quinta-feira, janeiro 28, 2010

Começando pelo começo



Nos posts anteriores, contei o final dessa viagem...
Comecei pelo fim!
Agora conto como tudo começou.
Logo depois do Natal de 2009, saímos de São Paulo rumo a Bariloche.
Parece incrível, mas ainda não conhecíamos essa cidade. E eu diria que não fazia falta ao nosso currículo. Mas agora ela já consta da lista de cidades onde já pusemos nossos pezinhos.
O voo da LanChile tinha uma conexão, com mudança de aeroporto, em Buenos Aires. Assim, desembarcamos em Ezeiza, pegamos nossas malinhas e fomos para o Aeroparque Jorge Newbery.
Viajávamos com um pacote da Freeway, então esse translado foi facinho. Uma van nos levou, junto com mais quatro viajantes paulistas.
Chegamos ao Aeroparque a tempo de fazer umas fotos no final da tarde e ainda tomar um Paso de los Toros, bebida predileta da Ana, um refrigerante feito de pomelo. Bem gostoso!
Mais uma etapa de voo e desembarcamos em Bariloche perto de meia-noite - horário de lá.
Outra van nos esperava para nos levar ao Hotel Blue Tree Towers, no centro da cidade.
Quando lemos na descrição do pacote que o hotel seria esse, ficamos bem entusiasmadinhas.
Já conhecíamos o belo Blue Tree de Porto Alegre e gostamos muito!
Gente, o hotel de Bariloche não é lá essas coisas não!
Logo na entrada já nos decepcionamos.
O recepcionista ficou todo enrolado com a chegada de 6 pessoas ao mesmo tempo.
Perguntamos por internet e ele disse que não havia, exceto dois PCs ali na recepção...
Subimos ao quarto e... surpresa! Nossa janela, que dava para o lago Nahuel Huapi - descobrimos no dia seguinte - dava também para uma discoteca cujo som era insuportavelmente alto. Descemos pra reclamar e tentar mudar de quarto. O recepcionista disse que o hotel estava lotado, não havia como fazer atender nosso pedido. Além do mais, na recepção o barulho era idêntico. Na verdade, o hotel todo estava tomado pela "música"... E pra completar soubemos que todas as noites de sábado eram assim: o barulho não tinha hora para acabar.
Eram 3h da manhã quando, vencidas pelo sono e pelo cansaço, dormimos, finalmente.
No dia seguinte soubemos que às 6h ainda havia som nas caixas. Pode?
Quer um conselho? Nunca fique no Blue Tree Towers de Bariloche. Além desses contratempos, o quarto é ridiculamente pequeno. Dá uma olhada nessa foto:
Nem a porta da geladeira abre direito. Agora imaginem quantas topadas demos na cama na hora de passar por ali pra chegar a janela e ver o lago...
Dia seguinte logo cedo, Raul - o motorista da agência que nos recebeu por lá - passou pra nos pegar para o passeio incluído no pacote: subida ao Cerro Llao-Llao e outras caminhadas menores. Imaginem nossa disposição depois de um dia inteiro viajando e daquela noite mal dormida.
Fomos e gostamos! Uma infinidade de retamas - essas florezinhas simpáticas que estão aí do lado - coloriam e alegravam o caminho. Passamos por um bosque de arrayanes, vimos o fungo llao-llao que dá nome ao morro. Subimos, descemos, fotografamos. Perdemos o fôlego pelo cansaço e pela beleza da vista. No outro dia, as pernas doíam muito.
No meio da caminhada, uma parada para um lanchinho de trilha, olhando para lago Nahuel Huapi, que dois dias depois nós iríamos atravessar rumo ao Chile.
No mais, tomamos chocolate no Mamuschka, comemos massa no El Boliche de Alberto, nos deliciamos com um foundue no La Marmite, comemos um prato natureba no Sésamo, andamos pelo comércio, passamos frio, ganhamos um graninha no cassino e encontramos com meu pai, minha irmã e minha sobrinha, que vinham de El Calafate e seguiriam uma parte da viagem conosco.
29 de dezembro, deixamos Bariloche. Às 7 da manhã, um ônibus nos levou até o Puerto Pañuelo, onde começa a travessia dos lagos rumo ao Chile.
O trajeto é esse aí abaixo. Leva praticamente o dia todo e tem várias etapas, em barco e em ônibus.
O nosso dia foi assim assim:
  • Bariloche/Puerto Pañuelo. O ônibus passou cedinho no hotel pegando os viajantes. Minha família já estava a bordo.
  • Puerto Pañuelo/Puerto Blest, de barco pelo lago Nahuel Huapi. Chovia. A paisagem estava cinza. Que pena!
  • Puerto Blest/Puerto Alegre, 20 minutos de ônibus. Lá fomos nós...
  • Puerto Alegre/Puerto Frías, de barco, mais 20 minutinhos. Aqui a navegação é feita pelo Lago Frias. Lindo, mesmo com chuva.
  • Puerto Frías/Peulla, de ônibus. Nesse trecho acontece o cruzamento da fronteira Argentina/Chile. Em Peulla são feitos os trâmites de entrada e saída de um país ao outro. A coisa é bem demorada e rigorosa. Todo mundo tem que abrir as malas. Em Peulla, minha família ficou para seguir viagem no dia seguinte. Fazia parte do pacote que eles estavam seguindo. Nós, depois de almoçar no Hotel Peulla, fomos para a etapa seguinte da viagem.
  • Peulla/Petrohué, de barco, navegando pelo Lago de Todos os Santos, também chamado de Lago Esmeralda. As águas do lago são lindas, verdinhas. E pelo caminho, se as nuvens deixarem, dá pra ir vendo e fotografando o vulcão Osorno, que seria nosso companheiro pelos próximos dias.
  • Uma hora e vinte minutos depois, estávamos prontas para a última etapa do dia: Petrohué/Puerto Varas, de ônibus, passando pelas cachoeiras do rio Petrouhé. Quando paramos na entrada do parque das cachoeiras nos demos conta de um detalhe: não tínhamos pesos chilenos para comprar o ticket! Mas nosso super-guia Eduardo deu um jeitinho e entramos na faixa... E ainda na frente dos outros que estavam na fila da bilheteria. Viva o Eduardo, que nos mostrou o "jeitinho chileno"!
Valeu! As cachoeiras são um show! Até a chuva deu uma trégua nessa hora...
A empresa que faz toda a travessia é a Cruce Andino. Os barcos são razoáveis e o ônibus também. Eles cuidam de tudo, inclusive do transporte da bagagem nesse sobe-e-desce de barco e ônibus. E tem sempre um guia orientando o pessoal.
Foi assim que, ao cair da tarde, o último ônibus nos deixou no Hotel Bellavista, em Puerto Varas, de cara pro lago Llanquihue.
As fotos dessa etapa da viagem estão numa telinha logo no início do texto, mas pra ver com calma, em tamanho grande e com legendas, clique AQUI.

