em forma de colegiado. 

Nem é preciso dizer que esse governo conjunto não deu certo e logo logo os mais espertos foram deixando os outros pra escanteio e, entre tapas e beijos, o centro do reinado acabou dividido em  três: Kathmandu, Patan e Bhaktapur.

A rivalidade entre os novos reinados causou inúmeros conflitos, mas também proporcionou um período de ouro ao país, já que os três reinos buscavam se superar em termos de arquitetura e arte.

Assim, não foi à toa que a UNESCO declarou o vale de Kathmandu como Patrimônio Mundial da Humanidade. O lugar é um verdadeiro museu ao ar livre, com templos e pagodes construídos ao redor dos palácios: as Durbar Square.

Visitamos as três magníficas Durbar Square, uma mais encantadora que a outra. Difícil eleger a favorita.

Começamos pela Kathmandu Durbar Square.

Khatmandu Durbar Square
Foto: Ana Oliveira

Nosso espanto começou mesmo antes de chegar ao espaço da praça propriamente dita. Vínhamos da visita à estupa Swayambhunath, o carro nos deixou num ponto próximo à entrada e, no caminho, já topamos com o belo Bhimsen Temple.

Bhimsen Temple
Foto: Ana Oliveira

Em seguida, cenas do cotidiano:


Foto: Ana Oliveira

Foto: Ana Oliveira

Pratos usados para oferendas

Poucos minutos depois, já tínhamos nossas credenciais de turistas para visitar o complexo.


Foto: Ana Oliveira

Em pleno terreno palaciano, nos dirigimos para o Kumari-ghar, o palácio da Deusa Vivente.



Ali reside a Kumari (= virgem), uma deusa menina que se acredita ser a reencarnação da deusa Taleju. 

A Kumari é selecionada no clã Shakya, em idade bastante precoce – entre 4 e 5 anos – e tem que atender a vários requisitos, como: dentes perfeitos, cabelos e olhos escuros, voz clara.

Uma Kumari perde sua divindade quando tem a sua primeira menstruação ou quando sofre algum acidente com perda de sangue. Quando isso acontece, a Kumari tem que renunciar formalmente ao título e é dada a largada para a escolha de uma nova deusa viva.

Ser escolhida como Kumari é um privilégio que custa caro às meninas. Elas têm sua vida afastada de tudo o que é normal para uma garota de sua idade: não podem ir à escola, só se comunicam com um número restrito de pessoas, só saem à rua para os festivais religiosos. 

Transporte usado pela Kumari para sair às ruas em dias de festa
Foto: Ana Oliveira

Dentre as tarefas da Kumari, está a de aparecer de quando em quando numa das janelas de seu palácio e abençoar os presentes. Diz a lenda que quem tem o privilégio de estar ali na hora da aparição da deusa terá sorte pra sempre. Nós tivemos essa honraria!

A Kumari aparece naquela janela central
Foto: Ana Oliveira

Não é permitido fotografar a menina deusa. No momento em que estávamos lá, ela fez menção de aparecer em sua janela e voltou rapidamente para dentro quando viu uma pessoa usando sua câmera fotográfica. Só voltou depois que a turista fotógrafa foi advertida e guardou suas lentes.

Bem, ao contrário do que se possa pensar, a turista indisciplinada não era nenhuma de nós quatro, por isso só temos registro da nossa protetora nesse postal que compramos por lá:


Duplamente sortudas – sim, pois nessa mesma manhã Vilma tinha encaçapado uma moeda no pote da sorte do Buda, a caminho da estupa Swayambhunath – saímos do  Kumari-ghar para flanar entre os monumentos da Durbar Square de Kathmandu. 

Esse conjunto é também conhecido pelo nome de Hanuman-dhoka Durbar Square, desde que, em 1672, o então rei Pratap Malla fez colocar uma estátua de Hanuman na entrada do palácio real. 


Foto: Ana Oliveira

Com o terremoto de abril de 2015, as milenares construções de Kathmandu sofreram muito e grande parte delas está em estado precário, mas nem por isso menos impressionante.

Vai aí um pouco do que vimos por lá naquela manhã de sábado:

Kal Bhairav: imagem de pedra onde Shiva
 é representado em uma manifestação destrutiva.
Usada para fazer juramentos pela verdade.

