quinta-feira, agosto 14, 2008

CAMINHO DE SANTIAGO - FINAL

Exceto raras excessões, comíamos o menu do peregrino nas cidades por onde passávamos. Isso constava de uma entrada, um prato principal, sobremesa, pão e bebida.
Para beber, podíamos escolher entre vinho e água. Esteves sempre tomava água. Eu sempre escolhia vinho. E como éramos só os dois, ele recebia uma garrafa de água inteira e eu uma de vinho. Dá pra imaginar o quanto bebi nesse período?
As piores partes do caminho para mim eram as subidas. E houve muitas. Geralmente Esteves chegava ao alto dos morros bem antes de mim. Descansava enquanto me esperava. Quando eu chegava, já estava disposto continuar a caminhada... (risos)
Ele precisou de paciência para agüentar meu ritmo!
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Naquele sábado, 14 de agosto de 1998, saímos da cama muito cedo, bem antes do nascer do sol e nos pusemos a caminho.
De Arca até Santiago de Compostela tínhamos que vencer 18 km. Eles foram feitos em 5 horas.
Caminhamos pelas ruas e calçadas de San Antón, Amenal, San Paio, Lavacolla, Vilamaior e San Marcos.
Passamos pelo Monte do Gozo, último albergue para peregrinos do Caminho, e demos graças a Deus por ter decidido parar em Arca: o Monte do Gozo não nos pareceu nada acolhedor.
Essa foi a primeira visão que tivemos de Santiago.
Ainda na periferia da cidade, paramos num bar para nos prepararmos para a entrada triunfal na Praça do Obradoiro.
Pusemos roupas limpas e continuamos a caminhada até a frente da Catedral.
Reencontramos amigos feitos pelo caminho e ficamos ali, olhando para aquelas torres milenares.
Pouco tempo depois começou a missa dos peregrinos, com direito a botafumeiro e tudo!
Confesso que o tal botafumeiro me decepcionou um pouco.
Eu esperava um objeto imenso... Coisa da minha cabeça!
Mas é bem bonita a cerimônia.
Essas imagens dirão mais que palavras. Veja, só não vai dar pra sentir o cheirinho do incenso!
Mais tarde, fomos em busca da nossa Compostela: uma espécie de certificado de que tínhamos caminhado mesmo por todos aqueles 763 km, durante 222 horas e meia, passando por 220 cidades, em 31 dias.
Depois, já acomodados num quarto alugado na casa de Dona Rosalía, saímos para explorar a cidade. Em cada canto encvontrávamos alguém que já tínhamos visto pelo caminho.
Ficamos em Santiago até o dia seguinte, quando pegamos um trem noturno de volta a Madri. E de lá seguimos para outros caminhos... de carro!
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Termino estes relatos com parte da mensagem que fecha o álbum sobre o Caminho com o qual Esteves me presenteou em 2000:

"O Caminho de Santiago é uma imagem da vida.Caminhar é viver feliz, diz o velho refrão. Tudo o que ocorre nestes dias de caminhada é o que pode acontecer durante a trajetória da vida das pessoas. Assim, companheiro é aquele que comparte mais que o pão, o caminho."

3 comentários:

  1. Parabens pelo blog!
    Também fiz o Caminho.
    Espetacular.
    Buen Camino!
    guto
    gutopinto@gutopinto.com.br

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  2. Grande ideia sua linkar seus posts la no Saia pelo Mundo! Voltei a eles e reli tudinho, ja pensando na volta a Santiago pra fazer a caminhada como se deve. Tks!

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  3. Então, Mari, achei que os posts poderiam ajudar as pessoas que se interessaram pela caminhada.
    Eu adorei aqueles dias de andanças.

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