  • PS.1 - Descobrimos depois que o Blue Tree Towers de Bariloche tem wi-fi grátis, mas só no lobby. Informação errada do recepcionista da noite...
  • PS2 - Andando pela cidade, descobrimos um hotelzinho super-simpático que pretendemos conhecer numa próxima viagem a Bariloche. É o Hotel Tirol. Pequeno, aconchegante - pelo menos parece - e de cara pro lago. E com um precinho pagável, do qual já não me lembro mais.
  • PS3 - Vamos ter que refazer o cruzeiro dos lagos num dia de sol...

7 comentários:

  1. Descrição maravilhosa, viajei junto! Adoro flores, as retamas enfeitam a viagem.;

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  2. adorei esse passeio na minha manhã de sábado! hehe!
    Muito bom!

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  3. Fiz essa viagem com meus pais qdo tinha 11 anos, ficamos nesse mesmo hotel em Peulla! Saudades...

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  4. Maravilha. Não em coisa melhor que viajar e conhecer novos lugares, novos costumes...

    Gostaria de fazer isso mais vezes!

    Boa semana pra vc!

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  5. Esse seu post é realmente ótimo!
    Aliás, como estou planejando o meu Cruce dos Lagos para janeiro agora, volta e meia entro aqui... Mas ainda não havia deixado o meu "alô"!
    Por sinal, estou pensando em fazer o Cruce da maneira mão de vaca muquirana, de bumba! Com passeios pelos lagos em Bariloche e depois em Puerto Varas até Peulla, mas estou em dúvidas se vale ou não à pena, qual a sua sugestão para mim? =)
    Beijinhos!

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  6. Natália,
    Obrigada pelas visitas e pelo elogio.
    Sobre ir de barco de Puerto Varas a Peulla eu acho que só vale a pena mesmo pelo passeio no lago, porque Peulla é bem sem graça.
    Sem falar em preços, porque não sei quanto custa o trecho Puerto Varas/Peulla, acho que navegar pelo lago com o Capitán Haase, por exenplo, é mais gostoso. Nós fizemos o passeio e adoramos. Contei um pouquinho nesse post: http://deunstempospraca.blogspot.com/2010/02/as-margens-do-llanquihue.html
    Umas moças que conhecemos durante a viagem foram de ônibus de Puerto Varas até as cachoeiras de Petrohué e passaram o dia por lá. Andaram de barco e curtiram muito.
    Tô seguindo os seus preparativos lá no twitter.
    Beijo!

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  7. Obrigada pelas dicas!
    O Zuco tá querendo o Cruce de barco e eu só estou com dó do bolso... Mas tô quase cedendo.
    Realmente o passeio até Peulla seria mais pelo trajeto de barco que inclui a ida aos saltos Petrohué, do que por Peulla em si.
    Enfim, essa parte da viagem ainda está pendente, vou dar uma avaliada e depois lhe conto!
    Beijinhos!

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