Panchamukhi Hanuman Temple

Parte do palácio Basantapur
Foto: Ana Oliveira

Mahadev Temple South
Foto: Ana Oliveira

Maju Dega Temple
Foto: Ana Oliveira

No telhado do Kumari-ghar
Foto: Ana Oliveira

Um dos guardiães do Hanuman Dhoka Palace
Foto: Ana Oliveira

Tago Gan
O sino soa sempre que há adoração no Degutaleju Temple
Voltem, logo mais contarei da visita aos outros domínios dos irmãos Malla.

domingo, maio 28, 2017

Boudhanath


Eu já confessei aqui que nunca tinha sequer ouvido a palavra estupa, até que vi a primeira delas, a Dhamekh, em Varanasi, na Índia.

No Nepal, veio a segunda estupa da viagem, a antiquíssima Swayambhunath.

Ambas belas e surpreendentes, mas...

... a estupa que fez meus olhos brilharem, meu coração bater mais forte e que ficou gravada na minha memória, foi a Boudhanath, a última que visitamos em Kathmandu. Olha que lindeza!

Foto: Ana Oliveira

Para chegar a ela, cruzamos a cidade enfrentamos um trânsito caótico (que novidade!)  somado a vias em manutenção, ruas interrompidas... um revés atrás de outro. 

Mas todo esse perrengue foi generosamente recompensado quando, depois de passar pelo guichê de pagamento das entradas e percorrer uma curta e estreita rua, tivemos a primeira visão, em toda a sua magnificência, daquela que é considerada uma das maiores estupas do mundo. 

A primeira visão da Boudhanath

Chegamos ali no início da tarde e, nosso primeiro movimento foi subir ao Boudha Stupa Restaurant & Cafe para um almoço tardio, de frente para a bonitona que, em 1979, foi alçada à categoria de Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO.

Olha lá o pátio do Boudha Stupa Restaurant & Cafe

Depois de alguns duelos com o guia, o dono do local e outros clientes (chegamos tarde, né?), conseguimos nossa mesa em lugar privilegiadíssimo. E foi contemplando todo o entorno, debaixo de providenciais guardassois, que tivemos o nosso primeiro almoço de verdade no Nepal.

A vista fenomenal das nossas mesas no Boudha Stupa Restaurant

Conquistados os melhores lugares do restaurante, partimos para os pedidos. Começamos com uma porção de momos, uns pasteizinhos recheados, feitos no vapor, parecidos com os guiozas da culinária japonesa. Escolhemos os recheados com vegetais.

Momos vegetarianos

Ana e eu aceitamos a sugestão do guia e pedimos o Typical Nepali Vegetarian Thali, que tem arroz, curry de vegetais, lentilhas, salada e coalhada, além de pappad - um pão local de massa fininha bem tostada.


Comida nepalesa e vista bonita... o que mais a gente poderia querer? Só mesmo uma foto pra guardar a lembrança desse momento feliz!


Alimentadas e fotografadas, pusemos o pé na estrada, ou melhor no terreno sagrado, para explorar o lugar.

Tampa de bueiro no entorno da Boudhanath
Foto: Ana Oliveira

Nas proximidades dali vivem os refugiados tibetanos que chegaram ao Nepal foragidos da invasão chinesa da década de 50.

Essa estupa é formada de uma alta torre dourada, quadrangular, com os olhos de Buda nos quatro lados, assentada sobre um domo branco, que, por sua vez, está construído sobre uma plataforma também branca de vários níveis, tendo ao seu redor e em suas imediações,  casas, lojas e monastérios: um mundo diferente e novo para nós!

Subimos à plataforma e fomos recebidas por dois elefantes montados por divindades budistas.

Boas vindas!

Rodeamos o domo, observando tudo e todos. Ana fez os dois clipezinhos pra gente nunca esquecer dos sons e movimentos que ouvimos e vimos por lá:






De volta à calçada, demos a volta completa na praça, obedecendo a tradição de percorrer o caminho no sentido dos ponteiros do relógio. Entramos em todas, eu disse todas, as lojinhas, incluindo algumas das ruazinhas que saíam da praça.

Observamos o povo, as rodas de oração, os monastérios, as bandeirinhas coloridas, as estupas menores, tudo!

Foto: Ana Oliveira



Uma das estupas menores
Foto: Ana Oliveira

Chamou-nos a atenção a quantidade de monges budistas que circulam por ali. Pudera, vejam quantos monastérios existem naquelas redondezas:

Foto gentilmente roubada da internet...

Na praça que margeia a estupa,  se destaca o enorme sino do Thrangu Tashi Choling Monastery...

Foto: Ana Oliveira

... seu belo telhado contrastando com  céu azul...

Foto Ana Oliveira

... e a enorme roda de oração em torno da qual fiéis e turistas se misturam. Olha nós aí:


Boudhanath  nos  marcou  tanto, que  no  dia seguinte, quando  terminamos  as  visitas  programadas, pedimos a ao guia que nos levasse  outra vez até lá.  

Fomos e tivemos agradáveis momentos, revisitando tudo e observando as pessoas que cumpriam seus rituais naquele local sagrado.



domingo, maio 14, 2017

Swayambhunath

Nossas andanças por Kathmandu incluíram duas estupas, três praças da corte – as Durbar Square – e um crematório, além de uma e outra coisinha aqui e ali que vimos no caminho ou no entorno desses lugares visitados.

Paras, nosso guia, pediu que deixássemos com ele 50 dólares por pessoa para as despesas com ingressos. Deixamos, mas achamos que ele estava supervalorizando a despesa. Que nada! No cômputo final, vimos que os gastos foram exatamente nesse valor.

No capítulo de hoje: Swayambhunath,  estupa das mais antigas do Nepal 

Foto: Ana Oliveira

Quem leu o último post sobre a jornada pela Índia já sabe o que é uma estupa. Repito: "Trata-se de um monumento budista de formato circular, ao redor do qual os fiéis fazem suas orações. Não é possível entrar numa estupa, elas são maciças." São consideradas a presença viva de Buda, carregadas de energias e poderes protetores.

Começamos por um dos locais religiosos mais antigos do Nepal. Construída no alto de uma colina, rodeada de templos, santuários, monastérios e outras pequenas estupas, Swayambhunath é considerada ponto sagrado de peregrinação para os budistas, para os hindus... e para os macacos, que também são sagrados. 

Macaco na Swayambhunath
Foto: Ana Oliveira

Para atingir o complexo onde estão a estupa e os outros monumentos sagrados há uma longa escada com 365 degraus. Para nossa sorte, não foi necessário enfrentar a escadaria, chegamos por outra via, sem grande esforço. \o/

No caminho, nos detivemos numa pequena piscina que tinha em seu centro uma imagem de Buda.


Reparem no pote à frente da imagem. Conta a lenda que, quem conseguir atirar uma moeda dentro do pote terá sorte por toda a vida. Tentamos!

Dentre nós, a sortuda foi a Vilma!

Por entre bandeirinhas coloridas, rodas de oração e gente, muita gente, chegamos à estupa propriamente dita, que é constituída de uma espécie de domo branco, que serve como base para um cubo dourado com os olhos de Buda pintados nos quatro lados. No alto, uma torre cônica ladeada por painéis dourados, com esculturas. E no topo, um pináculo também dourado.

Foto: Ana Oliveira

Cada parte desse monumento tem seu significado. Pra quem quiser saber mais, deixo esse link. Daí vocês podem partir para outras incursões em busca de informações sobre a estupa que é listada como Patrimônio da UNESCO desde 1979.

Templos, mosteiros, outras pequenas estupas, lojas, museus, biblioteca, restaurantes e hospedarias integram o entorno da estupa, compondo um cenário ao mesmo tempo sagrado e profano.

Mais que palavras, deixo imagens que nossas lentes captaram no tempo que passamos ali, cerca de uma hora, disputando espaço com os fiéis e sempre ouvindo "om mani padme hum",  o tradicional mantra budista, onipresente nas rodas de oração e nos altofalantes.

Rodas de oração

Rodas de oração
Foto: Rose Barros

Dentro desses cilindros, há orações e mantras budistas. Os devotos que passam girando as rodas acreditam que esse ato multiplica suas orações e bençãos.

As quatro "marinheiras da Europa" posando de fiéis

Vajra

Instrumento ritual que representa luz e força. 

A vajra é uma espécie de cetro usado pelos budistas em seus rituais. 

A palavra vajra, do sânscrito, significa diamante e também relâmpago. O diamante remete à força, à indestrutibilidade. O relampago lembra a luz.  

A vajra gigante
Foto: Ana Oliveira

Macaco na vajra gigante
Foto: Rose Barros

Templos e outras construções

No entorno da grande estupa
Fotos: Ana Oliveira e Rose Barros

Templo Hariti
Foto: Ana Oliveira

Parte reconstruída do Karma Raja Maha Vihara Monastery após terremoto de 2015
Foto: Ana Oliveira

 Karma Raja Maha Vihara Monastery
após terremoto de 2015
Foto: Ana Oliveira

Maitri Vihar Monastery



Foto: Ana Oliveira

Imagem de Buda no Swayambhu Buddhist Museum

Bandeiras de oração, a fé colorida  nos céus de Kathmandu